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Fabiano Fideles

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Fabiano Fideles 17/04/2016
Fabiano Fideles
jjura2@terra.com.br
Fabiano Fidelis

ESPERANÇA

Às 14h de hoje o nosso país vive mais uma daquelas quadras que serão registradas nos livros de História e contadas aos estudantes do futuro. Pela segunda vez, desde o restabelecimento democrático pós 64, um chefe de Estado passará pelo crivo do impeachment. O que se vê nos olhos da maioria das pessoas é um sentimento de esperança. “De que as coisas melhorem.”

QUEM NOS SALVA?

Já nos ambientes mais politizados, onde o jogo de Brasília é bem melhor entendido, o sentimento é completamente outro.  Embalado pelo alarido das ruas, o PMDB soube surfar na onda e está conduzindo de forma competente a pauta, de forma a sair mais fortalecido do processo.  Para os que entendem do “riscado”, a pergunta não se cala: o Temer salvará o Brasil das garras do PT. Quem nos salvará do Temer?

OTIMISMO!

Um ex-ministro do governo FHC, hoje morando no Triângulo, fez uma análise bastante enxuta e muito objetiva das chances do PMDB terminar bem este jogo ao qual se lançou. Segundo este analista, Temer precisaria, logo em sua posse, dar um “choque de democracia” no país. Algo na linha de lançamento de um plebiscito geral para mudança do sistema político, ou convocação de eleições gerais. Mas o mesmo analista abaixa os olhos e reconhece, acabrunhado, que é otimismo demais esperar algo assim.

BOBAGENS

O processo de impeachment que o Brasil assistirá na tarde de hoje, traz em seu bojo uma discussão insólita e eivada de bobagens.  As “pedaladas fiscais”, tal como o carro Fiat-Elba de 24 anos atrás, são o “minínimum-minimorum” a dar embasamento ao julgamento, que é político. Não foi o Fiat-Elba que cassou Collor... Foi o gravíssimo esquema de corrupção, montado a partir de seu escudeiro-mor, Paulo César Farias, o PC.  Quem insiste na tese de “motivos frágeis” para o impedimento de Dilma, perdeu o trem da história ou nunca entendeu de política.

COINCIDÊNCIAS

Tal como ocorreu há um quarto de século, Dilma Roussef vê seu governo ser impedido devido a uma mistura tóxica de corrupção e mentiras de campanha.  Em 1992, Collor de Melo elegeu-se prometendo um combate sem tréguas à corrupção e uma verdadeira cassada aos “marajás”.  Eleito, confiscou a poupança, não cassou marajá algum e, ainda por cima, apresentou ao país a lendária figura de PC Farias. Foi fatal! Mentiras de campanha adicionadas à corrupção. Resultado: impeachment!

MENOS PIOR

E olhando de um ponto de vista bastante técnico, não há muito o que reclamar do STF, que negou na madrugada de ontem o pedido da Advocacia Geral da União, de impedir a votação deste domingo. Em um país onde não existe regime parlamentarista, a única forma (constitucional) de se apear um mau governo, é através do impeachment mesmo.  Ainda que a sucessão esperada se mostre insuficiente para atender as expectativas, já será bem melhor que o beco sem saída que o atual governo cavou para si mesmo.   

ESPINHO

Em Uberaba, o funcionalismo público municipal ainda está tentando, com toda boa vontade, deglutir a informação do governo Piau de que este será um ano de “reajuste zero” para os servidores. O que anda engasgando as lideranças sindicais é que, concomitantemente, a administração acaba de confirmar um aumento salarial significativo para os secretários municipais, além de uma gorda gratificação (um salário integral) a ser repassada anualmente aos mesmos, todo mês de janeiro!

DOIS MAIS DOIS

Aliás, tão logo esse apetitoso novo salário foi oficializado aos secretários municipais, um efeito imediato ocorreu na área da política. Alguns partidos não terão como candidatos a vereador vários secretários, tidos como certos na disputa para a Câmara Municipal. Pelo menos quatro desistências foram confirmadas em sequência. Sem ser candidato, o mais prosaico (e também o menor, fisicamente) dos secretários, explicou a debandada com uma frase irônica: você sabe somar dois mais dois?

AH, NEM!

