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Décio Bragança

Orientações da ONU – Organização das Nações Unidas – a respeito dos refugiados

Promover a conclusão e ratificação de convenções internacionais no domínio da proteção dos refugiados, supervisionando a sua aplicação e propondo emendas – Não se acaba com a violência, com as injustiças, com a opressão, com a coisificação, com a robotização da noite para o dia. Tudo tem de ser construído em comunidade. A libertação é possível! “Outro mundo é possível!” Quando as pessoas se encontram com outras pessoas, é possível outro mundo, a libertação e salvação. As pessoas não se conformam com as injustiças a que estão submetidas. É preciso construir perspectivas e o futuro. O futuro não é nem pode a dor e sofrimentos, doenças e morte. As escolas têm função importante na construção de um novo mundo com novos homens e novas mulheres.

Promover medidas destinadas a melhorar a situação dos refugiados e a reduzir o número daqueles que necessitam de proteção – O modelo atual de escolas, com bases na meritocracia, prepara seus alunos apenas para provas, exames, competição – o que privilegia sempre simples devolução de conhecimentos – o que gera certa frustração e angústia. Há um esforço das ciências médicas de prolongar a vida. Para quê? A imortalidade não existe. Trabalhar, comprar, casar, consumir, tomar remédios, amar só para não morrer necessariamente não é o sentido da vida que se renova a cada momento.

Auxiliar as ações tendentes a promover a repatriação voluntária dos refugiados ou sua integração em novas comunidades nacionais – Viver, talvez, seja passar do que é natural para o que é significativo, para o que tem significado/sentido para cada um e para todos ao mesmo tempo. “Sou para mim e sou para os outros”. Daí a ideia de somar forças e energias, pensar e elaborar estratégias, construir relações e alianças entre todos para se chegar a um ideal possível – a utopia.

Promover a admissão de refugiados nos territórios dos Estados – É assim a libertação: ou todos nós nos salvamos, ou todos nós nos perdemos. Não há salvação individual ou perdição pessoal. Nesse sentido, ninguém é melhor ou pior do que alguém. Somos cúmplices uns dos outros. Todos somos importantes. Em sociedade, selecionamos pessoas, classes, profissões, raças, religiões, sexo. Que pena! Discriminar é tornar o outro insignificante, marginal. Daí a violência e agressividade!

Facilitar a transferência de bens dos refugiados – Por essas e por tantas é que gosto muito da chamada “Oração de São Francisco”: Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz / Onde houver ódio, que eu leve o amor / Onde houver ofensa, que eu leve o perdão / Onde houver discórdia, que eu leve união / Onde houver dúvida, que eu leve a fé / Onde houver erro, que eu leve a verdade / Onde houver desespero, que eu leve a esperança / Onde houver tristeza, que eu leve alegria / Onde houver trevas, que eu leve a luz / Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado / Compreender, que ser com-preendido / Amar, que ser amado / Pois é dando que se recebe / É perdoando que se é perdoado / E é morrendo que se vive / Para a vida eterna.

Obter dos Governos informações acerca do número e da situação dos refugia-dos que se encontram nos seus territórios, e sobre a legislação pertinente – Falta-nos a cultura da paz e do amor; por isso sufocamos a graça e a beleza, a alegria e a fé. No jogo de intenções e interesses, elimina-se a gratuidade da vida e do amor, porque tu-do virou mercadoria. Tudo passou a ter um preço. Muitos amigos meus argumentam que falta ao mundo e às pessoas mais fé. Sempre discordo porque não entendo uma fé desencarnada do tempo e do espaço, fé pela fé, fé sem obras. O nosso compromisso de fé e de amor é com os outros, com o próximo.

Manter-se em contato permanente com os Governos e Organizações intergover-namentais – Sem amor ao próximo – a todas as pessoas, sem nenhuma forma de discriminação – não há libertação, democracia, salvação. O amor verdadeiro foi, é e será sempre gratuito, porque não é troca. Buscar lógica ou uma explicação racional do amor é um grande erro. O amor não tem porquês. Ama-se porque ama, pronto. Simples as-sim. Quando se ama tudo é transformado por sua força e energia. Só pelo amor também teremos um mundo mais fraterno e mais humano.

Estabelecer contato com as organizações privadas envolvidas na questão dos refugiados – Roberto Freire (1927 – 2008) – não confundir com o seu homônimo político – médico psiquiatra e escritor de “Utopia e Paixão” – “Sem tesão não há solução” – “Ame e dê vexame” – “Cleo e Daniel” nos ensinou que “quem ama, fica pobre”. E por quê? Ficar rico é acumular; ficar pobre é dividir com todos os outros. Dom Helder Câmara (1909 – 1999) nos ensinou que “enquanto houver um irmão nosso passando fome e sede, não dá para ser feliz”. Sem nenhum aspecto religioso, podemos entender que o amor é o único caminho para a paz e felicidade individual e coletiva.

Facilitar a coordenação de ações empreendidas por entidades privadas – Estamos presenciando o avanço da cultura do ódio, da intolerância. A paz e o amor são construções sociais e não estão acima ou além das relações geográficas e espaciais, temporais e históricas. São construções reais e concretas, por isso também carregam uma dimensão social, política, econômica. A fome e a pobreza, a falta de saneamento básico e sede, a miséria e a falta de oportunidades e chances iguais para todos não podem ser vistas como fatalismo e determinismo, sujeitos a interpretações mil. Quem tem fome, tem fome. Simples assim. Quem é pobre, é pobre. Simples assim. Não se trata de interpretações e ou apelar para o “sempre foi assim”. O problema é político ou dos políticos que não querem entender este sistema injusto, desumano, que odeia, criminaliza, separa, marginaliza, trabalha contra a vida das pessoas e do planeta.

A vida é muito mais importante do que qualquer coisa e tudo junto – A vida não pode ser tão sufocada. Há um grito doido e doído, um clamor desesperado e desesperante de todos os seres humanos, de todos os seres vivos e não vivos. As pessoas não têm mais compromisso com a vida e a vida em abundância, conforme João nos ensinou: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo10,10). Nesse sentido, tudo está banalizado, desprezado, menosprezado, vulgarizado. Ninguém se incomoda mais com a violência e os crimes, as propinas e as falcatruas, os estupros e o trabalho escravo, o assédio sexual e moral, porque joio e trigo nascem juntos, complicando as noções de bem e mal, de amor e ódio. Em nome do amor, mata-se. Em nome da democracia, fazem-se guerras. Em nome do bem, traficam-se órgãos. Em nome da alegria, comercializam-se drogas. Em nome da liberdade de expressão, mente-se muito. Estamos na era das Fakes News!

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