Cidade

Entidades empresariais são contra tombamento de imóveis em Uberaba

Historiador Guido Bilharinho apresenta dados sobre a lei de tombamento

Dirigentes de algumas das principais entidades empresariais da cidade participaram ontem da reunião da Diretoria Plena da Aciu (Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba). Durante quase duas horas, sob a coordenação do presidente da entidade anfitriã, José Ferreira Peixoto, os presentes debateram sobre a lei de tombamento de imóveis no município. Advogado, historiador, membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro e especialista no assunto, Guido Bilharinho fez uma palestra especial que abordou, em profundidade, os aspectos atinentes à legislação observada pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau).
Os diretores da Aciu e das entidades presentes elencaram situações que têm ocorrido na cidade e que tem provocado prejuízo, em especial, ao setor do comércio, devido às decisões do órgão. Chegou a ser citado caso de imóvel ser abandonado após tombamento devido ao fato de necessidade de manutenção e revitalização onerosas para o proprietário.
O palestrante Guido Bilharinho comentou sobre como aliar desenvolvimento e preservação do patrimônio histórico. “Nós no Brasil, ainda não temos técnica para conciliar desenvolvimento com preservação. E não temos orientação bem legal e nem teórica. Temos que construir isso. Por questão até ideológica e tradicionalista querem preservar à força e sacrificando os proprietários. Isso não é possível. Aqui em Uberaba temos que reduzir pelo menos de 80% a 90% do que está sendo inventariado, de um total superior a 180 imóveis. São casas velhas. Não têm valor”, disse o historiador.
De acordo com o presidente da Aciu, José Peixoto, uma comissão vai ser formada pelas entidades mais importantes de Uberaba. “As conclusões serão encaminhadas aos Poderes Executivo e Legislativo para que a lei vigente seja modificada. Temos vários casos de imóveis em péssimas condições no Centro da cidade”, reforçou o líder empresarial.
Da mesma forma o presidente da CDL Uberaba, Angelo Crema, qualificou como muito importante essa união das entidades de classe. “Nós estamos lutando pelo desenvolvimento do Centro da cidade de Uberaba há muitos anos. Inclusive temos projetos prontos e investidores interessados em construir algumas lojas na região. Um projeto prevê a construção de um centro comercial com 109 lojas, na Rua Vigário Silva. Mas temos que fazer algumas intervenções, em alguns prédios, que não são tão históricos assim. Estamos muito amarrados com a legislação atual para a concretização desses novos investimentos. Agora, vamos criar um grupo de trabalho para começar analisar e levar algumas propostas para o Poder Público. É hora destravar e proporcionar a geração de emprego e renda para o nosso município”, expôs o dirigente lojista.
O vereador Agnaldo Silva (PSD), por sua vez, explicou que há mais 12 meses tem atuado nas questões relacionadas ao Conphau. “Muitos proprietários estão sendo prejudicados diante do alinhamento de inventariar imóveis que, realmente, não têm nenhuma característica de patrimônio histórico. A conveniência está muito maior do que a prudência. Temos que trabalhar nesse aspecto e fazer com que o Conphau mude seus critérios”, finalizou o parlamentar.

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