Política

Deputado aponta erros da gestação de Pimentel

Na visão do deputado Reginaldo Lopes, o governador Fernando Pimentel assumiu um estado quebrado após três governos consecutivos do PSDB. Diante da situação, ele precisou sacrificar diversas áreas, inclusive os servidores públicos e, ainda assim, conseguiu desenvolver diversos projetos importantes para Minas Gerais. O que faltou, segundo ele, foi demonstrar para a sociedade o que realmente aconteceu, o que ele desenvolveu mesmo com o “caixa zerado” herdado das gestões anteriores.
Para Lopes, foram três erros principais. O primeiro envolve a falta de diálogo no início do governo Pimentel. “Quando ele assumiu, olhando para frente e não para o retrovisor, ele quis tentar deixar o estado funcionando. E, ao não dialogar corretamente com a sociedade, ou seja, não demonstrar o tamanho do problema, ficou parecendo que ele criou o problema. E não foi assim. Pimentel herdou o estado com R$ 7,2 bilhões de déficit anual e uma dívida acumulada de mais de R$ 100 bilhões, a qual custa ao estado mais de R$ 6 bilhões de juros ao ano. Ou seja, Aécio e Anastasia enrolatam o povo mineiro, que agora paga a conta. Quando digo que enrolavam é porque eles inventaram o tal ‘Déficit Zero’ que, na verdade é como quando você estar devendo o cartão de crédito e o cheque especial. Aí o gerente do banco propõe fazer um déficit zero, juntando as duas dívidas e fazendo um consignado. Ou seja, passa a dever os três. Para quebrar demora um tempo e eles quebraram”, afirma, reforçando: “Nós não dialogamos com muita clareza e isso [a dívida herdada] não foi mostrado aos mineiros. Por isso, eles não foram convidados a ajudar nessa superação.
O segundo fator, na visão do deputado, envolve o fim do governo Dilma que, segundo ele, foi vítima de um golpe. “Aí veio o Michel Temer, e o Aécio, que ajudou a boicotar Minas Gerais. Ora, Minas não vive sem a ajuda da União, que poderia ajudar muito. Olhando para frente, eu sou o autor de uma emenda constitucional a qual resolveria esse problema: que é revogar a Lei Kandir. Se não tem dinheiro para aliviar o recebimento da dívida, a União poderia fazer uma suspensão do pagamento por quatro anos, até que Minas reencontre o equilíbrio fiscal. Se [a União] não quer fazer isso, que revogue o que roubou de Minas Gerais. A União está roubando R$ 10 bilhões por ano, sendo R$ 2,5 bilhões dos municípios. É inconcebível essa tese da Lei Kandir, uma herança maldita do Fernando Henrique Cardoso, que foi quem quebrou o pacto federativo lá em 1996 quando, irresponsavelmente, fez a paridade econômica – quando R$1 Real valia R$ 1 Dólar – e virou um inferno para vender para fora e um paraíso para comprar lá de fora. Ao invés de fazer a mudança no câmbio – o que ele fez ao ser reeleito – que era o correto, ele aplicou o maior golpe eleitoral, foi um estelionato eleitoral. No dia seguinte à reeleição ele desvalorizou o câmbio, aumentou a carga tributária de 16% para 36%, endividou o Brasil na casa dos Trilhões de Reais para poder pagar o abuso dessa política cambial e, a partir daí, foi fazer um agrado aos exportadores, revogando a cobrança da ICMS – ele não tirou os impostos dele – fazendo uma ingerência de competência tributária nos estados e municípios e tomando o único imposto que eles tinham. Dessa forma, o Brasil passou a não cobrar impostos no setor primário, o qual envolve os minérios, proteínas animal e vegetal, e, sem esse imposto, Minas quebrou. No conceito deles era muito bonito: ‘Não exportem impostos, exportem produtos’”, explana para, em seguida, reforçar que somente a revogação da Lei Kandir poderia ajudar o estado a sair da atual situação em médio prazo.
Porém, Lopes reconhece que durante o governo Pimentel a equipe deveria “ter ido para cima” e tentado tratar o assunto. “Já tinha dificuldades fiscais, mas evidente que vem o boicote, o Temer não facilitou nada, inclusive não permitindo que nenhum sistema bancário realizasse uma carta de crédito”, salienta.
E, num terceiro fator ligado à derrota, Lopes afirma que a “onda criminosa” de envio de mensagens “fake News” montado na reta final do primeiro turno colocou as eleições em suspensão. “Tem um monte de deputado que não seria eleito se não fossem essas notícias falsas. O que houve com a Dilma já foi pedido para ser investigado pelo TRE. Repito, esse envio de mensagens em massa provocou mudanças eleitorais em vários estados, como MG, RJ, SP e DF, mudou o quadro político”.

Mostre mais

Artigos relacionados

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.