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Décio Bragança 08/12/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em questão

Vim para que todos tenham vida

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Continuamos neste mês de dezembro pensando, refletindo sobre o Natal, as reflexões estão entremeadas com canções natalinas populares. Natal é Deus-conosco. É o amor de Deus que explode nos corações dos homens, de todos os homens. Hoje a manjedoura tem de ser o coração humano. É o homem que deixa o Menino nascer. Assim, como Maria, o homem se entrega ao serviço do amor. “Faça-se em mim segundo a vossa vontade.” Esse Menino, certamente, não nasce nos shoppings, nos templos, mas no coração. “Vós sois templos.” “Foi na noite de Natal, noite de santa alegria, caminhando vai José, caminhando vai Maria. Ambos vão para Belém, mais de noite que de dia. E chegaram a Belém. Já toda a gente dormia. Buscou lume José, pois a noite estava fria e ficou ao desamparo sozinha a virgem Maria. Quando José voltou, já viu a virgem Maria com o Deus-menino nos braços. Que toda a gente alumia!”

 

Vim para que todos sejam salvos

Deus conosco! Ele está no nosso meio! O amor sozinho não basta, não é suficiente, nem produz os efeitos necessários. Seguindo o raciocínio de Paulo, apóstolo (1Cor 13, 4-7) o amor exige paciência, benignidade, confiança, humildade, dedicação, entrega, cultivo, porque sem isso não resiste, não subsiste, não se suporta, não se embasa, não cria alicerces, não irradia, não explode. No fundo, isso é o seu adubo, o seu esterco. Nesse sentido, no amor tudo está contido ou em tudo contém o amor, por isso não acaba, não pode acabar. O Natal é esse húmus, essa oxigenização, essa força que mexe com dada um e com todos. Indiferença, jamais. Canção de Chico Buarque: “Tão bom, tão bom, tão bom, tão bom, tão bom que foi o Natal. Ah! quem me dera fosse o ano inteiro igual. Olha a cidade que linda! Até parece deserta! A meninada dormindo de janela aberta. Papai Noel completa toda coleção: boneca, bicicleta, bola, bala e balão! Pra quem não tem seu tesouro, a vida é só uma esperança e nada vale mais ouro que inda ser criança. Quem não vive de amor, não vai viver sempre assim. Papai Noel planta flor onde não tem jardim. Ah! quem me dera fosse o ano inteiro igual! Papai Noel volta só, Papai Noel volta a pé, Papai Noel sem trenó, pra casa sem chaminé. Em casa só sem criança, ele vai ler o jornal”.

 

Vim para ser seu irmão

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Quanto mais a gente se entrega ao amor, ao outro, a Deus, maior e mais forte é o amor. O outro, Deus, alimentam o amor que será sempre explosivo. Deixar-se penetrar pelo amor exige muita coragem. “Quem ama, fica pobre” nos ensinou Roberto Freire. O amor é partilha, é divisão. Riqueza é acúmulo, é multiplicação. Daí, amor e riqueza não combinam. Muitas outras coisas não combinam com o amor, como por exemplo, a ideia de posse, de poder, de ciúme, de arrogância, de prepotência, de braços e corações fechados. “Eu hei de dar ao Menino uma fitinha pró chapéu e ele também me há de dar um lugarzinho no céu”.

 

Vim para que todos vivam como irmãos

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Maria foi, sem dúvida, a mulher é radical, porque foi até a entrega total no amor, trazendo todos os senões e contradições do amor. Quem ama, se revela, se expõe, se deixa morrer para viver no outro. Daí, o cuidado e a ternura, a gentileza e o carinho. O grande Martin Buber – o filósofo da alteridade – chega a afirmar que no amor não existe mais eu e você, dois seres que se encontram, mas um único ser que se encontra consigo mesmo. Não se trata de complementariedade, de metade de uma laranja, de cara metade, mas de um todo que se expande, que se explode. “Olhei para o céu estava estrelado vi o Deus Menino em palhas deitado. Em palhas deitado, em palhas estendido, filho duma rosa, dum cravo nascido! Arre, burriquito, Vamos a Belém, ver o Menino que a senhora tem; que a senhora adora. Arre burriquito, Vamo-nos embora. Estas palavras disse a Virgem: AH! quando nasceu o Menino! Ah! vinde cá, meu anjo loiro, meu sacramento divino. Alegrem-se o céu e a terra, cantemos com alegria já nasceu o Deus Menino, filho da Virgem Maria”.

 

Vim para que ninguém mais sofra

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Não há uma rosa que não desabroche, não há uma estrela que não brilhe, não há um Deus que não ame. Muitos estudiosos e pesquisadores, hoje, nos falam dos muitos cristos encarnados em todos os tempos e lugares, nascidos de uma Virgem, que criou uma doutrina do amor, foi traído, morto e depois ressuscitou. Essa tese foi levantada para nos dizer que cristo – o redentor, o salvador – existe para todos os povos. A gente, teoricamente, rejeita essa ideia, mas admitimos que a figura de Maria seja cultua em todos os lugares e tempos para todos os povos. Não fiz uma pesquisa profunda nem conclusiva, mas encontrei mais de mil nomes para a mesma Maria, mãe de Cristo. A Maria da Coreia com os olhinhos puxadinhos, de cor amarela, traz em seu colo um Filho-Deus de olhinhos puxadinhos, de cor amarela não é a mesma Maria de Angola, negra, de lábios grossos, de cabelos enroladinhos. O amor e o cuidado se alimentam. Quem ama cuida. Quem cuida ama. “Entrai, pastores, entrai por este portal Sagrado. Vinde adorar o menino numas palhinhas deitado. Em Belém à meia-noite, meia-noite de Natal, nasceu Jesus num presépio, maravilha sem igual. Ah! que Menino tão Belo! Ah! que tanta graça tem! Ah! que tanto se parece com a virgem Sua mãe. Vinde todos, vinde todos à lapinha de Belém adorar o Deus Menino que nasceu pro nosso bem”.

 

Vim para estar todos os dias com você

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Para fortalecer a nossa fragilidade e incerteza do amor precisamos de Alguém muito maior do que nós, muito mais suave do que nós, muito mais amoroso do que nós. Precisamos até de Alguém a quem sempre possamos invocar, aquém possamos pedir que nos ensine a amar. Amarmos pouco. Amamo-nos pouco. Amamos pouco aos outros. Amamos pouco a Deus. Natal é essa comunhão com esse Maior, com essa Suavidade, com esse Amor. “Louvai céus e louvai terra ao divino Redentor que hoje quis aparecer em Belém por nosso amor. Pastorinhos do deserto, todos correm para o ver. Trazem mil e um presentes, para o Menino comer. Ó meu Menino Jesus, convosco é que eu estou bem. Nada deste mundo quero, nada me parece bem. Deus Menino já nasceu, andai ver o rei dos reis. Ele é quem governa o céu, quer que vós o adoreis. Ah, meu Menino Jesus,
que lindo amor-perfeito se vens muito cansadinho vem descansar em meu peito”.