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Marcos Montes

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Marcos Montes 04/12/2016
Marcos Montes
dep.marcosmontes@camara.leg.br
Marcos Montes

“MEU COMPROMISSO É COM A SOCIEDADE”

 

Tenho preservado ao longo da minha trajetória de homem público o compromisso com toda a sociedade - com os que votaram e os que não votaram em mim, pois todos merecem e têm direito ao mesmo tratamento por parte dos agentes públicos.

Não abro mão de exercer os meus mandatos sempre pautado na ética e na responsabilidade com as atribuições destes mandatos.  

E não existe nada, nestes 20 anos de exercício de cargos eletivos (de prefeito em duas gestões e deputado federal em três legislaturas), que me impeça de andar de cabeça erguida, seja na minha querida Uberaba, seja em outras cidades que represento.

Converso este assunto hoje, com vocês, não por causa dos comentários maldosos e grosseiros postados em meus espaços nas redes sociais, mas sim, por causa dos comentários de amigos que se dizem decepcionados por eu ter votado a favor da emenda que inclui promotores e juízes entre os brasileiros sujeitos aos rigores da lei...

Sei que tem gente usando estes espaços para me ofender e à minha família, na verdade aproveitando a oportunidade para exercer uma retaliação pelo fato de eu ter votado a favor do impeachment da ex-presidente.

Lamento que o Brasil de 12 milhões de desempregados pelo governo passado ainda seja desconhecido de boa parte de seus filhos, inclusive de muitos que estão sofrendo as consequências funestas deste período.

Mas, o que vem ao caso, nesta minha conversa com vocês, é o julgamento equivocado por parte de amigos e apoiadores dos meus mandatos.

Jamais irei pautar minhas decisões na Câmara dos Deputados em outra motivação que não seja o interesse público, que não seja o bem do nosso Brasil. Não me deixo influenciar por questões  pessoais, por amizades, por pressões, ou quaisquer outros fatores que não surjam da minha consciência.

Gostaria de lembrar que ainda respondo a um processo da época em que fui prefeito pela primeira vez – há cerca de 20 anos -, quando, na ansiedade por fazer o melhor pela minha querida Uberaba, acabei provocando uma ação administrativa que, na avaliação do Ministério Público, não podia ter sido realizada.

Processo esse, que faço questão de ressaltar, está livre de qualquer dolo, o que me permite continuar disputando e exercendo cargo público.

Lembro ainda, que a representação foi um ato do promotor de Justiça José Carlos Fernandes Júnior, pessoa e profissional da mais alta qualidade, a quem respeito muito, e mais do que isso: a quem tive a oportunidade de conhecer mais de perto e com quem pude desenvolver um relacionamento que ouso chamar de uma “boa amizade”...

Entendo que o Ministério Público, através do promotor José Carlos Fernandes, estava no seu papel de defender o patrimônio público, e que tudo foi feito de acordo com os trâmites legais, inclusive com amplo direito de defesa.

É claro que este fato me aborreceu e entristeceu muito, mas me fez ver e entender o brilhante trabalho que o promotor José Carlos Fernandes já executava naquela época e continua exercendo ainda hoje, com uma abrangência mais ampla em função do reconhecimento que tem por parte do Ministério Público e da sociedade.

Comento esta passagem da minha vida para que vocês compreendam que não existe nada que mova meu mandato de deputado federal que não seja a minha consciência. Acredito que a divergência seja uma forma de crescimento. Mas, sempre deixei claro – e reafirmo – que minha posição de combate à corrupção é inabalável, e que confio e defendo o trabalho da força tarefa da Operação Lava Jato.

Não temo o trabalho da força tarefa, não tenho nenhum motivo para retaliação, e entendo que os promotores e juízes da Lava Jato não têm qualquer razão que seja para temerem a lei do abuso de autoridade.

Minha opinião continua a mesma: todos têm que ser iguais perante a lei. Se um presidente da República (o cargo mais alto do País), um governador, um prefeito, um vereador, um ministro do Supremo, um servidor público humilde estão sujeitos aos rigores da lei nada justifica que juízes e promotores fiquem à margem disso, como se estivessem acima do bem e do mal.

Não sei a motivação de cada colega deputado na votação da emenda do abuso de poder, mas sei a minha, que é a de proteger a sociedade brasileira.

Precisamos ficar sempre atentos, pois amanhã o abuso de poder pode acontecer com qualquer cidadão.

 

(*) Marcos Montes é deputado federal, vice-líder da bancada do PSD e coordenador regional da legenda no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba; vice-líder do governo Michel Temer (PMDB) na Câmara; presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), fundador e presidente do PSD de Uberaba (MG), onde é majoritário, tem domicílio eleitoral e foi prefeito em duas gestões