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Décio Bragança 24/03/2013
Décio Bragança
deciobraganca@yahoo.com.br
“Eles não sabem o que fazem”

Neste ano, no fim do mês de março, acontece, a “chamada” Semana Santa. Por que Semana Santa? Essa semana é o resumo final da vida de Jesus Cristo, aqui na terra. No Domingo de Ramos, a glória e o louvor do povo que o segue pelas ruas, chamando-O de Rei. É o reconhecimento de sua Divindade pelo povo. Na Quinta-Feira Santa, a última ceia, seu último alimento, sua última refeição, aqui, na terra, entre os homens, com seus apóstolos. Nessa Ceia, Ele se entrega, se deixa para os apóstolos e para todos os homens na forma de pão e vinho. Ele pede também que esse gesto já repetido sempre e em todos os lugares. Para os católicos, a instituição da Eucaristia e a instituição do sacerdócio – concessão do direito de fazer o que Ele fez. Na Sexta-Feira Santa, dia de sua paixão, morte. Agonia, sofrimento, resignação, entrega! Via das dores! Via-Sacra! No Sábado Santo, saudade, silêncio, enterro, jazigo, sepulcro. No Domingo de Páscoa, a Ressurreição! A vitória sobre a morte. “Inútil seria a nossa fé, se não fosse a Ressurreição”. Morreu para não mais morrer, mas para ficar vivo, viver em cada ser humano e em todos os seres humanos. “Vós sois deuses! Vós sois templos do Deus Vivo!”

“Tenho sede”
Muitas ideias são publicadas e discutidas sobre o homem e sua educação, sobre o homem e seu meio... Todas elas tentam definir as principais tarefas e os deveres do homem. Poucas, pouquíssimas, propõem a liberdade por princípio, o amor por lei, a vida e o prazer e a felicidade como recompensa, a solidariedade e honestidade como caminhos. O fato é que o caráter e a personalidade do homem vão se fazendo, vão sendo construídos, na família e na escola, experimentando a vida nas suas diversas e diferentes formas e manifestações. Faz-se o caminho, enquanto se caminha. O homem vive na ambiência social e vai se fazendo com emoções, com sensações, com ideias que surgem na sua vivência, no seu interior, no seu ser.

“Eis aí tua mãe”
O homem, assim, busca a interação constante e progressiva das diferentes sociedades consigo mesmo, provocando a formação de sua personalidade. Tudo isso é bom e perigoso, porque sem o controle absoluto da família, da escola, das religiões, dos governos. Essas instituições tentam de qualquer maneira e forma dominar e domar o homem, verticalizando as relações para impor o poder. A verdade é que poder e amor não combinam, assim como riqueza, obediência, hierarquia... não combinam com o amor. É preciso inverter ou reverter ou subverter as relações de poder, as relações entre o homem e a família, e a escola, e a religião, e os governos, e as leis.

“Eis aí teu filho”
As instituições não podem ser dominadores, mas um “servidor” ou “devedor” do homem. As instituições existem para isso. Só um homem livre das próprias instituições pode legitimar a instituições. Cada homem é uma personalidade, por isso uma individualidade, uma eudade, um sentimento e uma significação em si e para si mesmo. Cada homem, por si também, pode romper os limites da subjetividade e entrar nos limites do outro homem. Por isso, o amor tem por princípio o outro e sua compreensão está em relação a outros homens. O amor, assim, não é uma simples emoção, mas a entrada e permanência na vida do outro, distinguindo-se como único, inédito, intransferível, irrepetível, novo, autônomo, independente...

“Por que me abandonastes?”
Visto assim, o amor é esclarecedor, porque concretiza a transformação, o melhoramento do homem e, em consequência, o melhoramento da sociedade. O amor é a educação para a não-obediência, para o não-poder, para a não-submissão, para a não-verticalidade. O amor é subversão. O homem não vive só o presente, traz o passado, porque é humanidade, e se projeta no e para o futuro. O amor é sempre o futuro, é sempre uma possibilidade, sempre um vir-a-ser. Por isso, os homens do poder não amam e não gostam dos que amam. Por isso, também os homens do dinheiro não amam e não gostam dos que amam. Quem ama será sempre perseguido, porque força e energia e ideal e sonho.

“Tudo está consumado”
Pelo amor, o homem pode acostumar-se com a vida em sociedade ou exigir que a sociedade se torne capaz de acostumar-se com o amor, com os homens e mulheres amorosos. Assim, o homem junto com todos e tantos outros homens formam uma união viva de que cada um de nós necessita, independentemente da nação, das condições econômicas e financeiras, da religião, da raça, das leis, dos governos...  Queiramos ou não, o homem é um ser relacional e por isso a humanidade toma forma nele, harmoniosa e equilibradamente. Educação é isto, ir além do espaço e até do tempo, porque desobedecer é libertar o homem de suas amarras e algemas. Só é livre quem desobedece. Educação é isto, ir além de qualquer racionalismo ou racionalidade. Educação para o amor, que é sempre o futuro, um vir-a-ser, uma porta e janela aberta, uma alternativa e uma possibilidade, não é um autocontrole subjetivo, mas uma indução à desobediência no aqui e no agora, buscando todas as maneiras e formas e modelos e fórmulas de amar e de ser amado.

“Em vossas mãos entrego o meu espírito”
O efeito estufa, as chuvas intensas, o calor insuportável, os ciclones, as frentes quentes, as frentes frias, as correntezas marítimas, as massas de ar, neve e nevascas, nuvem carregadas de eletricidade, nuvem ácida, tornados, ventos fortes... apesar de naturais, devem ser analisados pelos cientistas e por todos, para nos preservar de alguns desses fenômenos. Tudo isso são lições que devemos aprender. O homem insiste em dominar, destruir a natureza, para fins principalmente lucrativos e produz esses fenômenos cada vez mais devastadores. O pior de tudo é que culpamos Deus, ou São Pedro, como afirmam muitos prefeitos de muitas cidades brasileiras.