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Audiência Pública da Câmara cria Comissão para ajudar os times do USC e Nacional FC

19/06/2013

Um Conselho foi criado para tentar ajudar os times do Uberaba Sport Club e Nacional Futebol Clube. A sugestão foi acatada durante a Audiência Pública realizada na noite da última terça-feira (18), no Plenário da Câmara Municipal.

A iniciativa de realizar a reunião partiu do presidente da CMU, vereador Elmar Goulart (PSL). Ele explicou que decidiu realizar a Audiência para dar a oportunidade aos times de se manifestarem sobre as dificuldades que estão enfrentando.

Entre os participantes, estavam presentes os vereadores Ismar Vicente dos Santos - Marão (PSB) e Edcarlo dos Santos Carneiro - Kaká Se Liga (PSL), o subsecretário de Esportes, Itamar Ribeiro, os presidentes do Nacional, Salem Ibrahim El Messih, e do USC, Luiz Humberto Alves Borges, bem como representantes das torcidas organizadas dos dois times, dirigentes dos clubes, entre outros.

Ao falar sobre o time, o presidente do Nacional, que está no comando há dois anos e seis meses, comentou ter conseguido evitar que o Estádio JK fosse leiloado para pagar dívidas. A situação agora, de acordo com Salim, está controlada. Ele contou, ainda, que tem procurado realizar um trabalho na área juvenil, sendo que uma das dificuldades é que os jovens querem ganhar muito para disputar torneios profissionalmente, por isso desistiu de participar deste tipo de competição.

Para Salim, a cidade está carente de futebol. “Eu espero que consigam uma solução para que possamos viabilizar dinheiro para ter a alegria que tinha antigamente na cidade, a rivalidade saudável entre os times, o que não existe mais”, disse o presidente do Nacional. Ainda segundo ele, infelizmente quase 100% das portas são fechadas para os clubes no que diz respeito a dinheiro, e que “a cidade precisa ter um bom futebol”.

Já o presidente do USC, Luiz Humberto, afirmou que o futebol profissional no interior tem muitas dificuldades, inclusive para formar atletas. “Infelizmente hoje os bons atletas saem muito cedo do interior para os grandes clubes, com 10, 12 anos, e isto dificulta encontrar jovens com mais capacidades para os pequenos clubes”, explicou.

Para Luiz Humberto, a gestão dos clubes do interior é feita geralmente por voluntários. Ele entende que existe a necessidade de se transformar em um clube-empresa, onde as pessoas sejam contratadas para desenvolver seu trabalho, com conhecimento, o que muitas vezes não acontece com os voluntários, pois às vezes eles não têm o preparo profissional e o conhecimento para desenvolver a função com a competência necessária.

Sobre a possibilidade de o poder público ajudar os clubes profissionais da cidade, Luiz Humberto apresentou algumas sugestões que não envolvem o uso de verba pública como, por exemplo, ações de marketing, licitação de bares para comercializar alimentos, comercialização de camarotes, apoio político junto à empresas com potencial de patrocínio, disponibilização de ambulâncias e médicos nos jogos realizados no Estádio Engenheiro João Guido (o custo do aluguel de uma ambulância particular não sai por menos de R$ 900), e apoio para as categorias de base mediante fornecimento de material esportivo.

O subsecretário Itamar Ribeiro parabenizou a todos que lutam e trabalham pelo futebol da cidade. Segundo ele, é preciso cobrar dos dirigentes uma boa gestão do futebol, assim como a participação da direção do estádio. Para Itamar, é preciso, também, buscar parcerias, como o próprio poder público, inclusive a Câmara e a imprensa, afirmando ver com tristeza o que já foi o futebol na cidade e o que se transformou hoje.

O representante da Secretaria de Esportes ainda sugeriu que a população e até mesmo servidores públicos possam ajudar, seja com R$ 1 por mês, através do Codau e da Cemig, por exemplo. Ele entende que muitas empresas da cidade poderiam contribuir, mas falta uma mobilização maior, inclusive com outros seguimentos, como o Rotary, além dos deputados que representam a cidade. “É preciso mais união”, disse Itamar Ribeiro.

A diretoria do Nacional explicou que o time vai participar da terceira divisão do Campeonato Mineiro este ano, valorizando os jogadores através de um trabalho social, na expectativa de que a cidade em geral se sensibilize com o trabalho que estão tentando realizar. Os dirigentes estão trabalhando na tentativa de captar recursos e pediram a ajuda dos vereadores. O Naça espera subir para a segunda divisão e em seguida para a primeira, em 2014. Já o USC caiu para a segunda divisão da competição em 2012.

