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IMPRENSA LIVRE E A MELHOR ARMA CONTRA O “FAKE NEWS”, DIZ DIRETOR DA BBC

Em discurso no seminário “Beyond Fake News, Em busca de soluções”, organizado pela BBC na terça-feira, 12/03, no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo, o diretor do BBC World Service Group, Jamie Angus, afirmou que uma imprensa livre e vibrante é a melhor arma contra a desinformação. “Precisamos oferecer alternativas para as fake news, para os bots, para a desinformação. Precisamos continuar a oferecer a verdade, com transparência e abertura, superando o desafio de unir e não de dividir nossa audiência”, disse Angus ao listar as estratégias do “Beyond Fake News”, projeto global da BBC que busca combater histórias falsas e alertar sobre seus perigos. “Precisamos reafirmar e valorizar a liberdade de imprensa – um imprensa vibrante e livre que apoia a liberdade de expressão é a mehor arma contra as fake news”, afirmou. Segundo Angus, o Serviço Mundial da BBC – que engloba a BBC News Brasil e produz conteúdos em 42 línguas – encara o combate às fake news como uma prioridade de suas operações. Angus falou na abertura do seminário, que reúne representantes da academia, das redes sociais, do Jornalismo e da Educação. O Brasil é o quarto país a sediar o “Beyond Fake News”, já realizado na Índia, no Quênia e na Nigéria. Entre as iniciativas planejadas na última terça-feira, 12/03, está uma oficina sobre leitura crítica de notícias para professores Momentos antes do discurso, Angus, que visita o Brasil pela primeira vez – disse que o país tem uma “cultura de mídia fantasticamente vibrante e madura”, assim como uma “democracia bem estabelecida”.Segundo ele, a BBC busca se destacar no Brasil oferecendo contexto e análises sobre os grandes temas jornalísticos. Outro objetivo é alcançar públicos que não são contemplados pela imprensa nacional, cobrindo temas pouco abordados pelos grandes veículos.”A imprensa brasileira pode ser um pouco autocentrada e rejeitar temas que, por exemplo, envolvam desigualdades de gênero, raça ou sexualidade”, afirmou. O que são ‘fake news’ A BBC considera fake news informações falsas distribuídas intencionalmente, geralmente com fins políticos ou comerciais. “O propósito é convencer as pessoas a pensarem de uma certa maneira, a votarem de uma certa maneira, ou ganhar dinheiro de publicidade toda vez que alguém clica em um conteúdo fraudulento”, disse Angus. Ele afirmou ainda que, no Brasil, a desinformação compartilhada nas redes pode causar mortes – assim como informações falsas sobre sequestros de crianças provocaram uma série de linchamentos na Índia e no México.”Comunidades em favelas recebem rumores falsos sobre onde tiroteios ocorrem, vítimas são injustamente associadas à criminalidade numa tentativa de justificar essas mortes.” Ele citou reportagens da BBC News Brasil que expuseram táticas de disseminação de fake news, entre as quais a criação de perfis falsos para manipular a opinião pública nas eleições de 2010 e 2014.dPor que as pessoas divulgam ‘fake news’ Angus também listou algumas conclusões de uma pesquisa encomendada pela BBC para entender por que as pessoas divulgam notícias falsas. O estudo analisou a distribuição de fake news pelo WhatsApp e pelo Facebook no Quênia, na Nigéria e na Índia. “Nós descobrimos que o público deposita grande confiança naquela pessoa que envia a informação nas redes sociais, em vez de verificar a fonte original”, afirmou. Segundo Angus, muitas vezes usuários compartilham links sem ler seu conteúdo, atraídos por manchetes que servem como iscas e movidos mais pela emoção do que pela razão. “Se algo parece correto, se há uma identificação com nossa identidade, com os valores de nosso grupo, nós temos uma tendência maior a acreditar no conteúdo e compartilhar do que verificar.” Ainda assim, a pesquisa revelou que as pessoas “estão conscientes de que asfakes news são potencialmente divisivas e que elas tentam não compartilhar nada que possa provocar violência ou divisão”, segundo Angus. Ele também tratou do desafio de combater as fake news no futuro, quando mais pessoas terão acesso à internet e a tecnologia permitirá criar vídeos falsos, nos quais expressões faciais, movimentos labiais e vozes serão reproduzidos com grande verossimilhança. “Será mais difícil identificar fakes.”

PAULO NOGUEIRA Jornalista- Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico

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