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Em Questão

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Décio Bragança 16/10/2016
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

TEACHER – Herbert Marshall McLuhan (1911 – 1980) já havia previsto que chegaríamos a viver numa “Aldeia Global” onde, com as novas tecnologias de informação e comunicação, teríamos mais facilidade e rapidez de nos encontrarmos, porque todos nós teríamos os mesmos desejos, os mesmos sonhos. Em outras palavras, viveríamos vigiados por um Grande Irmão que decide por nós, ama por nós, odeia por nós, faz tudo por nós. Que loucura!

 

PROFESSOR – A partir daí, criou-se um novo conceito de felicidade: consumir, consumir, consumir muito, consumir mais para ser mais feliz, para ser muito feliz. A isso podemos chamar de Padrão de Comportamento. Quem anda fora desses trilhos, estará excluído. Por isso, diariamente recebemos ofertas e ofertas de produtos que invadem as nossas casas. É como se o mundo e as coisas do mundo estivessem dentro de nossa casa. E assim essa ideia de mercado globalizado vai nos devorando, vai nos consumindo, vai nos escravizando sem que tenhamos noção disso.

 

PROFESSEUR – Vivemos como se o mundo fosse único. Nossas diferenças, tradições, culturas são anuladas para dar lugar a uma homogeneização de desejos, uniformização de ações.

 

PROFESSORE – A verdade é que as grandes corporações dominam os Estados do mundo. Isso só para reafirmar que a política é serva da Economia. Quem manda é a economia. Quem manda são as corporações. Nesse sentido, Brasília não é a capital do Brasil. A capital do Brasil são as várias Bolsas de Valores do mundo inteiro. Tudo isso vem produzindo fome e miséria, fugas em massa e mortalidade infantil, doenças cada vez mais “brabas”.

 

PROFESÔR – Quão seria que a globalização preocupasse mais com os problemas sociais e políticos e menos com os problemas e soluções econômicas. Há uma perspectiva que o “novo” governo brasileiro, preocupado apenas com os problemas econômicos, acabe com alguns projetos e políticas públicas, consideradas pelos “atuais” economistas como assistencialistas. Daí surge também a ideia perversa de meritocracia, escola sem partido, reforma trabalhista, reforma da previdência...

 

MASTER – Milton Campos não contesta a ideia de globalização – fato histórico consumado – mas propõe novos arranjos internacionais. As regiões metropolitanas têm uma cidade-sol rodeada de cidades-planetas. A cidade-sol gerencia, orienta, ilumina, aquece, traça rumos e caminhos para cada cidade-planeta. Cada planeta é único, diferente.

 

MAESTRO – Ninguém duvida do poder do dinheiro e da informação. Isso faz com que esqueçamos o que seja solidariedade e cooperação, colaboração e sinergia, ajuda mútua e bem público. Minha preocupação e preocupação de muitos é que a noção de Estado Mínimo possa acelerar o descaso e desprezo pelas pessoas, produzindo o isolamento, trazendo a solidão. “Nasci só, vivo só e morro só”.

 

MAÎTRE – Tudo que é humano deve ser construído coletivamente. “Sou para mim e sou para os outros”. Daí nasce a ideia de cooperação e solidariedade, de cumplicidade e respeito às diferenças, de partilha e compartilhamento. Não se pode falar em globalização sem esses conceitos e ideias. Caso contrário, não tem valor e significado a globalização.

 

DOMINUS – Construir consensos, solucionar conflitos, expandir ideias, colaborar sem comandar são os caminhos necessários para a construção de um novo sentido de globalização – é uma questão de confiança. Se individualmente não confiamos uns nos outros, também coletiva e socialmente não confiamos uns nos outros. Em outras palavras, os países não confiam uns nos outros. Não pode haver cooperação, integração, sem confiança. Globalização, nesse sentido, significa consciência coletiva.

 

HERRE – A união das pessoas – seus problemas e sentimentos – é o que importa. “Importa saber o que importa!” Por isso, há de haver um esforço coletivo, solidário para o desenvolvimento de todas as pessoas e de cada uma. “Enquanto existir uma pessoa passando fome, não dá para ser feliz” nos ensinou Dom Helder Câmara (1909 – 1999). Nesse sentido, globalização é um sonho, um ideal, uma revolução, uma utopia. “Outro mundo é possível” – “Outra humanidade é possível”.

 

USTA – É preciso desde já começarmos a pensar na descentralização dos poderes ou do poder, como numa cooperativa que não tem dono, porque dono são os cooperados. Isso significa sinergia. Pensamos também em parcerias, impulsionando e criando condições de empregabilidade, de distribuição de renda e riquezas e bens, de extinção da pobreza e da miséria, de acesso aos direitos fundamentais como educação e saúde. As pessoas têm necessidades e desejos – o que tem de ser levado em conta – mas os políticos se esquecem disso.

 

MISTRZ – Unicidade na multiplicidade ou a multiplicidade na unicidade – fim último da globalização. A singularidade na pluralidade ou a pluralidade na singularidade – fim último da mundialização. Nenhum país deve perder sua identidade e características e especificidades, mas todos têm de buscar a união, a harmonia ou simplesmente repetir os ideais franceses: Igualdade – Fraternidade – Liberdade,

 

MAGISTER – Há alguma contradição semântica entre globalização e capitalismo. O capitalismo, teórica e praticamente, tem a necessidade diminuir custos de produção, porque visa ao lucro, ao sucesso do empreendimento, à fama, ao acúmulo de bens, buscando eficácia e eficiência, criando critérios de competência e competição, tendo a produtividade máxima como limite. Por isso propõe, hoje, a derrubada de fronteiras nacionais.