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A preocupação da Veja

Preso desde o início dessa semana, acusado de cometer uma série de abusos sexuais, João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus, deixou incerto o futuro da “Casa Dom Inácio de Loyola”, na pequena e agora conturbada cidade de Abadiânia, em Goiás. Ao menos é o que diz uma matéria feita na última segunda-feira (17) pela “Revista Veja”, intitulada “Sem presença de João de Deus, futuro de centro espiritual é incerto”.
Eu nem vou colocar em questão o caso de João de Deus em si, mas um fato que me chamou a atenção na reportagem: A afirmação do professor de Sociologia e coordenador do Núcleo de Estudos de Religião, Economia e Política da Universidade Federal de São Carlos, André Ricardo de Souza, que estimou que a perspectiva seja de que fiéis sigam viajando para Abadiânia, mas em uma proporção menor e talvez mais regional do que a atual. Num trecho da entrevista ele disse: “Talvez dê para comparar com o que ocorreu em Uberaba depois que Chico Xavier morreu. Outros psicógrafos surgiram e atraem pessoas. Tem fluxo, mas é bem menor”.
Não faltou quem não tivesse criticado a comparação, a maioria relacionada ao porte e ao que as duas cidades têm a oferecer, mas muitos também tomaram as dores do lado de Chico Xavier, não aceitando em hipótese alguma a comparação. E, claro, quem misturasse o assunto com política. Um dos internautas escreveu: “Os crédulos são a maioria do povo e sempre haverá Joãos de Deus e políticos para roubá-los”. Resumindo: Alguns mais exaltados e outros mais engraçados, tudo seguindo a tipicidade de quem navega pela rede. A propósito, sempre que falam em Chico Xavier, eu me lembro do “Nosso lar”, e sempre que “Nosso lar” me vem à mente, me lembro de uma história envolvendo meu amigo Tony Reis. Quem conhece o caso saberá do que estou me referindo. Aqui, quem sabe eu escreva sobre isso em outra ocasião.
Divagações à parte, voltando ao cerne da tal indagação da “Revista Veja”, obviamente não faltou quem sugerisse resposta. Teve um que escreveu: “Já que é para se autointitular com nome de divindade, basta colocar o Inri Cristo em seu lugar!”, já outro foi mais tecnológico: “É simples! É só fazer um upload do espírito para a nuvem e depois baixá-lo no corpo de outro médium!”.
Provavelmente você já recebeu uma mensagem via WhatsApp dizendo: “Está complicado. Se a gente vai à igreja, morre baleado, se vai procurar tratamento espiritual, lhe estupram. O jeito é ficar no bar”. Sendo assim…

Carlinhos Sete – É escritor e cronista. Também faz o quadro “Aí tem” na Rádio Sete Colinas. Seu novo romance, “Desamores”, já está disponível nas melhores livrarias da cidade.

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