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Interatividade - JU nas ruas

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Velório de Djalma Santos será na Câmara Municipal



Assim que foi divulgada a morte do do bi-campeão de futebol, Dijalma Santos, cerca de 20 parentes e amigos foram para o Hospital Dr. Hélio Angotti. Pessoas da Maçonaria e o presidente da Câmara Municipal, vereador Elmar Goulart foram ao hospital e ofereceram, tanto salão da Maçonaria quanto a Câmara, para o velório. A família optou pelo velório no Plenário da Câmara Municipal. O corpo de Djalma Santos foi preparado no próprio hospital e liberado para o velório por volta de meia-noite. O sepultamento será às 17h, no cemitério São João Batista.

Uma das última aparições públicas de Dijalma Santos foi durante a ExpoZebu deste ano, quando estava sentado na arquibancada e Pelé estava no palanque para lançar programa do governo federal. A presidente Dilma Rousseff o viu na arquibancada e prestou homenagem ao bi-campeão, o que emocionou a todos, inclusive ao rei Pelé. 

Também no início deste ano, no aniversário de Uberaba, Dijalma Santos concedeu entrevista ao JORNAL DE UBERABA. Na entrevista ele lembrou que já havia disputado 111 partidas pela Seleção Brasileira de Futebol. De quatro Copas do Mundo que participou (1954, 1958, 1962 e 1966), venceu duas (1958 e 1962). Além disso, é considerado o maior lateral direito de todos os tempos.Mostrou as centenas de troféus, medalhas e títulos, que conservava com carinho em sua casa no bairro Cássio Resende, em Uberaba.  Relembre um pouco de sua história, contada por ele mesmo.

“Dejalma dos Santos carrega este nome de batismo desde que nasceu em 27 de fevereiro 1929 em São Paulo. A paixão pela bola começou aos 16 anos de idade. “Éramos uma turminha de garotos que jogava sempre. Até que um dia um ex-jogador da Portuguesa me levou para lá. Fui convidado para jogar no profissional. Nessa época, eu jogava como zagueiro central. Só depois me tornei lateral direito e fui para a Seleção Brasileira para jogar nesta posição e por lá fiquei por 16 anos. Ganhei duas Copas, perdi duas, não devo nada”, conta o craque, com bom humor. 

 Jogou por dez anos e dois meses (1949/1958) pela Portuguesa de Desportos, onde conquistou os títulos dos torneios Rio-São Paulo (1952) e Roberto Gomes Pedrosa (1955). Em 1959, Djalma foi vendido ao Palmeiras. “Nesta época, a Portuguesa havia comprado o estádio Canindé do São Paulo, e, como o campo era pequeno, precisava de um dinheiro para reformar o estádio. Foi quando me venderam para o Palmeiras”, revela Santos, que foi o primeiro jogador negro da história do Palestra e onde permaneceu por mais dez anos (1959/1968), conquistando os títulos de campeão da Taça Brasil (1960 e 1967), do Robertão (1967), do Campeonato Paulista (1959, 1963 e 1966) e do Torneio Rio-São Paulo (1965). “Quando eu estava encerrando minha carreira e não queria mais nada, o então presidente do Atlético Paranaense chegou até mim e disse: ‘você quer jogar no meu time quando você parar de jogar bola?’. Aceitei. Fui jogar no Atlético Paranaense aos 41 anos de idade e fiquei até os 42", conta Djalma, que ainda foi campeão paranaense pelo clube, em 1970.

Questionado sobre o que o levou a jogar futebol por tanto tempo, Djalma Santos atribui o fato à vida tranquila e simples que levava. “Tudo é questão de se cuidar. Não bebia, não fumava. Levava uma vida muito certa e normal”, revelou.
Dijalma Santos conta que veio a Uberaba pela primeira vez a passeio, visitar parentes de sua primeira esposa, da qual é viúvo. “Vim fazer uma visita, gostei e já estou aqui há trinta anos. Me casei novamente com a Esmeralda, minha companheira há sete anos.”

Em Uberaba, Dijalma Santos desenvolveu vários projetos na área esportiva. Coordenou o projeto “Bem de Rua Bom de Bola”, na gestão do prefeito Marcos Montes, de 2001 a 2004. “Era uma escola de futebol que beneficiava 4 mil adolescentes de até 16 anos. Sem dúvida, um projeto muito bom que incentivava a prática do esporte e também dos estudos, já que, para ser titular, o aluno tinha que estar em dia com as notas na escola”, relembra Djalma. Também foi secretário de Esportes durante o governo do então prefeito Odo Adão, após renuncia do ex-=prefeito Marcos Montes, que saiu para ser secretário de Estado..

Sobre o cenário esportivo da cidade, Dijalma Santos é taxativo: “Vai bem mal! O comércio e os empresários em geral deveriam ajudar mais. Nós temos o Uberaba Sport e o Nacional que importam jogadores de outros clubes. Não temos jogadores da cidade. Com o projeto para os adolescentes isso seria possível. Ter jogadores daqui. Valorizar as pessoas daqui. É perfeitamente possível que grandes craques estejam escondidos nos bairros de Uberaba”. Djalma ainda revela a vontade de voltar a executar o projeto na cidade. “É uma coisa que não existe em Uberaba. Nos dias de semana estamos com os campos vazios e ociosos. Por que não colocar a criançada para treinar? Não é um projeto caro e o retorno social é grande demais. A prática do esporte tira a criança da rua e traz disciplina para a vida dela”.

Dijalma coordenava o Instituto Djalma Santos, na cidade de Conquista/MG, fundado em 1994, que oferece aulas de futebol a milhares de crianças e adolescentes. Ele deixou evidente a vontade de voltar a desenvolver um projeto nos mesmos moldes  em Uberaba. “Já estou em conversa com o prefeito Paulo Piau, cogitando a possibilidade de voltarmos a desenvolver um projeto neste sentido na cidade. Vamos ver, acho que vai sair”, revela Djalma. “Nestes 193 anos de Uberaba, parabenizo a cidade, mas com a ressalva de que muita coisa deve ser melhorada. Acho que o novo prefeito vai fazer o que deve ser feito. Tenho fé que Uberaba vai melhorar, e é por isso que estou aqui até hoje”, finaliza o eterno craque Djalma Santos e ilustre cidadão honorário uberabense.