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Em Questão

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Décio Bragança 21/08/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

RAZÃO DE VIVER - A prática de esportes, os lugares de lazer e entretenimento, os cursos de línguas estrangeiras, as oficinas de arte e de cultura, corais e bandas, fanfarras e orquestras, teatro e artesanato, a criação de hortas e pomares e jardins coletivos, a fabricação de pequenos objetos e doces e salgados, a criação de empresas-júnior, geridas pelas próprias crianças e adolescentes, discussões e debates promovidos pelos grêmios escolares – espaços que já foram realidade e, hoje, não mais existem – são caminhos seguros na formação do caráter e consciência social.

 

SONO PRECOCE - Para tanto, exige-se transparência, clareza de propósitos dos políticos – coisa rara. Muitos preferem a construção de cadeias e penitenciárias. Há muito mais cobrança e responsabilidade dos jovens do que lhes é oferecido. Estamos mais intolerantes com todos e com muito mais desejo de punir, de castigar. Não estamos cuidando de nossas crianças! Se tudo estivesse correndo bem, não seria preciso o instituto do ECA, da criação dos Conselhos Tutelares e tantas leis protetoras desses seres humanos, jogados à própria sorte.

 

RELÓGIO PARADO - Muitas mulheres têm lutado para denunciar e exigir o fim da opressão, da violência, do egoísmo machista, do trabalho com remuneração diferenciada entre homens e mulheres, da exploração pela mídia do corpo da mulher, da dupla jornada de trabalho, da responsabilização da mulher no cuidado da saúde e educação dos filhos.

 

GOTAS GERMINATIVAS - A diversidade e a heterogeneidade são virtudes, porque podem se tornar fontes de crescimento e desenvolvimento, tanto no sentido individual e coletivo. A diversidade e a heterogeneidade são riquezas de que poucos países podem se orgulhar. Estamos aqui, no Brasil, de construir um modelo de tolerância, já que praticamente, no mundo inteiro, estão sendo criados muros, cercas contra a imigração.

 

OLHOS RASOS D’ÁGUA - Foi feito um levantamento preliminar pelo IBGE sobre a imigração no Brasil. Foram até agora encontradas pessoas de 88 países diferentes. Que glória! Com a mais absoluta certeza, o paraíso onde reina a possível igualdade, liberdade, solidariedade, justiça e paz, é aqui. Temos condições, sim, de criar esse mundo. “Outro mundo é possível!” A nossa história, nesse sentido, é admirável. Precisamos, sim, de alguns acertos de caráter e personalidade.

 

VELAS CARNAIS - No fundo, a opressão e a corrupção ainda existentes aqui são frutos da exploração imposta desde o nascimento do capitalismo – lucro, competência, sucesso, fama, riquezas, poder. E em nome desses princípios nascem a intolerância, o racismo, a xenofobia, a homofobia, o sexismo, o trabalho mal remunerado e exploratório, a misoginia, o assistencialismo, o trabalho infantil, a pobreza, a miséria, a violência desmedida, a exclusão.

 

NAUFRÁGIO ONIPRESENTE - Não é esse mundo que queremos! A nossa própria Constituição – que maravilha! – nos garante que todos somos iguais e por isso todos temos direitos – artigo 5º - à saúde, à educação, a um emprego digno, a uma morada adequada, à justiça, a uma alimentação saudável, à segurança, a um ambiente saudável, à propriedade... “Outro mundo é possível” nos garante a nossa Carta Magna.

 

IMAGENS TRAUMATIZADAS - Nada justifica, sob o ponto de vista moral e jurídico, a discriminação. O Brasil, felizmente, ainda conserva, em alguns lugares, os costumes, as religiões, as tradições africanas, indígenas e de seus países de origens – sempre em situação de igualdade, sem perigo à integridade física e psicológica. Isso não significa que em todos os lugares seja assim, mas já caminhamos bem. Liberdade significa também estar protegido de qualquer tipo de violência.

 

SUSSURRO DE VOZES - Mesmo que o mundo insista em fazer de tudo uma mercadoria – objeto de mercado – temos de resistir bravamente contra a coisificação do homem. Ninguém pertence a ninguém, mas todos se pertencem – garantia da liberdade coletiva e individual. Somos seres interdependentes e por isso gostamos da partilha, da solidariedade, do companheirismo – garantia de paz.

 

FECHADURAS IMPOSTAS - No próximo outubro, eleições para prefeitos e vereadores, no Brasil inteiro. Eleições são momentos de exigir mudanças, transformações, mudar os rumos de uma cidade, de um estado, de um país, criar condições dignas de vida e promoção do bem comum. Uma eleição é a possibilidade de ver a cidade com mais vida, com mais oportunidades para todos, com a visão de um futuro melhor.

 

INSTANTES PRESENCIADOS - Os gregos antigos já entendiam perfeitamente que o homem é um animal social, político – participante da vida da pólis. Participar, aqui, traz o sentido de escolher com liberdade e responsabilidade seus governantes, para o bem-estar de todos e de cada um. Participar também traz a conotação de controlar seus governantes do executivo, legislativo e judiciário. E para que controlar? Sabemos que é muito fácil destruir, arruinar, desgraçar uma nação, um povo, como nos ensinou Mahatma Ghandi.

 

TRANSPARÊNCIAS PINTADAS - Construir uma nação é uma tarefa secular e de todos. A política – as ideias – vai à frente, abrindo caminhos, horizontes, buscando a utopia, prenha de princípios e valores. Há em todo mundo, porque querem que a Economia seja fim, uma intenção clara de desmoralizar a política e seus políticos. “Nenhum presta!” Os marqueteiros sempre estarão a serviço da economia, usando métodos de condicionamentos, de lavagem cerebral, nunca usados com tanta maestria e competência. É a ditadura econômica tão ou mais perigosa do que a política.

 

LABIRINTO IRREVERSÍVEL - Vivemos momentos terríveis de busca desesperada de riquezas e poder, fama e sucesso, lucro e produtividade, prazer e vantagens pessoais, porque tudo, absolutamente tudo virou mercadoria. Tudo tem um preço. Até a dignidade, a justiça, o amor, a ciência, a transcendência, a fé, de acordo com as leis do mercado – oferta e procura. As eleições, nesse sentido, são uma oportunidade de renovação e transformação, de rebeldia e revolução, conversão e libertação.

 

DESENCONTRO INESPERADO - A sociedade não suporta tanta corrupção e grupos corporativos e uso do poder econômico e mensalões e caixa-dois e jogos de interesses e intenções, em busca de uma governabilidade e ou governança, ou ainda a manutenção do poder político nas mãos de apenas um grupo. Todos dizem que voto não preço, mas tem consequências para cada um de nós e para a cidade. O interessante das eleições é que quem perde – alguém tem de perder – tem a obrigação de ficar calado, não dar mais palpite, não participar de nenhum cargo de quem se tornou vitorioso, voltar para a ostra na espera das próximas; e que quem ganha – alguém tem de ganhar – se arroga, dá para si mesmo todos os poderes. Um adversário não é inimigo.