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Décio Bragança 11/08/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Ser é provocar

Histórica e culturalmente, desde a educação infantil até a educação universitária, por razões e até sem razão, os estudantes e os professores vão se tornando adversários uns dos outros. É verdade que os professores, em geral, coagem os estudantes, quando não fazem exatamente o que lhes foi mandado fazer. Nessa luta, não há educação. Quanto maior a resistência dos estudantes, menor o aprendizagem. Quando maior a coação dos professores, menor o ensino. Isso mostra, infelizmente, uma luta de poder na qual absolutamente todos perdem. “Somos amigos até que a nota nos separe!” Em educação, os esforços de todos convergem para o mesmo propósito. Daí, é importante que a administração da escola seja uma gestão por liderança.

Ser é instigar
A decisão de uma administração por liderança influencia todo o processo, já que todos aspiram “o mesmo ar” que transversa a todos. Em outras palavras, um vai “descontando” no outro, numa cadeia de poder. O diretor coage e intimida os supervisores  de cursos e de séries; os supervisores de cursos, os coordenadores; os coordenadores, os professores, os estudantes e os estudantes colam, enganam os professores. O contrário também é verdadeiro: o diretor administra sem coação e sem medo, compartilha e partilha o poder com os diretores e assim por diante. O resultado é a eficiência, a eficácia e a efetividade. Em relação aos estudantes é que eles vão se tornando cada vez mais responsáveis por sua própria educação. O resultado ou o sucesso da educação depende muito da cooperação dos estudantes. Os estudantes estarão dispostos a cooperar quando perceberem ou verificarem que haverá algum benefício para eles.

Ser é interrogar
William Glasser, em seu livro “Escola de Qualidade”, publicado em 1990, destaca que todas as pessoas são sempre motivadas por cinco necessidades básicas de sua espécie: sobrevivência, amor, poder, alegria/humor e liberdade. Algumas dessas necessidades, sabemos, passam por fora dos limites da sala de aula, da escola. Nesse sentido, a escola não pode resolver todos os problemas da sociedade. Não lhe é permitido ultrapassar os limites, para não assumir todas as responsabilidades!

Ser é conviver
Experiências recentes demonstraram que a utilização de computadores por alunos/aprendizes e professores em 100% do tempo “real”, escolar ou não, produz efeitos destacados. O propósito é transformar essas pessoas em comunidade de aprendizes. A sala-de-aula tradicional torna-se um qualquer lugar, um  qualquer tempo. O aprendizado é interativo entre alunos-alunos-professores.

Ser é aprender
A escola precisa elaborar e formular um projeto pedagógico com a participação de toda a comunidade escolar. Isso não significa uma organização máxima, mas, pelo contrário, tem de ser pautada sempre por uma organização mínima e necessária. A partir do projeto, constroem-se as atividades educativas, a partir das expectativas e desejos dos estudantes, preparando-os para a convivência social e para o mundo do trabalho, sim, alicerçado em princípios selecionados, eleitos e consentidos por todos. É preciso incorporar nas atividades principalmente os conteúdos atualizados e flexíveis de modo a permitir o acompanhamento das mudanças históricas, sociais e culturais da sociedade. 

Ser é fazer
Essas experiências são pistas de que o conceito de ensino, de aprendizado, de conteúdos, métodos, estratégias, do papel do professor, da noção de tempo-espaço da escola demandam contínua e crítica transformação. É preciso estabelecer com exatidão, clareza e objetividade aquilo que os professores e os estudantes desejam da escola e o que a escola deseja dos seus professores e dos seus estudantes. Esta tarefa não é obra de uma só pessoa, mas uma articulação dos desejos e das vontades de todos que desejam ensinar e aprender. Tudo isso é um jogo de interações participativas.

Ser é construir
No Brasil, a tradição é ministrar ensino passivo. Da pré-escola à Universidade, o ensino é centrado no professor, nas competências presumidas dele, transmitindo “ensino-conteúdo” aos receptivos estudantes. A preponderância é a transferência-transmissão de enormes volumes de dados ou informações. Outras experiências e práticas revelam que o ensino-aprendizado através de estratégias que procurem sempre fazer vivenciar em grupo a “comunidade de ensino-aprendizado” mostram-se consistentemente mais eficazes e efetivas e eficientes.

Ser é transformar
Definida, eleita e consentida a missão da escola, não se permitindo desvios dos objetivos, buscam-se as estratégias que facilitam o atingimento dos objetivos e uma caminhada tranquila, lúcida, rumo ao futuro que poderá ser bem diferente do hoje-presente. Em outras palavras, o processo de aprendizado deve ser sempre facilitado para não criar situações embaraçosas, ou barreiras intransponíveis, ou rupturas bruscas, ou consequências indesejáveis e até custosas. 

Ser é causar
As organizações mínimas de aprendizado, que aprendem, requerem facilidades mínimas de infraestrutura. Basicamente, bibliotecas e laboratórios, estes no sentido de significar um lugar onde se labora, se trabalha, se estuda, se aprende. Os objetivos significativos, visando à formação genérica do estudante em qualquer área do conhecimento e saber, consistem em que o aluno desenvolva competências que abrangem: aprender habilidades de resolver problemas; aprender filosofias, línguas, artes, histórias e matemáticas; aprender habilidades de localizar, analisar e sintetizar informações; aprender a ser e a conviver em sociedade.