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Em Questão

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Décio Bragança 14/08/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

* Cidades, como tudo que existe, são construídas a partir de ideias. As cidades vão se tornando complexo urbanístico, já que quando foram criadas e construídas era impossível prever o que aconteceria dali para frente. Por isso, ruas e avenidas estreitas que não suportam o fluxo de veículos. Assim, é a minha Uberaba, mas a minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que moro.

* Quanto mais a cidade cresce, maiores são os problemas. A solução de problemas não é tarefa fácil e exige a participação de todas as forças e ideias. O fato é que se entende o mundo a partir da cidade, do bairro, da rua e da casa. Nesse sentido, entender o mundo é sair de casa. Meu mundo não é o melhor dos mundos, minha cidade não a mais rica do mundo, mas a minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que amo.

* Todas as cidades passam por etapas, momentos de crescimento e desenvolvimento. As pessoas saem da roça, vêm para a cidades, buscam empregos e estudos, constituem famílias e querem um lugar ao sol. Não há modelos de cidades ideais, porque as cidades vão se fazendo aos poucos. Deveriam atender os interesses e intenções de todos – o que não é fato, já que os interesses e intenções de uns é que prevalecem. Minha cidade não é a mais bonita de todas, mas a minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que trabalho.

* As cidades são idealizadas para trazer o bem-estar, o bem ser de todos e da cada um. Para tanto, o poder constituído tem de se preocupar com a qualidade e fornecimento de boa água, de bom ar, de boa terra para a produção de alimentos, de boa matéria-prima para a construção de casas. A administração de uma cidade é semelhante à administração de uma casa. Porque se inventou formas de administração diferente da de uma casa, muitas cidades vivem um caos ou se transformam em caos, mas a minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que me construo.

* Existem até cursos superiores para se pesquisar, analisar, propor medidas para que as cidades sejam o lugar do homem. Assim foram criados os cursos de Urbanismo. Afinal, as cidades devam seguir critérios artísticos? Critérios de produção de alimentos e de coisas? Critérios de desenvolvimento e progresso a todo custo? Critérios econômicos em detrimento dos critérios políticos? Ou critérios simplesmente humanos? A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que me faço feliz.

* Queiramos ou não, as cidades são o nosso lugar de descanso, onde criamos os nossos filhos e netos, onde plantamos e colhemos nosso alimento, onde respiramos o calor e ar de que necessitamos. O mínimo que se exige de uma cidade é que todos, absolutamente todos, tenham um travesseiro para colocar a cabeça. Nesse sentido, uma cidade deve ser um grande conjunto habitacional, ou um grande condomínio. O ser humano não pode viver seu lugar, sem um teto, sem um endereço. Ainda há carência de casas, mas a minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que me deixo ficar.

* A cidade é, sim, um complexo de variáveis, que nascem da utopia até a simples feitura de chinelo, de uma roupa. Nesse sentido, cada cidade é única. Não deve haver nenhuma cidade igual à outra, já que também não há um homem ou uma mulher igual a outro ou outra. A cidade, então, é a sua, a minha, a nossa impressão digital. A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que crio as minhas ideias.

* Uma cidade é o guarda-chuva que nos protege do sol e da chuva. Planejar uma cidade é pensar o tempo todo nas pessoas e em todas as suas necessidades. Nesse sentido, uma cidade deveria ser uma grande família, em que todos e cada um tem uma função e ou missão, sob aos ditames da solidariedade, do companheirismo, da sinergia. A construção de uma cidade está colada, unida, inseparável da noção de uma nova humanidade, de uma nova sociedade, com novos homens e novas mulheres. A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que me encanto pela vida.

* A realidade é construída a partir de uma ideia, de um censo comum, de um bem comum. A cidade não foi construída para mim, ou só para mim. Daí a importância de um planejamento para se saber como será o futuro. O acaso não pode dominar nossos propósitos e ações. Então, primeiramente devemos saber o que queremos, depois como se faz o que queremos – esse é a obrigação dos políticos. As pessoas decidem o que querem e os políticos têm de saber como fazer os que as pessoas querem. A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que vou ficar até meus últimos dias.

* Para todos os urbanistas, uma cidade é um organismo funcional que produz alegria e prazer, encantamento e o desejo de ser, de ser-mais, de ser-melhor. Uma cidade é um grande condomínio, habitado por pessoas diferentes e com necessidades próprias. E todas têm de se sentir bem. Assim, uma cidade tem a dimensão antropológica e ecológica. O cidadão é que as condições ambientais do espaço da cidade. Nesse sentido, é fundamental ouvir os cidadãos, para a sobrevivência da própria cidade. A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque foi aqui que nasceram meus três filhos.

* Administrar uma cidade tem essas múltiplas facetas, porque também são necessários diferentes ambientes para as pessoas, porque também há diversas realidades urbanas numa mesma cidade. O diálogo e a cooperação são importantes para um fazer político. É preciso perceber a cidade dentro de uma perspectiva política, econômica, geográfica, histórica, artística, memorialista, social. Uma cidade não é um conjunto de bairros, ruas, avenidas e praças. É mais do isso, é a morada de gente. A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque foi aqui que aprendi a ser professor.

* A cidade é a expressão da coletividade, porque traduz a memória coletiva protegida pelo poder público. O artigo 182 de nossa Constituição nos ensina: “A política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder público municipal tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes”. Em 10 de julho de 2001, foi criado o Estatuto da Cidade. Acredito que todos deveriam decorar esse estatuto, deveria ser livro de cabeceira de todos os cidadãos. A minha cidade é a melhor cidade do mundo, porque é aqui que me encontro com os melhores amigos.

* E quais são os critérios essenciais para a construção de uma cidade ideal, conforme o Estatuto? Claro, tudo tem de trazer bem-estar para todos e para cada um. Bem-estar, aqui, significa qualidade de vida. Uma cidade ideal, pelas prioridades do estatuto, de ter: EDUCAÇÃO de qualidade que se traduz em consciência política, em escolha de seus governantes, na busca de direitos; EMPREGO de qualidade que se traduz em qualificação profissional, na criação de condições favoráveis de empregabilidade; SAÚDE de qualidade que se traduz em recursos para as etapas do atendimento de paciente, em rapidez no atendimento, em educação preventiva, em saneamento básico; SEGURANÇA de qualidade que se traduz em programas de inclusão, de reeducação; MORADIA de qualidade que se traduz em condições dignas em condições sanitárias adequadas; MOBILIDADE URBANA que se traduz em ganhar tempo no trânsito para poder programar o tempo de sair e voltar para casa... A minha cidade é a melhor cidade do mundo porque foi aqui que encontrei meu grande amor.

* Que bom seria se a cidade inteira estivesse preocupada com a solidariedade e educação – caminhos inteligentes para um povo inteligente. Vivemos momentos importantes para a construção de um futuro e desenvolvimento sustentável que abrange as dimensões social, ambiental, ética. A minha cidade é a melhor cidade do mundo porque é aqui que sou.