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Funcionário ou Servidor?

Em conversa amistosa com um grupo de servidores públicos, pude ouvir de um amigo de trabalho a expressão separatista de funcionário público e servidor público, referindo à velha máxima do comprometimento como ação fundamental para o interesse público.
Há de se esclarecer que a mesma velha máxima destacada refere-se a gestão e operação de sistemas, tendo como resultado não só ações públicas, mas também privadas que se diferenciam apenas na estabilidade de um cargo, e também, nas questões de mérito no desempenho da função, cujo resultado é a performance que leva a excelência.
O que me intrigou não foram as conversas e expressões de análise de trabalho, mas o sentido comparativo que levou ao necessário comprometimento, e não a um compromisso expressado na posse ou no pacto de contrato em carteira de trabalho.
A expressão funcionário público denota àquele cidadão que mesmo transitoriamente ou sem remuneração exerce cargo, emprego ou função pública, mas também o é aquele cidadão que presta serviço de utilidade social sem segundas intenções, trazendo à luz, a subjetividade da conduta como fator essencial do resultado, haja vista as possibilidades de enquadramento em nosso código penal.
Já servidor público é aquele empregado concursado para a Administração Pública e que mantem vínculos de trabalho, e seus vencimentos são frutos de arrecadações de impostos e ou tarifas, isto em um modo generalista de apresentação. Também de forma essencial, há de se destacar a essencialidade funcional do servidor público em defender o interesse público, muito diferente da atividade política detentora de mandato público que está ligada ao governo e não necessariamente ao estado de direito.
Notadamente o interesse de servir de forma remunerada ou não é de quem se compromete a fazer da melhor forma e no emprego das ferramentas necessárias, e quando isto não é possível, o esforço vem com a subjetividade e até mesmo com a criação de ferramentas, e isto é o comprometimento que inveja muitos “companheiros de farda”.
Já esta inveja produzida é fruto da incapacidade intelectual ou até mesmo da capacitação necessária, e com isto sofre tanto a iniciativa pública como a privada.
Já o exercício de se comprometer ao cumprimento do estabelecido, ou seja, de horários, cargas de trabalho e por aí vai, é o compromisso que gera o coeficiente de faltas e o cumprimento de cargas horárias, não representando na maioria das vezes a eficácia dos processos, e quiçá a eficiência dos mesmos.
Mas o pior está por vir, pois este mesmo senso de falta de comprometimento vem a mão forte através do despreparo de dirigentes, ou seja, a variável política e de confiança de governos em suas nomeações, pois além da falta inescrupulosa de servir ao todo, ou seja, ao interesse público, também esbarram no despreparo tanto do conhecimento normativo da esfera pública, bem como do conhecimento necessário funcional, levando à maioria das vezes, o descaso com a causa pública.
Sofre a população e a administração, e o resultado disso tudo é todo do serviço público.
Mas depois de refletir pude entender, e espero que a comparação que promovo não atinja a classe futurista, pois a fala que ouvi estava alicerçada as ações de estagiários limitados ao cumprimento do estágio curricular, sem o devido envolvimento ao negócio, mas tão somente ao cumprimento da carga estabelecida.
O sentido do comprometimento em servir vem de dentro pra fora, e não haverá compromisso forjado em contrato que sobreviverá em resultados se não entendermos isto.
Ser ou não Ser, eis a questão da melhoria nos serviços públicos.

Aluizio Cezar Valladares Ribeiro – Servidor público/economista – acv.ribeiro@uol.com.br

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