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Marcos Montes

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Marcos Montes 24/07/2015
Marcos Montes
dep.marcosmontes@camara.leg.br
Marcos Montes

“Apesar da crise econômica e ética, a democracia brasileira não corre risco de retrocesso”

 

As principais manchetes - Não poderia iniciar esta nossa conversa, neste dia 24 de julho, que não fosse refletindo sobre a crise brasileira, lembrando que, ao longo da semana, ela se desdobrou em várias frentes, todas elas preocupantes. As manchetes dos principais veículos de comunicação do país se dividem entre a pesquisa mais recente, que indicou que mais de 60% dos brasileiros defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff; a redução da meta fiscal, e a notícia de que o ex-presidente Lula quer a ajuda do seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso, para enfrentar a crise e evitar o impeachment.

Pra quando agosto chegar - Com certeza absoluta, o retorno do Congresso Nacional às atividades normais, em agosto, será muito complicado. Além de emendas constitucionais polêmicas já em pauta, incluindo a reforma política e a maioridade penal, agora se acrescentam os projetos de lei relacionados à redução de meta fiscal. Difícil saber qual destes assuntos vai provocar mais tensão na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

 

 

Expectativa é de que agosto será um mês explosivo na Câmara dos Deputados (Foto: Luís Macedo)

 

Crescimento zero e recessão - Eu, particularmente, mesmo sendo crítico dos governos do PT, votei a favor de algumas propostas do ajuste fiscal, confiando que elas eram imprescindíveis para que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tentasse amenizar a crise. A palavra certa é esta mesmo: tentar. A verdade é que já prevíamos que a tentativa poderia não ter um final feliz. E foi o que aconteceu. A redução da meta fiscal anunciada esta semana pelo ministro da Fazenda reforça a tese de que o país estagnou.

Consciência - Tenho dito e reforçado que voto no Parlamento de acordo com minha consciência – e por isso, apesar de ter um pé atrás, apoiei algumas propostas do governo federal. Entretanto, está ficando cada vez mais difícil dar este voto de confiança. Fica evidente que o governo do PT não tem a estrutura necessária para reverter a crise atual.

A paternidade - E aqui, faço uma reflexão sobre a investida do presidente Lula na busca de apoio do antecessor FHC... Pura hipocrisia. Não passa de mais uma tentativa de se fazer de vítima e de “bonzinho” – coisa que ele fez ao longo de seus dois governos, e vem fazendo diante da crise econômica e ética que tomou conta do país. Ele é o grande responsável por esta situação. Acontece que tanto a crise econômica – motivada por decisões equivocadas -, quanto a crise ética – que levou a corrupção a índices surpreendentes – explodiram no colo da sua sucessora. Agora, Lula faz das tripas o coração para passar a impressão de que não teve nada com isso.

A democracia brasileira – Apesar de tudo isso, discordo de alguns "analistas de plantão" que estão prevendo retrocesso na democracia brasileira. Nossa democracia é jovem, mas é firme e forte, capaz de suportar raios e trovoadas e de se sair muito bem. Não sei a quem interessa a tese do retrocesso, mas, com certeza, não corresponde à realidade. Nossas instituições avançaram muito e estão funcionando adequadamente. E cito como exemplos, o Judiciário, o Congresso Nacional e a voz do povo. Não acredito, definitivamente, que estamos correndo riscos de retrocedermos.

Déjà vu - Aliás, gostaria de lembrar que, em tempos também muito ruins, marcados por confisco do dinheiro da população e de denúncias graves de corrupção, nossas instituições se mantiveram firmes diante do impeachment de um presidente da República.