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Décio Bragança 06/10/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Existem algumas

palavras da moda que arrepiam a todos, porque trazem no seu bojo intenções secretas e algumas até mesmo inconfessáveis: flexibilidade, horizontalidade, variedade, diversidade, mercado, liberdade, autonomia... Essas palavras, dentre tantas outras, foram criadas pela “nova” Teoria da Administração e que influenciam decisivamente em todas as outras relações humanas e sociais. 

Give Peace a chance
Na prática, as “coisas” evoluem muito pouco. Continua a falta de participação de todos nos empreendimentos e nas empresas; as decisões continuam sendo centralizadas e centralizadoras; os salários são assuntos proibidos, sempre indiscutíveis, acentuando as diferenças entre as pessoas; a falta de critérios de avaliação interna e externa, imperando ainda muitos medos e bajulações; a terceirização de serviços essenciais, transformando pessoas físicas em pessoas jurídicas - uma maneira até legal de fraudar o fisco; as mazelas do poder e das autoridades, a existência de caixa dois e tantos outros arranjos imorais.

Dê uma chance à paz
Esse “novo” discurso é tão competente que nem nos arriscamos a perguntar: a quem interessa a flexibilidade? Quem se beneficia com a horizontalidade? A variedade está contra ou a favor de quem? Quais os objetivos do mercado? Para quem importa a liberdade? Autonomia para fazer o quê? Quem dirige a mão invisível do mercado? As pessoas nascem para o bem, ou para cumprir uma tarefa saudável à sociedade. As condições para tanto devem ser e estar sempre favoráveis e, mesmo assim, nem sempre as “coisas” saem a contento. Os entendidos e os estudiosos, hoje, analisam e entendem o ser humano como fruto de três componentes essenciais: a hereditariedade – o passado, o ambiente – o presente e a vontade – o futuro. 

Hazme instrumento de tu paz
Em outras palavras, esses componentes nos fazem cúmplices uns dos outros em tudo: no bem e no mal, nos avanços e nos retrocessos sociais. O que importa é e será sempre entender o ser humano. Inicialmente, cada ser é a síntese da humanidade. Sob o ponto de vista estritamente biológico, o ser humano é uma síntese de, no mínimo, 14 pessoas: “Trago em mim 8 bisavós, 4 avós, 1 pai e 1 mãe. Sou, portanto o 15º elemento de uma família.” Existem teorias e provas científicas que as células, todas as células, têm uma memória. Isso aumenta a nossa responsabilidade familiar, porque, queiramos ou não, estaremos nos nossos filhos, nos netos e nos bisnetos. “Meu bisneto será tão bom ou tão mau dependendo do sou hoje, aqui e agora; dependendo do que acredito, de meus valores e princípios, do meu jeito de ser e ver o mundo e as pessoas, hoje, aqui e agora”. 

Fazei-me instrumento de vossa paz
O passado é imutável, mas somos, sim, responsáveis pelo presente e pelo futuro próximo e remoto. Educar é facilitar o crescimento e o conhecimento de si mesmo. Quer se trate de Educação Física, Artística, Científica, Moral ou Religiosa, a finalidade primordial é de facilitar o crescimento, isto é, de propiciar a realização, o surgimento como pessoa livre, responsável, desabrochada. A Educação se realiza no diálogo entre a vida e a ciência, entre a descoberta de sentido da vida, iluminada pela ciência e a descoberta da ciência, iluminada pela vida. Não se pode conceber um projeto educativo que não conceda à educação aos valores um lugar fundamental para a formação da personalidade integral.

Onde houver ódio, que eu leve o amor
A ciência, assim como a cultura, são dimensões essenciais de uma educação de valores humanos. A formulação de objetivos da escola e da educação deve responder às necessidades dos alunos e, por extensão, de toda a sociedade. Para tanto, deve-se levar em conta a coerência, a conjunção, a integração, a experiência, a ação. 

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Entende-se por coerência a busca e descoberta progressiva de sentido para tudo o que representa ausência de significação ou absurdo na vida pessoal, escolar, social. 

Onde houver discórdia, que eu leve a união
Entende-se por conjunção a participação em comunidades de vida, de serviço, respondendo às necessidades de respeitar e ser respeitado, de amar e ser amado, à necessidade de produzir, de compreender e ser compreendido. 

Onde houver dúvida, que eu leve a fé
Entende-se por integração a descoberta do mundo do eu que emerge de pulsões e aspirações, a descoberta do universo científico com suas evidências e interrogações, a descoberta do universo das relações entre os homens e as nações, com suas complexidades, fracassos e possibilidades. 

Onde houver erro, que eu leve a verdade
Entende-se por experiência o contato existencial consigo mesmo, com os outros, com a natureza, pela comunicação e solidariedade, pela camaradagem e coleguismo. 

Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Entende-se por ação o discernimento e opção por valores que visam à qualidade e à promoção da vida, definindo atitudes (ética) face a si mesmo, aos outros e ao mundo.
 
Onde houver tristeza, que eu leve alegria
A avaliação das atividades deve responder à transmissão de valores. Podem-se ensinar valores? Como ensiná-los? É certo que os valores se transmitem antes de tudo pelo contato com pessoas significantes e com grupos onde os valores são vividos, reconhecidos, apoiados, experimentados, testemunhados. Somente quem sabe construir sua vida, pode pretender a liberdade. 

Onde houver trevas, que eu leve a luz