ColunasReflexões

Fábrica de mentiras

Arahilda Gomes Alves

Nem passando a limpo, selecionando, castigando, escrevendo cem vezes as frases, que nesse tempo mirabolante, eu diria em atual versão: ”Tempo de eleição e de guerra, mentira como terra, ” apagariam pecados. Nem recebendo a comunhão, ou paramentando-se de papa, nem mostrando a cara lavada ou marcada de falsos hematomas, ou imergindo-se na pia batismal, a máscara da falsidade se revestiria do manto protetor da verdade!
Folhas de jornais, pesquisas fajutas procuravam iludir eleitores numa escalada montanhosa, na tentativa de virar um jogo onde as pedras não se curvavam ao “encantamento eleitoreiro”. Adjetivos feriam quais facadas despedaçando corações, assustando delgados e grossos canais de uma caminhada sadia de boas intenções.
Fecharam-se as cortinas do falso teatro, onde atores teatralizavam um velório, que, possivelmente, daria condição a uma outra subida lépida e risonha na prorrogação de mais quatro atos somados aos dezesseis de ignominiosos desrespeitos ao pálio sagrado verde/amarelo.
Mas, a fábrica de maquiavelismo não se fechou. Continua ecoando na insatisfação de falsas posturas de efeitos colaterais. Jogam aos quatro cantos, ilusões que ainda querem apregoar no falso voo do urubu malandro espalhando suas fétidas carniças além-fronteiras.
“Seresteiros “falsos, que não se animam, porque indolentes, ao invés de” botar a viola no saco”, acreditam ainda, no esconderijo de reais malas em apartamentos de laranjas azedas e podres, que o tempo implacável, destruirá. As” bolsas”, que se revestem de nomes furados e de variáveis apelidos, não mais encherão os bolsos dos falsos sofredores da pátria, disfarçados patriotas nababescamente curtindo vida leve e serena à custa do erário público.
Fecharam-se as cortinas do teatro de ilusionismo, das marionetes presas ao barbante tênue da vida arrolada escadaria abaixo, ante palmas temerosas, decrescentes, que o vento envolve em redemoinhos de desolação. Artistas camuflados, agora rouquenhos soltam vozes clamantes em desertos sem oásis. Tentam agarrar-se às sobras de um tempo, na matança de uma sede de um lago Paranoá esvaziado de moedas douradas, na continuidade da “dolce vita” de um canto das sereias, que não mais ouvirão em cantorias. Virão pausas em fermatas, onde o silêncio eloquente da consciência marcará toda a pauta de shows supostamente realizáveis para abocanharem biliardários cifrões, numa pátria que queremos livres, porque nos viu nascer!

Arahilda Gomes Alves – Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.

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