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Décio Bragança 22/09/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Arar

O sistema financeiro tem por princípio acumular o máximo de bens, de benefícios, de riquezas num tempo cada vez menor. É uma ilusão estúpida ou uma estupidez ilusória qualquer um de nós imaginar que os “donos do mundo” um dia vão pensar no planeta e nos habitantes, homens, animais e vegetais. Observemos o consumo de energia. A economia, ou as economias, forçam os governos a expandir a rede produtora de energia, independentemente se, por exemplo, a construção de uma hidrelétrica prejudica ou não o meio ambiente, se a construção de uma usina nuclear é segura ou não, se o petróleo um dia chegará à exaustão ou não.

Adubar
 Está na hora, ainda é tempo, de investir em pesquisas na produção de energias renováveis, não fósseis. Muitos países europeus, principalmente a Alemanha, buscam alternativas de energia, como a solar, a eólica, a térmica, a geotérmica. A verdade é que os recursos naturais do planeta se esgotam. Alguns dizem que os momentos de crises podem ser transformados em momentos de oportunidades de mudança de rumo, em todos os setores, graus e níveis. A título de exemplificação, na Alemanha, hoje, 20% de consumo de sua energia vêm de fontes renováveis, com um crescimento de mais de 1% ao ano. Além disso, houve uma diminuição considerável na emissão de gases causadores do efeito-estufa. 

Aguar
Os governos se movem pouco na busca de soluções. Quem deve comprar energia “limpa”? O fato é que o mundo não pode ficar refém da dependência energia fóssil ou nuclear, que está nas mãos de alguns pouquíssimos – senhores do mundo. A produção de energia renovável, por exemplo, do etanol no Brasil, não será a oportunidade de mais empregos? E a produção do biodiesel? Pequenos produtos não poderiam ter a chance de plantar e vender plantas oleaginosas? Por que não investir em novas tecnologias? Na produtividade? Não seria uma maneira de fixar os homens no campo, diminuindo a migração, o êxodo? Talvez, o Brasil, por causa da grande extensão territorial e não tão densamente habitado, seja o único país com perfeitas condições para isso. Seriam novas frentes de trabalho na indústria (fabricação de geradores...), no comércio desses mesmos geradores de energia.

Germinar
 É hora de pensarmos em soluções para substituir fontes de energia que não emitem o CO2. Chega de CO2! Estamos maltratando a nossa “Mãe-Terra”. Sempre quando falo ou escrevo sobre questões ambientais, lembro-me da carta do índio de Seattle, escrita ao presidente norte-americano. (procurem-na na Internet – vale a pena!). Pesquisamos, hoje, como modificar geneticamente os produtos, mas continuamos, por exemplo, a usar fortíssimos agrotóxicos, insumos agrícolas, no setor do agronegócio – também dominado pelos “donos do mundo”. Por que não se incentiva a produção “dita” orgânica de alimentos, de verduras e de carnes, subsidiando quem assim o fizesse? Claro, para tanto será preciso uma nova maneira de ver os homens e as “coisas” dos homens!

Crescer
 Para tanto, será preciso entendermos o que seja, por exemplo desenvolvimento, que é diferente de crescimento. E mais: que desenvolvimento queremos? Quem se beneficiaria dele? A quem prejudicaria? A crise histórica de 1929 e a 2008 não nos deixaram bons ensinamentos. Perdemos a chance de aprender. As duas crises produzidas pela mesma economia de mercados. E também praticamente as consequências foram as mesmas: desemprego, aumento da violência, aumento das desigualdades sociais, aumento da pobreza, da miséria e das doenças. Fala-se em, hoje, um bilhão de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no mundo. Os senhores do capital especulativo não se abalaram, continuaram no mesmo caminho. Será preciso uma terceira crise mundial?

Florescer
O problema é ainda de uma re-educação, de um jeito novo de ver as coisas: produzimos não o essencial, mas o supérfluo; compramos não o essencial, mas o desnecessário. Será mesmo que precisamos de Coca-cola? De celulares? De automóveis? De tantos shoppings? Será que haverá um esgotamento dos recursos da Terra? Sabemos que o Brasil é ainda um país privilegiado, bonito por natureza e abençoado por Deus. Nossas riquezas minerais, vegetais, animais são indesejáveis e invejadas no mundo inteiro, por todas as nações. A maioria de nossas terras são agricultáveis, com poucos acidentes geológicos. E muitos jovens estão ávidos por trabalho. Temos quase 15% da água potável – água doce – do mundo. Moramos num país tropical, com o sol nos iluminando. O que mais nos falta? Talvez, nos faltam homens de bom senso, de bons políticos e de boas ideias.

Frutificar
 As necessidades humanas é que devem mover o que podemos chamar de desenvolvimento, de bem estar, de bem ser. Mais do que a economia nos trilhos, precisamos de vida, de melhorar as condições de vida (alimentação, habitação, saúde, educação, vestuário, transporte, lazer, segurança, saneamento, água encanada, luz elétrica...). A produção é um meio para preservar a vida e nunca poderá ser um fim em si. Desenvolvimento que não se preocupa com as pessoas e a vida dessas pessoas é crescimento simplesmente. Não precisamos de crescimento, precisamos de desenvolvimento, que incentive as potencialidades e possibilidades das pessoas. O mundo, mais do que o Brasil, sofre um processo de aceleração dos desequilíbrios climáticos (muitas enchentes, desmoronamentos, desbarrancamentos...), de aquecimento do planeta, de desmatamento indiscriminado, de extinção de muitas espécies vegetais e animais...

Re-arar
As consequências dessas alterações, claro, afetam o mundo inteiro e as pessoas do mundo inteiro. Um vazamento radioativo no Japão, neste ano, trouxe e traz efeitos inimagináveis ao planeta e aos homens do planeta. O critério de avaliação dos países passa pelo PIB. Que estranho! Será mesmo que é melhor país aquele que mais produz e que mais consome? Mas, o que ele produz? O que ele consome? Um país é bom quando a sua economia vai bem. Será mesmo? Observemos este número: 20% da população do mundo produz e consome 80% de tudo o que é produzido e consumido no mundo – essa é razão da exaustão do planeta. Consumir, e consumir, e consumir, e consumir. 

Re-adubar
Lembro-me de Leonardo Boff, talvez o mais lúcido ambientalista do mundo, quando nos disse e nos ensinou que o planeta Terra pode sobreviver e sobreviverá sem nós; mas nós não podemos sobreviver e sobreviveremos sem a Terra. O governo brasileiro também entrou nessa. Lembram-se quando o governo diminuiu impostos de automóveis, aumentou o crédito e todo mundo comprou carro? Pois é, hoje, as ruas de todas as cidades estão intransitáveis. São Paulo tem 7 milhões de automóveis particulares. Fala-se que em Uberaba, há 140 mil automóveis. Como uma cidade, tipo Uberaba que teve seus córregos cobertos em 1970, com as mesmas ruas e avenidas, suporta esse crescimento. Lembram-se quando o governo diminuiu os impostos de computadores, de geladeiras, de fogões, aumentou o crédito e todo mundo comprou. Nunca se produziu tanto lixo. Lixo de computador é coisa séria!