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Judiciário em crise

Sou de uma época em que os ministros de um Supremo Tribunal eram senhores respeitáveis e inatingíveis, tanto no aspecto moral quanto intelectual, como um Oscar Dias Corrêa e mais recentemente um Carlos Mário Veloso. Eram homens notáveis e não tinham a exposição que têm hoje, principalmente depois que a televisão passou a exibir sessões dos tribunais. Eram homens de reputação ilibada.
Hoje os ministros viraram figuras fáceis com uma reputação não tanto ilibada e muitos deles politicamente comprometidos. Esta crise provocada pelo ministro Alexandre Moraes, que quis colocar censura na imprensa, no caso o site O Antagonista e a revista digital Crusoé, que revelaram que o presidente do STF, Toffoli – indicado pelo presidiário Lula – era chamado de “amigo do amigo do meu pai” por Marcelo Odebrecht, revelação feita em depoimento sobre os malfeitos da empreiteira em suas relações com políticos de diferentes partidos.
Chegou a tal ponto a indignação contra a censura, inclusive de colegas do STF, que um senador chegou a solicitar a cassação deles. Esta crise no Judiciário mostra a que ponto chegaram nossas instituições. Claro que, infelizmente, Executivo e Legislativo não ficam atrás. No caso do Legislativo basta ver como estão jogando pesado contra o governo para aprovar a reforma da Previdência. É o chamado “toma lá dá cá” que o presidente Jair Bolsonaro, bem ao contrário do que pregava, não combateu e até assimilou, abrindo as comportas, entrando no velho jogo político. Mas o governo tem que endurecer na reforma apresentada pelo ministro Paulo Guedes, impor limites no jogo para evitar que ela seja inteiramente descaracterizada.
O que é preciso reconhecer, e que o governo teve a coragem de levar o assunto à mesa, mas se perdeu agindo como agiu no caso da aposentadoria dos militares. Abriu a porteira e tem sido inábil na condução do processo o que o leva a trocar a moeda do convencimento. Em vez de ser a lógica do melhor para o país, passou a ser o melhor para cada parlamentar. E, melhor para eles são os cargos e as verbas orçamentárias.

Paulo César de Oliveira – Diretor-geral da revista Viver Brasil e jornal Tudo BH

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