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Em Questão

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Décio Bragança 22/12/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
Em questão

Feliz Natal
Deus conosco! Deus está no nosso meio! No mundo cada vez mais individualista – fechado em si mesmo, olhando para o próprio umbigo – dificilmente o sentido do Natal – nascimento do Deus-Menino – será comemorado. Natal é a libertação inclusive desse individualismo, já que é a vitória da Fraternidade. O mundo não existe para rodar em volta de mim mesmo. As pessoas não existem para mim, por mim, comigo. Não sou o começo e fim das coisas. Não sou o ponto de partida nem o ponto de chegada. Claro, o discurso capitalista, neoliberal, mundializado, exige que sejamos individualistas, já que cada um é que se vire ou se dane. Para fugir da danação só é apresentado um caminho: consumir, consumir, consumir até se consumir. “Quando é Natal, é tão bom de ver um cordão de luzes em cada janela. Vão pulsando uma a uma, e sorrindo em cores. Como é lindo a gente olhar pra elas. Prédios tão iguais como almas gêmeas”.

Santo Natal
Deus conosco! Deus está no nosso meio! Os aspectos sociais não se contrastam com os espirituais, mas os espirituais se opõem radicalmente aos capitalistas, porque individualistas. Os valores individualistas podem até ser explicados pela liberdade de opção, de escolha, de expressão, mas não trazem em si os ideais utópicos e libertários, idealistas e libertadores. Os encarcerados lutam e querem a liberdade; as pessoas lutam e querem a libertação – processo coletivo de construção do Bem, da Verdade, da Beleza, da Justiça, da Paz. As pessoas formam uma comunidade onde cada um se salva, salvando o outro, onde as pessoas se conheçam e se reconheçam pessoas – imagem e semelhança de Deus. “Quando é Natal os manos Vão se dando as mãos. Todos juntos vibrando num só pensamento, batendo em um só coração. É Natal, é Natal, jogue fora todos os tabus.”

Bom Natal
Deus conosco! Deus está no nosso meio! Natal é comunhão – ajuda, cuidado, fraternidade. As pessoas não precisam de muitas coisas para ser felizes. No modelo de modernidade que escolhemos ou simplesmente nos calamos não cabe solidariedade – adesão e cumplicidade. O reino de Deus de Justiça e Paz – para isso o Menino Jesus nasceu – é obrigação dos homens. Estamos condenados a ser livres, a ser felizes, a ser comunidade. Como no corpo humano, cada célula faz o que deve ser feito. As cardíacas se unem e fazem funcionar o coração. As nervosas fazem todo o sistema nervoso funcionar como deve. Cada uma tem a sua importância e valor. O interessante é a sinergia. Se um órgão fica adoecido, todas as outras células abrem mão do que estão fazendo para socorrer aquele órgão. A cura daquele órgão é a saúde total do corpo. “É Natal, é Natal, jogue fora todos os tabus. No conjunto habitacional, Também mora o menino Jesus”.

Divino Natal
Deus conosco! Ele está no nosso meio! Infelizmente, ainda é vergonhosa a multidão de pobres e miseráveis e famintos no mundo, vivendo abaixo da linha da pobreza, com menos de um dólar por dia. São mais um bilhão de irmãos explorados e desprezados, marginais e marginalizados, desempregados e semidesempregados e subempregados, boias-frias e excluídos dos sistema perverso de produção organizado e aceito por todos nós. Não gosto da ideia de resgaste do pecado de Adão. Prefiro entender a vinda do Deus-Menino ou do Menino-Deus como resgaste de nossa vergonha, de nossa pouca vergonha, de nossa nenhuma vergonha de como tratamos os nossos irmãos. E tudo isso sem remorso algum, sem arrependimento nenhum. Cada um que se proteja ou cada um que se foda! “Um clima de sonho se espalha no ar, pessoas se olham com brilho no olhar, a gente já sente chegando o Natal, é tempo de amor, todo mundo é igual”.

Humano Natal
Deus conosco! Ele está no nosso meio! Claro, cada homem e todos os homens são os responsáveis de sua própria libertação e ascensão, agentes de sua própria história e geografia, sem paternalismos e esmolas – restos da mesa dos poderosos. Neste momento histórico da humanidade, os adoradores do bezerro de ouro, cultuado nos novos templos midiáticos e dos shoppings, pregam aos berros insanos que só Deus é o remédio e só Ele tem motivos de mudar ou conservar a história dos homens. “Não cai uma folha de uma árvore sem que seja vontade de Deus.” Descontextualizada, essa frase serve de argumento insano dos que acreditam na desgraça como obra de Deus. Querem que vivamos sempre e eternamente sob as asas da Providência e Previdência Divinas para se conservarem as coisas do jeito que estão, porque é ótimo para eles. “Os velhos amigos irão se abraçar, os desconhecidos irão se falar, e quem for criança vai olhar pro céu fazendo pedido pro velho Noel. Se a gente é capaz de espalhar alegria, se a gente é capaz de toda essa magia, eu tenho certeza que a gente podia fazer com que fosse Natal todo dia!”

Simplesmente Natal
Deus conosco! Ele está no nosso meio! Em sociedade tudo é construído. Se conseguimos construir o ódio, poderemos se assim o desejarmos, construir um belíssimo Reino de Paz e Amor que é o próprio Reino de Deus. A promessa do nascimento do Menino-Deus foi sempre lembrada pelos profetas que não perdoavam os crimes e os pecados dos donos do mundo, das coisas e das pessoas, exigindo sempre uma postura de justiça social. Os adoradores do bezerro de ouro se esquecem do “Ai de vós!”, de grande parte do Evangelho de Mateus e em especial os capítulos 5 e 23. “Um jeito mais manso de ser e falar, mais calma, mais tempo pra gente se dar. Me diz por que só no Natal é assim? Que bom se ele nunca tivesse mais fim! Que o Natal comece no seu coração, que seja pra todos, sem ter distinção. Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for, o melhor presente é sempre o amor”.