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Em Questão

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Décio Bragança 02/10/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

EU VOTO E VOCÊ SE ELEGE - Dialogar com os outros é o jeito de melhorar nosso país. Muitas pessoas estarão indignadas por vários motivos. O povo não pode reduzir a política às eleições. Além das eleições, há várias maneiras para colaborarmos na construção de uma nova cidade, de um novo estado, de um novo Brasil. Há muitos movimentos sociais, há muitas pessoas necessitadas esperam a nossa participação. Política é lutar o tempo todo, não só nos momentos de eleição, para o bem do povo especialmente dos excluídos. Em essência, político é um servidor público, é um empregado do povo.

 

TU VOTAS E VOCÊ SE ELEGE - Muitas vezes damos dinheiro a muitas instituições sociais (asilos, orfanatos, casa de recuperação de drogas, sanatórios, hospitais...) para ficarmos livres dos problemas dos “nossos” irmãos. Damos dinheiro para salvar as nossas almas, para não irmos para o inferno, para não ter responsabilidade dom o cuidado do outro. Alguns chegam a fazer de “suas” instituições um grande negócio, como o fazem muitos pastores, sacerdotes e padres com suas religiões. Infelizmente tudo está virando mercadoria e por isso tudo pode criado com um grande negócio. Claro, dinheiro é necessário para a manutenção desses “divinos” propósitos. A filantropia é, sim, uma organização do amor, com amor, para o amor, porque é um espaço de inclusão de todos e de cada um no contexto social. Ninguém pode ficar de fora. O mundo é de todos e para todos. Talvez, isso seja o grande desafio da humanidade.

 

ELE VOTA E VOCÊ SE ELEGE - Os investimentos estatais maciços devem ser feitos para que muitas dessas instituições não mais existam – isso é construção de um mundo melhor. Mas, quem deseja realmente um mundo novo e melhor? O número dessas instituições e de ONG’s tem aumentado consideravelmente. Afinal, para que construir tantos hospitais? Não seria melhor e mais interessante investimentos na saúde das pessoas (alimentação, água tratada, saneamento básico, suplementos alimentares e nutricionais...)? Será mesmo que queremos um mundo novo e melhor?

 

ELA VOTA E VOCÊ SE ELEGE - Para que tantas creches e abrigos para menores? Não seria melhor e mais interessante o aumento de salários para o pai e para mãe ou ainda para algum cuidador responsável pela criança? Para que tantas ONG’s com o objetivo ambiental? A impressão de todos nós é que não há uma preocupação do governo com a questão ambiental. Em nome do progresso, tudo é permitido, até derrubar árvores, eliminar animais, matar a vida, no seu sentido mais amplo. O fato é que estamos desertificando o planeta.

 

NÓS VOTAMOS E VOCÊ SE ELEGE - A verdade é que estamos cuidando muito pouco do planeta, dos seus seres vivos e não vivos, dos seus seres humanos e também de nós mesmos. Nós nos olhamos raramente. Olhar, aqui, significa levar em consideração o outro e nós mesmos. Por isso, fazemos julgamentos errados dos outros e de nós mesmos.  Exemplificando: muitos se julgam feios e se deprimem por isso ou com isso. Mas quem deve dizer se sou feio ou não? Claro, o outro. Sempre o outro. O que tenho de anormal? De diferente? De incomum? O que os outros têm que não tenho?

 

VÓS VOTAIS E VOCÊ SE ELEGE - As aparências enganam. Mesmo sabendo disso, se colocarmos duas pessoas como suspeitas de um crime, fatalmente escolheremos aquele que não nos agrada. Entre um negro e um branco, quem escolheríamos? Entre um rico e um pobre, quem escolheríamos? Entre um ateu e um cristão, quem escolheríamos? Entre um casado e um gay, quem escolheríamos? Entre um doutor e um analfabeto, quem escolheríamos? Num país cheio de preconceitos e desprezo pelos negros, a maioria escolheria o negro, haja vista o número de negros presos e condenados.