Enquanto isso, para não perder o mote, a Câmara Municipal iniciou uma discussão bastante polêmica na semana passada. Se os servidores não terão reajuste, então os vereadores também devem abrir mão do aumento que votaram para si mesmos recentemente! Quem inaugurou a polêmica foi o sempre polemista Borjão. Teve a simpatia de muitos pares. Mas Franco Cartafina, que já se comprometera com instituição de caridade, a quem destinaria o seu diferencial do aumento, já se demonstrou contrário à iniciativa. A verdade é que essas discussões de vereadores, em torno de seus próprios vencimentos, apenas servem para aumentar a ojeriza da população com seus representantes municipais.

O PEDIDO

Chegou ao Ministério Público de Uberaba um pedido para abertura de procedimento contra a cobrança de pedágio na BR/262. Pedido está sendo analisado pelo promotor João Davina e o embasamento do pleito seria a péssima condição da pista de rolamento, com buracos e “facões” por toda sua extensão. Entre Campo Florido e Belo Horizonte existem seis praças de pedágios, mantidos pelo consórcio concessionário da rodovia. Carros particulares pagam média de R$ 5,00. Caminhões, em média, R$ 25,00.

NEGÓCIO DA CHINA

Porém, o mais grave nesta cobrança, está nas condições contratuais estabelecidas para que tal concessão ocorresse. Evidentemente a BR-262 somente foi transferida à iniciativa privada para ter sua pista duplicada. Jeitinhos, marotagem, espertezas e outros vícios, permitiram o início da cobrança aos usuários, sem que os 350 quilômetros mais perigosos da rodovia fossem duplicados.  Hoje a concessão da 262 à iniciativa privada pode ser considerada um dos negócios mais rentáveis do país. Nada dá tanto lucro. Talvez o tráfico de drogas. Carece checar!

NEM ESTE TRECHO???

Quando se debruçar para analisar este “triunfo da esperteza”, que é a concessão da BR 262, o promotor João Davina deverá se surpreender com um fato. Para cobrar pedágio ao longo da rodovia, a concessionária deveria duplicar “pelo menos 10% de todo o percurso concedido”.  Convenientemente, a área escolhida foi entre Campo Florido e Uberaba, plana como uma mesa, e onde passa um carro ou caminhão a cada meia hora. Porém, nem neste trecho que permitiu a cobrança, a obra foi realizada de forma completa.

ESCÁRNIO

Quem transita hoje entre Uberaba e Campo Florido, pela 262, irá notar que em todos os trechos que exigem obras de arte ou duplicação de pontes, a pista volta a ser simples. Não se enfrentou a onça, uma questão de economia!  Todos os locais da pista onde deveria haver rotatórias de retorno, as placas avisam candidamente tratar-se de “retorno provisório”. E todos os viadutos de acesso às pequenas cidades do entorno de Uberaba, como Veríssimo e Água Comprida, tiveram só suas plataformas superiores concluídas. São estruturas de concreto que de nada servem e ligam o vazio à atmosfera. Realmente, é um escárnio com o contribuinte...

PERGUNTA

Agora, com o assunto entregue ao Ministério Público (e em tempos de Lava Jato), as esperanças dos usuários da BR 262 NÃO SÃO de que a cobrança do pedágio seja interrompida. Mas sim que o propósito, o objetivo da concessão seja atendido. Porque se for o caso de apenas interromper uma cobrança indevida, iremos todos ficar com a pergunta rondando nossas mentes, qual uma mosca mansa. O que fazer com a fortuna que já foi cobrada até agora?

 

COMO É QUE É?

Ninguém entendeu nada. Um cidadão, absolutamente indignado com o corte das árvores promovido pela Prefeitura Municipal, em função do projeto de implantação do BRT em sua nova fase, decidiu colocar a boca no trombone.  Vai publicar moção de repúdio e pedir imediatamente a paralisação do projeto de BRT que, no seu entender, é uma agressão ao meio ambiente, é indecoroso do ponto de vista urbanístico e é nefasto para a mãe natureza. O que ninguém está entendendo é que o cidadão que está promovendo essa verdadeira guerra contra a Prefeitura, tem nome, sobrenome e cargo: Ricardo Lima, secretário Municipal do Meio Ambiente.  Como diz nosso jocoso povo: é mole?

EXPLICANDO

Porém, a nota acima só causa estranheza para quem não conhece o secretário Municipal de Meio Ambiente. Lima é um dos mais premiados ambientalistas brasileiros, membro de inúmeros órgãos de defesa ambiental e seguramente está situado entre os dez brasileiros mais citados no exterior como defensor dos recursos naturais de nosso país. Com este currículo invejável, o moço pode se dar ao luxo de puxar as orelhas do patrão de vez em quando.

