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Em Questão

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Décio Bragança 01/12/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em Questão

Paz e bem

Mês de dezembro – mês do Natal. Mas o que é o Natal? A discussão se Jesus nasceu no dia 25 ou não, em dezembro ou não, pouco me importa neste momento. Importa, acredito, uma reflexão sobre o sentido do Natal. Uma certeza – não é bom ter certezas – tenho: natal não é Papai Noel que traz presentes (nem sempre para todos), vestido de vermelho e branco, com barbas e cabelos brancos e longos. “Noite feliz, oh! senhor, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa, Jesus nosso bem. Dorme em paz, oh! Jesus. Eis que no ar vem cantar aos pastores os anjos dos céus, anunciando a chegada de Deus, de Jesus, Salvador!”

Confiança e fé

Deus conosco! Nasceu o Deus do amor, pobre que ele só. Seu palácio, uma manjedoura. Seus súditos, os pastores. Seus ministros, os animais. Seu desejo, salvar a todos com e pelo amor e pela amizade. Nesse sentido, o Natal tem de ser uma experiência amorosa e amiga. Não é tarefa fácil escrever e/ou falar do amor e da amizade – fruto de uma afinidade profunda e inexplicável, por isso algo meio transcendental. Deus se faz homem com e pelo amor. Não gosto daquela teoria do resgate: só um Deus feito homem poderia resgatar os pecados dos homens contra o próprio Deus. Prefiro acreditar que se fez homem porque amava e ama a todos os homens, em todos os tempos e em todos os lugares. O Papai Noel se esquece de muitas crianças, mas Deus não se esquece de ninguém, porque o Amor Absoluto.

Amor e tranquilidade

Deus conosco! Os seres humanos, no Natal ou por causa do Natal, têm a chance de vivenciar o amor e a paz, a simpatia e a confiança, a lealdade e amizade – e tudo isso é gratuito e sem nenhuma forma de interesse. Deus nos ama e pronto: acabou! Se esse amor é correspondido são outros quinhentos. Nesse sentido, somos nós que livremente optamos ou optaremos por essa correspondência do amor. E assim se constrói o nosso destino, o destino de todos e de cada um, criando, atando, recriando e reatando os laços. “Bate o sino pequenino, sino de Belém, já nasceu Deus Menino para o nosso bem. Paz na Terra pede o sino alegre a cantar

Abençoe Deus Menino este nosso lar. Hoje a noite é bela, juntos eu e ela vamos à capela, felizes a rezar. Ao soar o sino, sino pequenino, vai o Deus menino nos abençoar. Vamos minha gente, vamos a Belém. Vamos ver Maria e Jesus também. Já deu meia-noite, já chegou Natal. já tocou o sino lá na catedral. Abençoe Deus Menino este nosso lar”.

Entrega e lealdade

Deus conosco! A experiência amorosa de Deus – fonte – juntamente com o desejo de os homens serem amados por Ele e por todos os homens é estarem-se preocupados com a vida, em plenitude, expressa no encantamento de viver, de ser, de existir. Essa experiência rompe as algemas da solidão e do sofrimento, da frustração e do fracasso. “Então é Natal e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez. Então é Natal - a festa cristã - do velho e do novo - do amor como um todo. Então, bom Natal e um Ano Novo também. Que seja feliz quem souber o que é o bem. E então é Natal pro enfermo e pro são, pro rico e pro pobre, num só coração. Então, bom Natal pro branco e pro negro, amarelo e vermelho, pra paz, afinal. Então, bom Natal e um Ano Novo também. Que seja feliz quem souber o que é o bem. Então é Natal. E o que a gente fez?”

Igualdade e fraternidade

Deus conosco! Não foi nem é uma visita de Deus. Ele – Absoluto - fez morada nos corações dos homens, em mim e em todos - frágeis e vulneráveis. A contradição humana mais misteriosa e mais rica é a de trazer o Absoluto dentro de si, sendo frágil. Nada é mais contraditório e misterioso e divino do que o amor. Falar de amor num mundo onde tudo virou mercadoria soa ainda mais revolucionário. O amor desorganiza a ordem econômica proposta para os nossos dias. Nesse sentido, o Natal é a ruptura do constituído e legalizado, do sistema econômico e financeiro, que se apoderou da data para mais explorar, mais vender, mais faturar, mais enriquecer, mais adorar o bezerro de ouro nos templos dos shoppings. “Quero ver você não chorar, não olhar pra trás nem se arrepender do que faz... Quero ver o amor crescer, mas se a dor nascer, você resistir e sorrir... Se você pode ser assim, tão enorme assim, eu vou crer que o Natal existe, que ninguém é triste e no mundo há sempre amor... Bom Natal, um Feliz Natal! Muito Amor e Paz pra você. Pra você!”  

Misericórdia e eternidade

Deus conosco! De alguma maneira, todos já experimentaram o amor que nasce nos caminhos, por exemplo, de dois seres humanos que se descobriram no olhar um do outro, na presença de um e do outro, enamorando-se mutuamente, na tentativa de um se fundir no outro, de colar o destino de um no outro, de planejar o destino. Também já experimentar amar ou tentar amar quem não nos ama. Quanta frustração! Deus que nunca – nem pode – desistir de amar, faz questão de, pelo menos uma vez no ano – no Natal, nos dizer: “Ninguém te ama como Eu. Era um sonho branco, branco como a paz. Era um sonho de ouro, de ouro como a luz. Era um sonho imenso que envolvia todos os espaços. Era um sonho vivo, feito de mãos dadas e de abraços. E li no meu sonho a palavra esperança. Ouvi no meu sonho risos de criança. E era a verdade - a única lei da nossa voz; e era a amizade - a regra de vida entre nós. E os que acreditaram quando eram meninos no poder das fadas, traçando os destinos, sabem que este sonho não está nas varinhas de condão, sabem que este sonho começa no nosso coração.”

Abraço e ternura

Deus conosco! Os homens se experimentam em Deus e Deus se experimenta nos homens. Que relação mais profunda! Os homens se endurecem. O coração dos homens está cada vez mais endurecido e Deus não se abala, porque, mesmo que nos fechemos com os ferrolhos dos interesses comerciais, Ele está ali e aqui, além e aquém. Traz suas mãos e braços estendidos, como aquela imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, à espera das mãos e dos braços dos homens, de todos os homens e de cada um. Assim é o amor incondicional e essencial, paciente e misericordioso. Esse encontro de entrega confiante depende de nós. “A todos um bom Natal! Que seja um bom Natal para todos nós. No Natal, pela manhã ouvimos o sinos tocarem e há uma grande alegria no ar. Nesta manhã de Natal, há em todos os países muitos milhões de meninos felizes. Eles andam pela casa, descalços ou de chinelas. Procuram as suas prendas tão belas. Depois fazem uma roda, as crianças dão as mãos. As crianças sentem se irmãos. Se isso fosse verdade para todos os meninos seria bom ouvir os sinos cantarem. Que seja um bom Natal para todos nós!”