ColunasReflexões

Fazer amigos e (ou) “ganhar” inimigos

Arahilda Gomes Alves

A amizade é sentimento nobre. Com enorme potencial, na inigualável textura de amor e doação, em gradativa elaboração, ele mais se desenvolve, quanto mais o desfrutamos. É sentimento a fluir em plenitude e graça. A enriquecer e a revigorar o viver de cada dia para se atingir novos valores. E que se agigantam quanto mais o desfrutamos. A amizade é a construção sadia do – Eu – na busca da identidade. É cultuar eleitos, na nobreza de valores buscados no convívio salutar do amigo. É chegar ao ápice de uma convivência afetiva, solidária e ética é cultivar o sadio sentimento sem mágoas e mentiras, sem cerimônias e exigências, sem barreiras e cobranças partilhando segredos e solicitando apoios. Ter amigos é viver em estado de satisfação ou de dor-enegias vivificantes do espírito-a granjear-lhe crescimento. Ter amigo é estabelecer ponto de apoio acima da resignada aceitação do sofrer, mas na capacidade do sentir. Ser amigo é formar elo de indestrutível e sólida afinidade. É cultuar o nobre sentimento com respeito e admiração. É colocar no ápice do coração, a imagem imperecível do irmão.
Amizade é sentimento místico, puro e sublime. É vínculo, que reanima e emociona na busca de um ideal encaminhando para o Belo e para o BEM na autoafirmação de nós mesmos. Privilegiados, os eleitos, que se enobrecem na conquista valorosa da amizade!
Napoleão afirmara: “o tolo possui grande vantagem sobre o homem de espírito – porque está sempre contente consigo mesmo”. É contentamento que o “dignifica” na proporção de sua incontida incompetência. Seu tempo, preenchido em acervos de infortúnios e invejas, ocupado em prejudicar aos que o incomodam.
Os que se aprazem em se fazer inimigo, preocupam-se em jogar chispas nos que recebem de Deus benesses tantas, que chega a perturbá-lo, torcendo para que o outro nada tenha. Amofina-se, dilacera-se em teatrais atitudes, porque, supostamente contente consigo mesmo, sabe-se, no âmago da alma, cultor do ódio, da inveja, da incompetência, da nulidade, que se registram nos obituários da História. Incapaz de exercer trabalho granjeando ao espírito graça e beleza, mira-se no espelho da estupidez, da maledicência, da falsa modéstia a destruir-se gradativamente, até que o espírito seja cremado no fogo da eterna vaidade.

Arahilda Gomes Alves – Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.

Mostre mais

Artigos relacionados

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.

Veja Também

Fechar