 

ELES VOTAM E VOCÊ SE ELEGE - Num país tradicionalmente cristão, considerado o maior país católico do mundo, a maioria escolheria o ateu com criminosos. Num país cultural e religiosamente, a maioria escolheria o gay como criminoso. Num país capitalista onde entendemos que o mundo é dos espertos, a maioria escolheria o pobre como criminoso, haja vista as penitenciárias superlotadas de pobres. Que rico é preso e condenado?

 

ELAS VOTAM E VOCÊ SE ELEGE - Imaginemos que a polícia tenha identificado o criminoso: branco, rico, cristão, casado, doutor de todas as ciências e saberes, muito bem vestido... Quanta decepção! A nossa cabeça e coração, porque aconteceu o que não imaginávamos que aconteceria, buscam explicações e justificativas, colocando até em dúvida a eficiência e competência da polícia. Lembram-se do crime da família Nardoni, do juiz Lalau, do pai e madrasta que mataram Barnardo, de Roger Abdelmassih, do menino que exterminou a família inteira, de Suzane von Richthofen... Tudo isso aconteceu, mas não deveria ter acontecido, pensamos. As aparências enganam. Como tratamos mal as pessoas e as coisas, da mesma maneira em relação ao nosso planeta e nosso mundo. A felicidade não está nas aparências. Beleza, opção sexual, posse de bens, escolaridade, religião, raça, cor de pele, roupas, sapatos... não significam bondade, verdade, encantamento, felicidade.

 

E VOCÊ NÃO NOS DÁ SATISFAÇÃO - Nós, seres humanos, somos pouco guiados e providos por paixões. Paixão, aqui, significa sonhos e ideais, utopia e ideias, dedicação e amor, garra e entusiasmo. Nesse sentido, nada podemos fazer sem essa paixão. Quanto maior a paixão, maior a obra – o que deve ser feito. Muitos estudiosos e pesquisadores do mercado e do marketing afirmam que só há dois tipos de pessoas: as que têm e as que nada têm. Imaginemos a seguinte situação: vamos a uma aldeia de índios, bem originais, num ambiente tropical em que não usam roupas para encobrirem as “suas” vergonhas, como dizem os moralistas. Somos vendedores de roupas. E que vamos fazer? Há, nesse caso, também dois tipos de vendedores: um desiste de vender roupas em respeito à tradição dos índios; outro acredita na grande possibilidade e chance de vender roupas, como nunca, e ficar rico.

 

E VOCÊ NÃO ESTÁ NEM AÍ - É assim mesmo, quem acredita na chance de ficar rico, contrata uma competente agência de publicidade para mostrar, demonstrar aos índios a importância e necessidade de se usarem roupas, os benefícios e status de se estar bem vestido. Alguns poucos vão resistir às tentações da oferta, mas a maioria vai adquirir, comprar roupas e mais roupas. A maioria foi enganada, sem dúvida. Viveram séculos e séculos sem roupas e viveriam outros tantos séculos sem roupas.

 

E VOCÊ NÃO NOS PRESTA CONTA DE NADA - É assim mesmo. Assim funciona com a venda de celulares, de automóveis, Ipod’s, televisores, alimentos industrializados, medicamentos, apartamentos, sapatos... e roupas. Conseguiríamos, hoje, viver sem celular? Claro. Não tínhamos celular e vivíamos sem ele durante séculos. A indústria e o comércio com seus marqueteiros nos fizeram entender a importância e a necessidade de um celular. Mas, afinal, qual é mesmo a sua importância? Qual é mesmo a nossa necessidade? A estratégica demoníaca, diabólica dos marqueteiros é fazer as pessoas se sentirem um nada, um zero à esquerda; se sentirem e se pensarem inúteis e frágeis, se entenderem erradas, sem identidade e força; viverem como se fossem ninguém e sem reconhecimento, caso não tenham aquele produto. No caso, um celular! “Comprar é ser feliz!” - “Comprar mais é ser mais feliz!”