SOCORRO!

Com o acirramento da guerra entre polícia e bandidos na zona metropolitana de Belo Horizonte, a corda estourou pelo lado mais fraco. O interior de Minas, inclusive nossa região, sofreu um aumento inusitado de ocorrências de assaltos, roubos e homicídios. A banalização da explosão de caixas eletrônicos chegou a um estágio jamais sonhado.  Desanimadas, as agências bancárias desistem de reimplantar as unidades vandalizadas. Com isso, as filas se multiplicam nas lotéricas. E com isso, pobres lotéricas!  São as novas vítimas!

ATÉ TU BRUTUS?

Essa loucura que se tornou a questão da Segurança Pública em Minas Gerais só pode ser explicada através do descaso, da falta de planejamento, da ausência de recursos ou mesmo de interesse das nossas autoridades estaduais. Se a capital do Estado e sua região metropolitana tornaram-se as maiores exportadoras de bandidos, o governador já deveria há muito tempo ter mobilizado um plano de emergência para socorrer o interior!  É preciso caçar, cercar e prender os bandidos que infernizam as pequenas cidades. O problema – aliás, grande problema – é que nós, mineiros, nem mesmo sabemos se o governador não será, ele mesmo, preso a qualquer momento.  

 

 

URBANISMO

A propósito da reclamação dos moradores da avenida Santos Dumont, que, alegando questões de segurança, não querem tachões (querem uma ilha) separando as pistas de rolamento. A Secretaria de Urbanismo informou que a travessia de pedestres deve ser feita na faixa adequada para isso. Elas estarão presentes ao longo da avenida, onde existem vários semáforos servindo às ruas transversais.  A coluna lembra que nos primórdios de Uberaba, os prefeitos separavam as pistas com árvores. Depois veio a “safra” de prefeitos amputadores de árvores. Depois vieram os coqueiros... Agora é a temporada dos tachões. Quem sabe um dia Uberaba ainda volta a seus primórdios?

FORTUNA DESPERDIÇADA

E por falar em urbanismo, em visita recente à cidade, onde possui larga roda de amigos, um premiado arquiteto, natural de Patrocínio, lançou uma profecia que a atual geração de uberabenses muito possivelmente não poderá conferir. Apontando para a avenida Leopoldino de Oliveira e seu escaldante asfalto, ele foi incisivo: podem ter certeza. Toda essa fortuna gasta para canalizar os córregos de Uberaba, é dinheiro jogado fora. A cidade não terá salvação se não devolver os mananciais para o céu aberto e promover o replantio de árvores.

MERECIDOS APLAUSOS!

Quando erram, batemos. Mas quando acertam, aplausos! Prefeito Paulo Piau e seu secretário Municipal de Saúde, Marco Túlio Cury, estão conseguindo impedir a entrada de Uberaba na pavorosa lista dos municípios mineiros onde a infestação do Aedes já é incontrolável. A contagem (abaixo do ano passado) dos índices de “Lira” mostra o acerto de ações eficientes e práticas que vêm sendo tomadas, como os mutirões de limpeza, que ontem, sábado, beneficiaram o Jardim Espírito Santo, o bairro Tancredo Neves e a Vila Militar.

MERECIDAS VAIAS?

As cenas de vaias no interior de uma pizzaria e, de ontem, com manifestações e buzinaços às portas do escritório regional do deputado Aelton de Freitas (PR-MG) podem ser explicadas pelo clima reinante no país em torno do processo de impeachment, que hoje será votado. Porém, mesmo diante deste entendimento, sempre é bom lembrar que Uberaba, cantada e decantada por sua hospitalidade e cultura, não deveria ser o berço da intolerância e de ódios reprimidos.  Civilidade cabe em toda parte. O momento político é, com certeza, polêmico e palpitante. Mas nada justifica agredir quem quer que seja, principalmente na presença de seus familiares, como era o caso do mencionado deputado naquela ocasião. Foi constrangedor.

 

PARA TODOS...

Pecuaristas uberabenses, falando à coluna, comentaram um aspecto interessante da atual campanha em torno da Presidência da ABCZ, cujas eleições se darão em agosto.  Um dos concorrentes, Arnaldo Machado Borges, adotou o slogan que o PT escolheu para governar o Brasil. A coincidência está fazendo muita gente torcer o nariz: “ABCZ Para Todos”.