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Confronto que preocupa

Há um indisfarçável clima de confronto, pesado mesmo, na política brasileira. Disputas ideológicas, ou até mesmo de interesses pouco republicanos, são compreensíveis fazem parte do jogo. Mas ultrapassamos este limite e atingimos o campo do confronto, da ameaça. Quando esta proposta de briga vem da oposição, não é tão preocupante. Quando, no entanto, vem dos governos, especialmente aqueles que têm estrelas nos ombros, uuhh!, aí é assustador. E estas reações vão ficando amiúde, às vezes de forma quase cifrada, com forte cheiro de ameaça.
Ou não foi isto que fez o poderoso Paulo Guedes, ao perguntar aos deputados, em forma de desafio, na Comissão de Constituição e Justiça, porque não fazem eles a reforma da Previdência dos militares. “Têm medo”, perguntou ele como a avisar que haveria reações, reações que, parece, ele conhece, tanto que suavizou a sua proposta. Ainda mais explícito foi o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, na revista do Clube Militar. Do nada, pelo menos que nós mortais saibamos, ele fez o alerta de que o sangue pode correr pelas ruas:“A nação tem que se salvar a si mesma, sem a tutela das Forças Armadas, que só tomarão a iniciativa diante de um quadro de grave violência, caos social, falência e perda de autoridade dos Poderes Constitucionais (…).
Não querem que o sangue corra pelas ruas? Então mãos à obra.” Declarações assim, dadas do nada, era uma especialidade do então deputado da velha Arena, o esperto Zezinho Bonifácio, que atira bombas assustadoras, às vezes no meio de uma entrevista. Depois se soube, revelado por ele mesmo a alguns mais chegados, que, ao contrário do que se imaginava, ele não estava a serviço dos que queríamos endurecer o regime militar. Ao contrário, suas declarações, feitas de comum acordo com os mais moderados visavam exatamente conter os brucutus do regime. Ele, ao falar, avisava que algo estava sendo tramado pelos “pitbulls”, jogava água na fogueira dos radicais. Estaria o general fazendo o mesmo? De qualquer forma, é preciso ficar atento pois, advertia Thomas Jefferson, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Afinal, o que começou parecendo ser arroubos de quem vive a fase da juventude um pouco atrasada, via se tornando muito comum. Protegidos pelas redes sociais ficam valentes.

Paulo César de Oliveira – Jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil e jornal Tudo BH

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