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Cemig tem até novembro para evitar que a Light vire estatal

Com uma dívida líquida de R$ 13,3 bilhões, não é nenhuma novidade que a Cemig está disposta a vender alguns ativos para ajudar a colocar as contas em dia. A distribuidora Light, da qual a mineira detém cerca de 49% do controle, está nesse pacote de oferta há algum tempo, mas agora a Cemig está com mais pressa, pois precisa vender no mínimo 3% até novembro, numa operação chamada “put”. Tudo para evitar que a carioca seja estatizada. Quando a Cemig comprou a Light, se comprometeu com alguns sócios a recomprar as ações, e o prazo termina no mês que vem. Juntos, Banco do Brasil, Santander e BV detêm cerca de 3%, que voltarão para a Cemig e vão elevar sua participação na Light de 49% para 52%. Para que isso não aconteça, a Cemig precisa vender uma fatia igual, para continuar dona de menos de 50%.
De acordo com o CEO da consultoria de energia Grid, Stéfano Angioletti, a preocupação da Cemig é evitar a burocracia. “Se a fatia do controle ultrapassar os 50% e a Light virar estatal, as regras ficarão mais complicadas e, consequentemente, fica mais difícil de administrar”, justifica.
O ex-presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) Augusto Drummond, que atualmente dá consultoria na área, avalia que a decisão da Cemig de vender pelo menos 3% da Light está mais ligada à estratégia de negócio do que a riscos de estatização. “No meu entendimento, não tem risco nenhum se a Light virar estatal, mesmo porque o mercado de energia é diversificado e já conta com muitas empresas públicas e privadas. O que a gente observa é que a Cemig vive um momento no qual tem desfeito de ativos, por isso a aquisição irá na contramão de seu projeto de gestão”, analisa.
Desde 2017, a Cemig anunciou um plano de desinvestimento com meta de vender cerca de R$ 8 bilhões. Até agora, conseguiu pouco mais de R$ 1,4 bilhão, em negócios como a recente venda da CemigTelecom, por aproximadamente R$ 650 milhões. Quem comprou foi a norte-americana American Tower e a Algar Soluções. Entre outros ativos menores, a Cemig também vendeu sua participação na transmissora de energia Taesa, por R$ 722 milhões.
A venda de 3% da Light não é a única saída para a Cemig diluir seu controle e evitar que a carioca vire estatal. Em agosto deste ano, a própria Light formalizou, por meio de fato relevante, a intenção de promover uma oferta pública de ações ordinárias. A carioca chegou a assinar um memorando de entendimento com a GP Investments, que teria interesse em ancorar a compra. Assim como qualquer outro sócio, a Cemig pode participar dispondo de algumas ações.
Por meio de fato relevante publicado na última sexta-feira, a Cemig ressalta que não há definição “quanto a efetivação de qualquer operação, e que a realização de uma eventual operação está sujeita às aprovações dos órgãos deliberativos da companhia e às condições do mercado de capitais”.

Cemig e Light

2006 – Um consórcio formado por Cemig, Andrade Gutierrez e Pactual Energia comprou cerca de 80% do capital da Light por cerca de US$ 320 milhões.

2010 – A Cemig ampliou sua participação no controle da Light.

2017 – A Cemig aprovou um plano de desinvestimento, podendo chegar a até R$ 8 bilhões. A Light faz parte das intenções de venda.

2018 – A Cemig tem até novembro para cumprir o compromisso (“put”) de comprar ações dos sócios.

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