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Décio Bragança 13/10/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Obrigado, professor!

Professor é sempre, por excelência, um aprendiz – estado de quem está disposto a aprender. “Só sei que nada sei!” Quanto mais se aprende, mais se cria a sensação de que nada sabe, ou ainda quanto mais se sabe, mais o universo se abre e traz a sensação de ignorância, porque também as exigências, as perspectivas, as necessidades, as ansiedades, as angústias serão muitas vezes maiores. Essa perspectiva de ser aprendiz, numa carreira docente, poderá valer-lhe graus na ascensão na docência.

Thank you, teacher!
Professor é a fonte, é a vanguarda do desenvolvimento, é também o abre-alas da escola, é o porta-bandeira e o mestre-sala que defendem ardorosa e alegremente a sua escola. Isso é a sua contribuição significativa para a ciência, para a tecnologia, para a ética, com competência e criatividade. O professor sabe que ninguém é tão ignorante que nada possa ensinar, nem tão sábio que nada possa aprender.

Gracias, professor!
Professor é a fonte e sabe que sala de aula é um espaço de pessoas e não de máquinas, de robôs humanos. Lidar com pessoas nada tem a ver com máquinas e animais. Frases como: “Prefiro o cheiro de cavalos ao cheiro de gente” – “Quanto mais conheço os homens, mais amo meus cães”... mostram, provam, comprovam, demonstram, apresentam todas as angústias de uma sala de aula. A título de exemplificação: a música “Disparada” de Geraldo Vandré proclama: “... com gente é diferente!”

Merci, enseignant!
Professor é fonte e, a partir daí, tem de provocar o uso de bibliotecas, laboratórios, videotecas, cedetecas, devedetecas, bancos de dados, Internet, jornais, revistas, periódicos... para que os estudantes estudem (Que pleonasmo maravilhoso!), pesquisem, discutam, criem, aprendam, defendam suas ideias e seus projetos. O professor, como a agulha, sempre voltará para a sala de costura. Quem vai a festas, a bailes, fazer sucesso, ter fama é o aluno, a linha – conforme o Apólogo de Machado de Assis.

Danke, dozent!
Professor é fonte, mas vai enfrentar problemas com os estudantes, porque foram acostumados, aculturados, treinados para copiar “receitas” dos professores, para ouvir, aceitar passivamente as informações “ditas” pelo professor, para decorar fórmulas, repetir as ideias do professor, para responder nas provas o que o professor pensa, ou impõe... O estudante será sempre um aprendiz – estado de quem está disposto a aprender. Sem o amargor de Machado de Assis, a agulha conclui: “Também já fui agulha de muita linha ordinária!”

Dankon, instruisto! 
Professor é fonte, mas também o estudante tem de aprender a perguntar, a inquirir, a refletir, a pensar. Em outras palavras, aprender a aprender e, a partir daí, caminhar com as próprias pernas, fazer a própria história, construir seu conhecimento e saber. Plagiando o slogan da TV Futura que diz: “São as perguntas que movem o mundo!” As respostas serão sempre uma busca, uma procura de professores e alunos, de cientistas e estudantes. A escola será sempre um centro de Ciência e de Cultura, de Sabedoria e de Arte. 

Grazie, insegnante!
Professor é fonte, mas os estudantes não podem acomodar-se diante da exposição de determinados conteúdos, mas desenvolver maneiras de ver e viver no mundo. O mundo, a realidade... estão colocados aí para se aprendida e apreendida, estudada e pesquisada. É possível um novo mundo! É importante que se VEJA o mundo e as pessoas, que se JULGUE o que se viu e AJA a partir do julgamento de valores e de princípios e de significância.  Fora disso, é inutilidade, futilidade, fugacidade, perda de tempo e de dinheiro, de muito dinheiro.

Gratias agimus tibi, magister!
Professor é fonte, nem por isso pode negar a validade de outras ideias, de outras fontes e afluentes, de outros destinos que levam ao mesmo destino humano. Por mais que se estude, pesquise, por exemplo, a tuberculose, o pneumologista não vai “experimentar”, “experenciar”, “viver” a tuberculose no corpo e na alma. Isso para dizer que o tuberculoso é parte fundamental de qualquer pesquisa sobre a tuberculose, porque sabe tudo sobre tuberculose, sofre com ela dia e noite... Muitas vezes, o professor é um “expert” em tuberculose, mas nunca conversou, tratou, cuidou de um tuberculoso! O professor elege a vida em sua plenitude, a liberdade como meta, a convivência como fim, o diálogo como cumplicidade, a construção do futuro como objetivos.