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“A vida como ela é”

Nelson Rodrigues, maravilhosamente observador em suas crônicas, relata com perspicácia, o que o teatro da vida lhe descortinava. A TV se aproveitou delas e eu peço emprestado, o título…
Câimbras, há dias, me atormentam a panturrilha, desde que retornei de Brasília. Abri a revista da Azul, tudo azul, depois de quase três horas de espera na conexão Viracopos/Uberlândia. Ainda não há jatos de coragem que sobrevoem nossa Uberaba boa, embora jornais dessa sexta jogam esperanças preanunciando que a Gol tenta voos por essas paragens. E na ida, a mesma preocupação: dormir mal para não perder o voo que sai de Uberlândia… direto ao DF.
Uma semana de pouca chuva e muito calor como se a natureza chorasse ante os desmandos da nação ainda curvada na crise de falsos profetas arregimentados de riquezas embriagados em cifrões, desvarios de auto imunização de políticos agarrados ao poder na insensatez mal-acostumada de cargos supostamente vitalícios.
Mas, leio nela, (na revista) pedaços da vida do tímido Luiz Fernando Veríssimo, que herdou do pai – Érico Veríssimo- o gosto de contar a vida. Todos nós, se não a descrevemos, não deixamos descansar esse músculo que envolve a boca e só descansa, quando dormindo…
Veja no Face book a janela da alma, que lá se escancara. Há gente se deliciando com as boas, as últimas e até, as que estão por vir: nascimentos, batizados, aniversários, bodas. Um canal por onde escorre água límpida e cristalina. Histórias da vida em teatro escancarando a vida como ela é. Cada ator se esmera na reprodução teatral de um “verismo”, onde a dramaturgia se apresenta em acordes, muitas das vezes, dissonantes, porque a alma humana disputa com imaginários sentimentos e ressentimentos, os desvarios inoculados na alma e no coração. Um bullying disfarçado corre os olhos despindo-a e comprovando “hábitos” que fazem o monge.
Amigos (!) que se juntam e se afastam disputando espaços. Méritos e deméritos formando detritos chafurdados por traficantes de injúrias. E no teatro da vida mira-se no espelho da iniquidade registrando-se nos obituários da História. As cortinas se fecham emudecendo a voz e o coração engasgados nos atos do desamor e da incompatibilidade fraterna. Cala-se a voz da consciência na maquinação egoísta e invejosa.
Ainda assim, o ser humano traça sonhos e realidades a nascerem das linhas de um tempo coreografados no calendário interminável dos novos ciclos do viver…

Arahilda Gomes Alves – Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.

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