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Em Questão

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Décio Bragança 09/10/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

A VIOLÊNCIA É UMA QUESTÃO DE PODER – No mundo da chamada Pós-modernidade criou-se a ideia de globalização. A ideia inicial era que houvesse uma globalização – por força de sua etimologia – total, integral, abrangente, universal, mundial, política e não só a globalização econômica. Globalização pressupõe alianças, acordos, convenções entre nações, organizações, instituições e movimentos culturais, regionais e sociais. Cada povo, cada nação, cada país, são entidades sociais, políticas, economicamente construídas com sangue, suor e lágrimas.

AS PESSOAS SE TORNAM VIOLENTAS QUANDO SE SENTEM IMPOTENTES -  Abrir mão de alguma coisa que foi construída não é uma tarefa fácil. A globalização propõe uma meta, um objetivo de integração dos povos, para todas as pessoas, independentemente de seus países, possam usufruir o progresso e desenvolvimento dos bens e das riquezas, dos conhecimentos e tecnologias, em clima de harmonia, liberdade, igualdade e, porque não dizer, de fraternidade. Para tanto, exige-se uma sociedade aberta, sem preconceitos e sem bairrismos.

AS DÚVIDAS SÃO MAIS CRUÉIS DO QUE AS DURAS VERDADES – Os países mais desenvolvidos têm interesses e intenções – políticas – diferentes dos países menos desenvolvidos – o que pode descaracterizar as culturas, as tradições, a identidade, a história de cada nação. Nesse sentido, os países menos desenvolvidos economicamente, como Grécia, Espanha, Portugal não foram atendidos como acreditavam que seriam. A Inglaterra – um dos países hegemônicos da Comunidade Europeia – fez um plebiscito para sair dessa corporação, já que também não queria abrir mão de continuar no topo. “Cada um por si”.

NO INVERNO PARECE FORMOSÍSSIMA A FLOR QUE NA PRIMAVERA DESPREZAMOS - O problema é que não foram bem definidos os critérios e os conceitos – uma escala de valores sociais e culturais. O que se viu foi apenas a abertura de mercados – o que por si só não caracteriza a globalização. Quando se fala em abertura de mercados, está-se falando de interferência mínima do Estado. Assim, a Política que é um fim passa a ser um meio. A Política passa a ser escrava da Economia – que deveria ser sempre e em todos os lugares um meio.

SOBRE A LAJE FRIA DIZ ADEUS À PRIMAVERA UMA ROSA MURCHA – O pensador e economista, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, em 2001, Joseph Stiglitz (1943...) afirma que a globalização não trouxe, nem traz, não trará benefício algum aos países pobres. Por isso, os ricos estão ficando cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Para alguns, essa foi a razão oculta, implícita, escondida a saída da Inglaterra que sempre, cultural e historicamente, quis ficar cada vez mais rica. “Quem ama, fica pobre” – “Quem divide fica pobre”.

EU PREFIRO O ERRO DO ENTUSIASMO À INDIFERENÇA DO BOM SENSO – O que se percebe é que há um interesse de homogeneização, por exemplo, da tecnologia, da política, da economia, da ciência, criando dependência econômica ainda maior. O que era para ser uma libertação, passa a ser uma nova maneira de escravidão, de servidão, já que alguns países são impedidos ou limitados de formular as próprias políticas sociais, econômicas, culturais.

A HONESTIDADE É ELOGIADA POR TODOS, MAS MORRE DE FRIO – Muitos países, hoje, estão mais dependentes, já que seus governos são apenas coadjuvantes, escravos, empregados obedientes e servis das instituições financeiras internacionais, como Banco Mundial, FMI. A título de informação, esse sistema faz questão de desmoralizar a todos os políticos de todos os países – via mídia – para que o povo seja parceiro de seus interesses e intenções. Passa-se a ideia de que a Economia é a salvação – única deusa que merece a nossa adoração.

GOTAS DE ÁGUA QUE SE ESFRIAM RAPIDAMENTE E CAEM SOB A FORMA DE  PEDRAS DE GELO – Infelizmente, continua aumentando a exclusão, a degradação das condições mínimas de trabalho, o desemprego, a exaustão dos recursos naturais, a destruição do ambiente, a discriminação de todas as formas e ordens, a rejeição da diversidade, o ódio e a intolerância. O pior de tudo é que é quase impossível resistir a isso. “Outro mundo é possível” – mote do FSM – também está caindo na descrença, na desconfiança, na desgraça.

CHUVA DE PEDRA – Para alguns, essa globalização também pode ser chamada de americanização, anglicanização, germanicalização, niponização – países que formam o G7. A isso também alguns chamam de Imperialismo que nos faz lembrar de ditadura, opressão, pensamento único, continuísmo, apesar das eleições. Assim, democracia não significa eleições. O resultado das eleições municipais prova, comprova isso. Estamos muito longe da democracia.

CAÇA FRIA – CORAÇÃO QUENTE – MÃO LARGA – Muitos “acham” que globalização é um termo novo, criado há bem pouco tempo. Se olharmos a história, percebemos que essa ideia permeou durante toda a história da humanidade. A hegemonia de alguns países sempre cria a ideia de dependência, colonialismo. Haja vista o Império Helênico, Egípcio, Otomano, Romano, Espanhol, Português... Isso para dizer que a ideia de globalização vai além do simples espaço geográfico. As colônias são extensão espacial de um poder central, de um poder ideológico. Vale dizer, então, que essa ideia vem sempre junto, acompanhada de obediência, submissão, subserviência, servidão, escravidão.

PRECIPITAÇÃO DE PEDAÇOS IRREGULARES DE GELO – Um dos maiores estudiosos, pesquisadores, cientistas, professores do mundo foi o nosso Milton Santos (1926 – 2001), escritor de “Por uma outra globalização” – muito além da econômica – afirma categoricamente que os conflitos sociais são provenientes do capitalismo em expansão. Não se trata de ser contra ou a favor do capitalismo. O problema é que estamos vivendo o capitalismo do mercado – lei da oferta e da procura – a mais perversa forma de capitalismo, porque tudo, absolutamente tudo, vira mercadoria: honestidade, justiça, voto, eleição, oportunidades...

CHUVA DE GRANIZO – Entender o ser humano como mercadoria é a pior de todas as formas de exclusão, de discriminação, de abandono, de descaso, de maldade. Importa o lucro, a fama, o sucesso, o acúmulo de bens e de riquezas, porque tudo isso se resume ou compõe a ideia de poder, de poder absoluto. “Quem tem, manda; quem não tem, obedece” – “Obedece quem tem juízo” – “É preferível pingar a secar”...