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Décio Bragança 04/08/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
A alegria faz parte do processo da busca

Estamos no início de um novo semestre escolar e eu, como professor há vários anos, não poderia deixar de escrever e pensar sobre educação. Em sala de aula, o esquema, dito científico de comunicação: emissor – receptor – código – canais – mensagens, se repete e vai se repetindo em todas as situações da escola: Professor é o emissor, codificador, cheio de intenções e o estudante é o receptor, decodificador, cheio de interesses. Os programas e os conteúdos, chamados hoje de componentes curriculares, são consistentes com a missão e objetivos da instituição. O estudante tem preocupação e interesse de saber como se organiza a escola em que estuda? 

Ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura
O objeto deste estudo não é a escola, em si mesma, nem vista em sua complexidade e amplitude, mas fixar-se na sala de aula, na relação professor/estudante – uma das partes que compõem o todo da escola. No levantamento dos problemas de sala de aula, listamos os seguintes: Professor – Estudantes - Planos de ensino - Programas de ensino - Estratégias para aprendizagem - Processo de avaliação.

Ensinar é criar possibilidades de produção e construção do conhecimento
Em sala de aula, o professor é o emissor, o editor, a fonte. De maneira geral, pode afirmar-se que os professores são pessoas de boa vontade e autodidatas. Para excelência do ensino, não basta boa vontade e autodidatismo. É preciso uma visão mais ampla do que seja: Educação – Escola - Missão da escola - Plano de desenvolvimento docente institucional - Políticas institucionais - Plano geral do curso – perfil profissional, integração das disciplinas e dos conteúdos, linhas de ação – Didática – Cultura. 

Educação existe para transformar a sociedade
O esquema pedagógico tradicional, em sala de aula, ainda vigente, não foge ao modelo de um professor que dá aulas, faz preleção, ministra uma palestra, propaga um discurso e os estudantes, passivamente, ouvem, recebem aulas, memorizam as ideias divulgadas na conferência feita pelo professor. Assim, todas as atividades dependem exclusivamente do professor e os estudantes competem entre eles por notas – resultado da memória e do comportamento compatível com as regras e normas ditadas pelo professor. 

Educar é dar sentido ao que fazemos
Aos estudantes nenhuma parcela do poder. Aqui, é bom nos lembrar das necessidades básicas dos estudantes: amor, poder, alegria e liberdade. Toda atividade educativa tem de ser compartilhada – a que muitos chamam de conhecimento socializado. A atividade educativa depende muito dos próprios estudantes, de sua criatividade e motivação e interesses.

Educação é uma teoria colocada em prática
Uma das tarefas mais importantes do professor é orientar os seus alunos, para que eles mesmos percebam a ligação entre a atividade proposta e o que eles consideram valioso, necessário. Outra tarefa do professor é selecionar e estruturar as atividades educativas, relacionando-as com algo útil e que também seja gratificante aos estudantes. Cada atividade tem de ser avaliada e a definição dos critérios de avaliação tem de ser consentida pelos estudantes, visando sempre à elevação da qualidade do ensino.

Não há vida sem mudança
A falta dessas e outras informações pode criar tipos de professores indesejáveis, como: professor desanimado - professor saudosista - professor critiqueiro - professor alienado - professor policial - professor sem-mais - professor celetista - professor sonhador - professor bico - professor leigo - professor idealizador - professor terrorista - professor autoritário.

Não há vida sem educação
Nesses últimos trinta anos, a experiência demonstra que as tentativas de se mudar o ensino, por baixo ou por cima, não têm sido eficazes, principalmente, porque não influenciam, de verdade, nas práticas educativas e pedagógicas. A gestão educativa só possui poderes indiretos sobre o terreno “pedagógico”, já que essa gestão depende de intermediários obscuros e inertes: “inspetores, diretores, supervisores, especialistas, coordenadores, catedráticos de disciplinas” que definem e impõem os métodos e os conteúdos do ensino-aprendizado.

Não há educação sem gente
As novas pedagogias e abordagens são fortemente dependentes do contexto e do ambiente. São aplicadas como peças soltas, ao arbítrio do beneficiário, sem o real questionamento, nem reorganização plena dos processos e procedimentos envolvidos no problema.No entanto, a principal fonte de fracasso das mudanças desejadas está na resistência que os professores manifestam diante de qualquer transformação de suas práticas. Isso não necessariamente por más ou boas intenções, motivações ou razões.

O professor não tem medo de ser amoroso e amar tanta gente
A transformação das práticas educativas, em grande escala, tanto dos gestores quanto das pessoas de base, ficam subordinadas às reações da massa crítica dos professores. De fato, a eficácia, a efetividade e a sorte das inovações educativas são dependentes do que os professores sentem, pensam e fazem dela, porque são eles que praticam com os estudantesas concepções educativas, os métodos e conteúdos no dia a dia das situações de ensino-aprendizado.