ColunasDécio Bragança - Em questão

Em questão

NO COMEÇO, A ATRAÇÃO – Os interesses e as intenções dos donos do capital não coincidem, muitas vezes, na maioria das vezes, com os interesses e intenções dos trabalhadores. Daí muitos conflitos. A sociedade ou a organização social depende sempre da força e energia de cada um e de todos para o bem-estar e bem-ser de todos e de cada um. Cada um deve assumir com ética e retidão o seu papel e sua função, como células de um mesmo corpo. As células são diferentes assim como as pessoas, mas todas desempenhando bem sua função o corpo estará sempre sadio e saudável. A isso se dá o nome de sinergia.

A BELEZA PÕE MESA – O poder judiciário, sempre neutro e/ou imparcial, sempre acima dos interesses e intenções de classes, coloca todos os cidadãos sob sua proteção, já que todos são iguais perante as leis. O que sentimos muitas vezes é a prática de “aos amigos, tudo e aos inimigos, a lei”. A harmonia entre os poderes – o que não significa subserviência – faz nascer a justiça social. O problema é que quase sempre julgamos as pessoas pelas aparências. Entre um negro e um branco, julgamos e sentimos o negro como pessoa má, criminosa, pecadora, inconfiável, assim gratuitamente.

O AMOR SABE VER BELEZAS – Situação semelhante acontece entre o rico e pobre, o casado e o gay, o cristão e muçulmano, bem vestido e maltrapilho, empregado e desempregado, letrado e analfabeto, classe detentora de poder e classe trabalhadora. A verdade nos prega peças, porque há muitos crimes de colarinho branco, muitas falcatruas, muitas cartas marcadas, muitas medidas provisórias que beneficiam a alguns, muitos acordos escusos na calada da noite, muita corrupção, evasão de divisas, sonegações e paraísos fiscais, propinas, que envergonham os deuses e santos de qualquer fé.

OS SINAIS PODEM SER ELOQUENTES – Infelizmente, a lei é mais dura para os po-bres, para os negros, para os gays, para os ateus, para os explorados, para os analfabetos, para os desempregados, para os pequenos devedores, para as mulheres, para os menores que cometem pequenas infrações. Claro, a impunidade estimula o crime, trazendo a sensação de que o crime compensa. A ideia de dividir a Política em partidos (pedaços de uma mesma pizza) foi criada para representar os interesses diferenciados, até contraditórios de algum setor da sociedade. Todo partido almeja o poder com a intenção de colocar em prática o seu programa e projeto partidário.

A GENTE SEMPRE ESCOLHA ALGUMA COISA – Partido, então, não é uma realização pessoal, individual. As muitas políticas sociais aliviam e tranquilizam as pessoas para que tudo continue da mesma maneira. “Dão-se anéis para não se perderem os dedos”. Há uma clara intenção de as pessoas se perpetuarem no poder. Daí a importância da oposição. É preciso alguém para contestar, refletir, fincar e fixar posições. Repito sempre e não custa lembrar mais uma vez: quem manda é quem tem dinheiro – poder econômico, porque tudo virou mercadoria. A economia nesse sentido solapa as intenções e interesses políticos. A política, hoje, é serva da economia.

A GENTE FICA COM QUEM A GENTE NÃO ESCOLHEU – Infelizmente, o nosso destino está assentado sobre a economia, sobre o mercado, cada vez mais perverso. Decididamente, Brasília não é a capital do Brasil. A capital do Brasil e de todos os países são as bolsas de valores. O governo, em outras palavras, é uma marionete, um fantoche, um brinquedo nas mãos dos manipuladores do poder econômico mundial. Os nossos deputados e senadores não têm muita coisa a fazer, se não aprovar o que vem do executivo que por sua vez obedece aos interesses globais, mundiais. A manipulação das informações – massificação e alienação – é uma estratégia de poder.

ESPELHO, ESPELHO MEU – Existem órgãos reguladores para conter o abuso do poder que pouco podem fazer, a não ser alguma denúncia de vez em quando. Denúncia não é punição, ou condenação, mas toda denúncia deve ser investigada profundamente. É hora de o povo se organizar para ter poder de cobrar promessas de nossas autoridades. Prometer também não constitui crime e por isso todos os políticos, detentores de cargos públicos, prometem até as coisas mais absurdas possíveis. Muitas pessoas desiludidas com a vida em sociedade estão buscando consolo em muitas seitas e religiões.

ESSES OPOSTOS SÃO PARECIDOS – As Pentecostais, a Renovação Carismática, o espiritualismo e outras entendem a salvação como um ato pessoal, individual, porque não acreditam mais nas pessoas e querem criar uma experimentação direta com Deus. Em sociedade, às vezes, nos sentimos um número, apenas mais um na multidão. Uma experiência com Deus, pensam, nos tira do anonimato, da sensação de ser coisa e objeto de controle, de consumo, de manipulação, de massa de manobra. Acreditam que Deus nos chama, nos atende pelo nome e isso basta!

NUM OLHAR TUDO SE RENOVA – Essa experiência pessoal traz a sensação de protagonismo e autonomia – direito de falar e ouvir e ser ouvido – sem a necessidade de intermediários. No fundo, Deus, no sentido pessoal, passa a ser a superação de todas as crises políticas e econômicas, psicológicas e emocionais. Para tanto, criou-se até a atual Teologia da Prosperidade, sem as ideias de fraternidade e comunhão, cumplicidade e participação – que são as ideias de salvação coletiva e ou social. Essas experiências individuais com Deus, acredito, é um perigo para todos, porque sem o outro não dá para ser feliz, sem o outro não dá para viver.

UM COMPUTADOR É MUITO FRIO – No mínimo, como nos ensinou Sartre “o outro é o meu limite, porque é ele quem aprova ou reprova o que penso, sou que faço, o que sou”. O calor humano – o calor do outro – nos anima, nos aproxima, porque uma força vital, realizadora e transformadora. É certo que, muitas vezes, o outro nos esmaga, nos sufoca, nos pisa, nos despreza, nos humilha e nem por isso nos é dispensável. O outro nos é essencial. E para nos ser essencial, é preciso acolhê-lo como irmão, criar laços mais ternos e íntimos. Para tanto é preciso “perder tempo” com o outro.

VIVER É SEMPRE UM SALTO NO ESCURO – E nós nos dizemos: “Não tenho tempo agora, me procure depois”. Pronto! Trancamos nossas portas e as janelas, levantamos nossos muros e cercas, armamos nossos corações e mentes. “Proibido entrada! Proibida a entrada!” Cada um de nós abre os braços para um abraço e o abraço não vem. Recolhemos nossos braços, desiludidos e frustrados. Daí a intolerância, a frieza, o desdém, o deboche, o bulling, as rusgas, as raivas, os ódios, as afrontas, as ofensas, a vingança, a violência e, às vezes, a agressão e a morte. O ser humano, apesar das aparências de rudeza racional da modernidade, é um ser sensível, carente de afeto, de uma boa palavra, de atenção, de um abraço. A sensibilidade nos lembra perdão, misericórdia, resignação, piedade. “É perdoando que se é perdoado”.

Mostre mais

Artigos relacionados

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.

Veja Também

Fechar