Busque em todas as seções:
EDIÇÕES ANTERIORES: anteriores

Em Questão

ACESSIBILIDADE: A A A A
Décio Bragança 10/11/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Congregentur aquae
Deus precisou falar para que Ele pudesse parir todas as coisas e todos os seres. Teólogos, cientistas, curiosos, homens de fé e sem fé, debruçam-se anos no estudo dessa metáfora fantástica: Deus criador de tudo. Os seres vivos e não-vivos fazem parte de Deus, porque seus filhos, suas criaturas. “Tal pai, tal filho” – “Tal filho, tal pai” – Filho de peixe, peixinho é” – “Filho de Deus, Deus é”. Na realidade, Deus tem um plano de vida eterna para todos nós, já que somos seus filhos, criaturas, e Ele é eterno. 

Quae sub caelo sunt in locum unum
Nós somos o que falamos, porque também Deus é o que fala. Somos nossos projetos de vida, somos nossos planos e nossos ideais e nossos sonhos e nossas utopias, porque também somos livres, ou Deus nos deixou e nos deixa livres. Falar é expor-se verdadeiramente ao outro, aos muitos outros. Falar é explicitar intenções e interesses. É parir a verdade! Criar é falar! Falar é criar! “Todas as coisas foram criadas por Ele, através da palavra.” Tudo estava no útero de Deus eternamente. Observemos algo verdadeiramente extraordinário: o universo. Muitas vezes sentimos vontade e até já tentamos contar as estrelas numa noite escura.

Et appareat árida
Fala-se que conseguiríamos, no máximo, contar (5.000) cinco mil estrelas. Galileu Galilei, com luneta, conseguiu contar até (30.000) trinta mil estrelas numa noite escura. Com os primeiros telescópios “inventados” foi possível contar, observar mais de (1.000.000) um milhão de estrelas. Afinal, é possível observar tudo o que existe no universo, quantas estrelas há? Nos últimos seis séculos, os cientistas, os astrônomos, os curiosos e as pessoas, em geral, buscam uma resposta definitiva, que não virá. 

Factumque est ita
Os números são tão impressionantes que se usa até a função exponencional. Aqui, não usaremos a exponencial para a gente se impressionar mais com os números. As distâncias são medidas em anos-luz. Um ano-luz é assim calculado: 299.792.458 metros por segundo; 17.987.547.480 metros por minuto; 1.079.252.848.800 metros por hora; 25.902.068.371.200 metros por dia; 9.454.254.955.488.000 metros por ano = ou 9.454.254.955.488 quilômetros por ano – nove trilhões, e quatrocentos e cinquenta e quatro bilhões, e duzentos e cinquenta e quatro milhões, e novecentos e cinquenta e cinco mil, e quatrocentos e oitenta e oito quilômetros por ano. O interessante é que, nós, leigos, olhamos as estrelas como se elas fossem jogadas aleatoriamente, umas com mais brilho, outras com menos brilho; umas maiores e outras, menores. 

Et vocavit Deus aridam terram
Para os astrônomos, o universo não é assim tão feito aleatoriamente. As estrelas estão agrupadas em imensas galáxias. Quando falamos agrupadas, dá-se a impressão de que estão bem próximas, mas as distâncias entre elas são inimagináveis. Para os astrônomos, as galáxias também não são jogadas aleatoriamente. O planeta Terra pertence a um sistema solar que está dentro de uma galáxia, chamada Via Láctea (branca como o leite), considerada uma galáxia nem muito grande, nem muito pequena, tendo um número assustador de duzentas e cinquenta milhões (250.000.000) de estrelas. Poucos telescópios e astrônomos conseguiram observar estrelas fora da Via Láctea, dada a quase infinitude de tudo, em nossa volta. E tudo isso estava no útero de Deus. Com a instalação do telescópio espacial Hubble, em 1995, posicionado por dez dias consecutivos numa região do “céu”, próxima do polo norte celeste, na constelação Ursa Maior, onde nada poderia ser visto ou observado, nenhum objeto sequer, nada, nadinha de nada, para surpresa do mundo inteiro e dos astrônomos do mundo inteiro, foram fotografadas milhares de galáxias. 

Congregationes que aquarum appellavit maria
Deus estava grávido e pariu o Universo. Universo tem dentro de si com milhares de galáxias. A distância entre algumas galáxias pode chegar a mais 12 bilhões de anos-luz da Via Láctea – a nossa galáxia, porque nela está a Terra. Faça o cálculo: 9.454.254.955.488 km = um ano-luz X 12.000.000.000 anos-luz = 113.451.059.465. 856.000.000.000 km (cento e treze sextilhões e quatrocentos e cinquenta e um quintilhões e cinquenta e nove quatrilhões e quatrocentos e sessenta e cinco trilhões e oitocentos e cinquenta e cinco trilhões de quilômetros).  Mais interessante ainda é que cada galáxia estava num grau evolutivo diferente, umas das outras. Com essa observação nunca antes feita, concluiu-se, na época, que havia mais de três milhões (3.000.000) de galáxias por grau quadrado – o que se deduz que há mais de 120 bilhões de galáxias, podendo chegar a mais de 300 bilhões de galáxias. E tudo isso estava no útero de Deus. 

Et vidit Deus quod esset bonum
E o homem, mesmo diante dessa infinitude, muitas vezes, se julga o maior e dono de tudo isso. Quanta arrogância e prepotência! O telescópio Hubble ainda não foi capaz de observar, ver e fotografar tudo, todas as galáxias existentes. Há ainda galáxias não fotografadas devido ao seu pouco brilho, ou porque a luminosidade de uma “ofusca” o brilho de tantas outras – as menores “absorvem” o brilho das maiores. É possível que existam muitas mais! Os astrônomos endoideceram e propuseram que o Hubble fotografasse o polo sul celeste, na constelação Tucana. Depois de dez dias consecutivos, em outubro de 1998, os astrônomos já não se surpreenderam tanto, mas concluíram que, em qualquer posição do telescópio, o universo é semelhante: tantas galáxias, tantas nuvens intergalácticas, tantas estrelas. E o universo ainda continua em expansão. E tudo isso estava e está no útero de Deus.

Et ait germinet terra herbam virentem
As distâncias entre as galáxias são variadas e estão num grau diferente de evolução. O número de galáxias já chegou a 500 bilhões de galáxias. Alguns astrônomos já falam em um trilhão de galáxias – 1.000.000.000.000 de galáxias. Cada galáxia, em média, possui 100 bilhões de estrelas – 100.000.000.000 de estrelas. Exponencialmente falando, teríamos: 100 bilhões de trilhões de estrelas, ou 100.000.000.000.000.000.000.000 – 23 zeros, ou 100 sextilhões de estrelas. Diante de tamanha grandeza, os astrônomos imaginaram poder contar as estrelas, uma a uma, gastando um segundo para cada número da contagem, se riram de si mesmos, porque gastariam 3.000 trilhões de anos, ou 3.000.000.000.000.000 de anos (15 zeros), ou 3 quatrilhões de anos. E tudo isso estava no útero de Deus e era Deus; e o homem, muitas vezes, se julga maior do que Deus, predador de todos os seres, vivos e não-vivos. Quanta insensatez e insignificância!