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Em Questão

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Décio Bragança 15/12/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
EM QUESTÃO

 

Fröhliche Weihnachten

Deus conosco! Ele está em nosso meio! No Natal, o nascimento do Menino-Deus. E para que veio a Terra? O que Ele tinha de fazer aqui? Precisaria de Ele nascer como homem? Sendo Deus, como num toque de mágica não poderia semear, adubar, estercar, fazer nascer, germinar, crescer, dar frutos o seu Reino de Paz e Justiça? Para mim, o seu nascimento nos revela que é possível a libertação dos homens, de todos os homens e de cada homem. É a história de Deus na vida da humanidade, ou ainda a história dos homens na vida de Deus. Com Deus, somos mais fortes. O homem nasceu para ser feliz e para tanto Deus, feito homem, nos deixou as regras da felicidade em seu Sermão da Montanha. É possível, sim, ser feliz na terra, antes da nossa morte. Basta-nos viver como irmãos. E o que significa vivermos como irmãos? Dom Helder nos ensinou que não é possível a felicidade enquanto houver um só homem que passa fome e sede, que esteja jogado às traças, vivendo na marginalização e discriminação, sem que os seus direitos sejam plenamente respeitados e realizados. Uma das músicas natalinas mais executadas no mundo, sem dúvida, é a de John Lennon – Imagine, aqui, traduzida. Infelizmente, para quem conhece bem a língua inglesa, a tradução ou qualquer tradução é uma traição, como diriam os italianos. “Imagine que não há paraíso / É fácil se você tentar / Nenhum inferno abaixo de nós / Acima de nós apenas o céu / Imagine todas as pessoas / Vivendo para o hoje.”

Merry Christmas

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Nas catacumbas, no Império Romano já em decadência, os imperadores da época e os mercantilistas de hoje dizem: “Vejam, como eles se amam!” Em outras palavras: ser cristão é uma ameaça aos poderosos, política e economicamente, ideológica e individualistamente. Natal é comunidade! Se cada vez mais nos afastamos da comunidade humana, por causa da pregação individualista e consumista, menos o Natal tem sentido. Numa comunidade, a liberdade, a fraternidade, a igualdade, a democracia, os braços e corações abertos. A manjedoura, hoje, são os shoppings com oferta de automóveis, apartamentos, viagens, prédios, sempre com a intenção de se consumir mais e mais e mais. O Menino-Deus, hoje, é o Papai Noel no meio de sons e luzes e cores, obrigando as crianças a exigirem dos pais a compra do mais bonito e mais caro presente, muitas vezes acima de suas possibilidades e necessidades. Natal e capitalismo – novo bezerro de ouro – não combinam. Por absurdo que possa parecer criaram até a Teologia da Prosperidade. Max Weber que me perdoe, mas “é mais fácil um elefante passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.” Dias atrás, escutei uma frase genial: “Fulano de Tal é tão pobre, mas tão pobre mesmo que só é rico.” “Imagine não existirem países / Não é difícil de fazer / Nada pelo que matar ou morrer / E nenhuma religião também / Imagine todas as pessoas / Vivendo a vida em paz.”

Feliz Navidad

Deus conosco! Ele está no nosso meio! Ninguém se salva sozinho, ninguém se perde sozinho. Tanto a salvação quanto a perdição são coletivas. Só há um caminho para a salvação: o amor, a caridade. O capitalismo, porque visa exclusivamente ao lucro e ao poder, às riquezas e à posse, aos bens e à fama, é a forma e a fórmula mais perfeita de humilhar, de explorar, de dominar, de odiar, porque não deixa brechas para a caridade e para a compaixão. Não se trata de ser contra o desenvolvimento e/ou progresso, mas imaginar o desenvolvimento e o progresso como bem da humanidade, para todos e para cada um. O fato é que o modelo de desenvolvimento que escolhemos é excludente, discriminatório, marginalizante, contraditório, infernal, odioso, perverso, injusto. Os meios de produção – fábricas, terra, comércio, bancos, fontes de crédito – privilegiam alguns pouquíssimos. E o resto? O resto que se dane! “Você pode dizer / Que sou um sonhador / Mas não sou o único / Tenho a esperança de que um dia / Você se juntará a nós / E o mundo será como um só.”

Hristos Razdajetsja

Deus conosco! Ele está no meio de nós! Muitos desejam a separação dos aspectos religiosos dos comerciais, sociais, políticos, econômicos. Essa separação é que produz os muitos cismas das próprias religiões.  Por isso, muitos desejam até a privatização da fé, criando o seu deus segundo os seus interesses e intenções. Nesse sentido, o Natal e o nascimento do Menino-Deus viraram mercadoria. Aliás, tudo virou mercadoria. Quem dá mais? Estão leiloando o Natal! Estão leiloando o Menino-Deus!  Cada um por si. Produzimos o individualismo, claro, que é o motor de toda e qualquer atividade econômica. Não como fugir da doutrina cristão, de seu único e verdadeiro mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” “Imagine não existirem posses / Me pergunto se você consegue / Sem necessidade de ganância ou fome / Uma irmandade do Homem / Imagine todas as pessoas / Compartilhando todo o mundo.”

Feliz Natal

Deus conosco! Deus está no nosso meio! No Natal, a sensação que muitas pessoas têm é que são manipulados, como robôs, marionetes, bonecos de consumo. Praticamente, no Natal nos despersonificamos e nos mascaramos de consumidores, com cara e coração de cifrão. Como somos enganados e gostamos de ser enganados: “dez vezes sem juros!” Que absurdo! Os juros e outras coisinhas mais já estão embutidos.  Esse mesmo individualismo gera o anonimato. Na verdade, somos qualquer um – uma coisa que compra, um trem que compra, um trócio que compra, uma coisinha que se deixa levar. “Você pode dizer / Que sou um sonhador / Mas não sou o único / Tenho a esperança de que um dia / Você se juntará a nós / E o mundo viverá como um só.”