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A punição tem que vir

Quando há três anos estourou a barragem da Samarco, em Mariana, uma sexta-feira, dia 5 de novembro, encerrávamos o Fórum Brasileiro de Mineração. Para todos nós foi um grande susto e perplexidade total. Algo inimaginável mesmo para os que, militando no setor, conhecem os riscos da atividade. Inimaginável também foi a postura do então presidente da Samarco, Ricardo Vescovi que se manteve em silêncio, como se ele, e a empresa que presidia, não tivessem qualquer responsabilidade sobre os fatos. A Vale, como sabem, é sócia da Vale. Diferentemente, Fábio Schwartzman, que comanda a Vale, já nos primeiros momentos da tragédia de Brumadinho, se mostrou presente.
Deu a “cara a tapa”, sem assumir culpa, mas não fugindo das responsabilidades. Infelizmente sua postura profissional e humana, não diminui o drama e a dor das famílias que perderam, ou vivem a dúvida da perda, de algum, ou alguns, de seus entes, no maior desastre socioambiental do país, superando em muito o de Mariana. Mas pelo menos não deixou um vazio de responsabilidade. Tomara que este sentimento não se frustre. Que não tenhamos uma nova Mariana. Passados três anos, milhares de linhas escritas, horas e mais horas de entrevistas e nada se resolve. O desejo de punição aos responsáveis, punição criminal onde for o caso, e punição cível, com reparação de danos, não é apenas por vingança, como se pode pensar.
É também e até principalmente, de prevenção. Tivéssemos atitudes mais firmes, menos demagogia, talvez a tragédia não tivesse se repetido. A impunidade, como já disse aqui, é a mãe da reincidência. Quando ela se junta à ganância então… Mas não é apenas a ganância empresarial que nestes momentos todos acusam. Ainda mais sórdida, é a ganância dos que se aproveitam da desgraça alheia para posar de profeta do passado, propagandeando aos quatro ventos “eu já sabia dos riscos”, que avisara com antecedência, embora nada tenha feito de efetivo.
Ganância dos que se aproveitam do desespero alheio para estimular ações de valores exorbitantes das quais embolsarão parte. Ganância dos que se aproveitam da enorme cobertura da mídia para anunciarem ações que nunca colocarão em prática. A hora é de seriedade. De conter impulsos sórdidos. De agir, não de falar. Aliás, confiram os dicionários. O agir vem antes do falar.

Paulo César de Oliveira – Jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil e jornal Tudo BH

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