Empresa Hold Marketing e Consultoria, que presta serviços ao Nacional, apresentou uma análise do que pode ser feito, destacando que todas as possibilidades de receitas devem ser levadas em consideração, sem depender apenas da abnegação de diretores e torcedores. Entre as ações que estão tentando viabilizar recursos para o clube, está a Avante Naça, que conta com 200 associados. Além disso, o clube social está passando por reformas para torná-lo mais atrativo. A intenção agora é de também ampliar as ofertas de serviços, o conforto e a segurança, além de discutir com a Federação Mineira os horários dos jogos.

O representante da empresa destacou que, do ponto de vista de mercado, os dois clubes não são concorrentes, e se ambos estiverem em boa situação, é bom para a cidade. Ele também afirmou que o estádio precisa ter boas condições, como espaço de entretenimento, além de fazer um comparativo do custo benefício da empresa ao patrocinar o time, confrontando o valor investido com o custo de uma propaganda no jornal ou na TV, por exemplo.

O vereador Ismar Marão disse ter uma preocupação muito grande com relação às categorias de base. “Eu fico triste ao tomar conhecimento de que eles vão disputar o campeonato amador, pois dificilmente vão conseguir retornar para o futebol profissional”. De acordo com o parlamentar, todos os vereadores deveriam estar presentes nestas reuniões, apoiando ambos os clubes, buscando patrocinadores, assim como o Executivo também, captando recursos para os times da cidade.

Ao ser questionado por um participante da Audiência, sobre a possibilidade de a CMU destinar verba publicitária aos times, o presidente Elmar explicou que a Casa conta com uma verba, que é obrigatória e legalmente constituída, mas não sabe se a Câmara teria o valor necessário para ajudar os clubes. Mesmo assim ele ficou de analisar e dar uma resposta aos interessados.

Para Elmar, os 14 vereadores têm a obrigação de ajudar os times, pois investir em esporte é também investir em saúde. Ele se comprometeu a trabalhar para ajudar, visitando empresas e pedindo ao prefeito que intervenha junto aos fornecedores da Prefeitura, além de procurar parcerias com grandes empresas, como a Vale e a Bunge.

Outra sugestão que será analisada é a possibilidade de retornar o convênio com torcedores, funcionários públicos, para que possam contribuir e participar dos jogos.

O vereador Kaká Se Liga ressaltou que os problemas são os mesmos, há 10, 15, 20 anos, e vão continuar os mesmos. Ele concordou com a formação de uma Comissão, mas lembrou que o prefeito também tem que ter a vontade de se comprometer. “O Executivo tem grandes e vários fornecedores e acredito que se a Prefeitura não pode bancar, pode conversar com eles e pedir uma reciprocidade, doando para os times um pouco do lucro que têm com o poder público da cidade”, disse Kaká.

O vereador ainda disse que, caso o presidente Elmar consiga juridicamente ajudar, até mesmo através da colocação de placas no estádio durante os jogos, se compromete na sua gestão em 2016 dar prosseguimento e tem certeza de que os demais presidentes, Samir Cecílio (PR) e Cléber Humberto de Souza Ramos – Cléber Cabeludo (PMDB), também fariam o mesmo.

Kaká ainda mencionou a possibilidade de a Câmara tentar destinar verbas através da Lei Orçamentária Anual (LOA), que deverá ser votada no final do ano. Ele ainda sugeriu parcerias com a Uniube e a UFTM, através dos alunos das áreas de saúde e de esportes (educação física). O vereador se comprometeu a destinar parte das emendas aos dois times e sugeriu que eles peçam o mesmo aos demais vereadores.

Outra sugestão apresentada por Kaká é de que os times se juntem e montem uma espécie de jogo, com sorteios de veículos, vendas exclusivas para a cidade e renda voltadas para ambos os clubes. “Tenho certeza de que teriam uma ótima receita”, disse o vereador.

Ao final da Audiência o presidente Elmar solicitou aos vereadores Kaká e Marão que sejam os representantes da Casa na Comissão. Os presidentes dos clubes apresentaram três nomes cada um, para também integrarem a Comissão, assim como um representante da imprensa local. O subsecretário Itamar Ribeiro ficou de verificar a possibilidade de um integrante da secretaria também fazer parte do grupo, uma vez que não poderia tomar a decisão sozinho.

A primeira reunião foi marcada para o dia 28, na sala JK, a partir das 14 horas. A expectativa, segundo o presidente Elmar, é de que tanto a Audiência quanto a Comissão tenham resultados práticos, que possam realmente ajudar os times.