Carlos Alberto Pereira - Vinhos & TalColunas

MAIS UM POUCO SOBRE VINHO

Eu sempre falo por aqui que, entender e apreciar um vinho não é complicado, mas sim complexo! Pois, trata-se de uma bebida diferenciada, muito rica em detalhes, vibrante e com peculiaridades que nenhuma outra bebida oferece. Por isso, quanto mais aprofundarmos neste conhecimento, maior será a amplitude de nosso prazer. E também facilitará a nossa escolha, principalmente quando estivermos em frente a uma gondola de um supermercado ou adega, com mil opções de rótulos! Com o conhecimento, esta angústia deixará de existir e ai podemos optar pelo vinho que nos trará mais prazer. Então a proposta é a seguinte: quer começar a exploração do seu vinho? Segue algumas dicas e orientações simples que poderão ajudá-lo(a) a descobrir o seu paladar, conhecer um pouco de como escolher um vinho e lançar-se à sua longa e saborosa jornada neste maravilhoso mundo. Hoje, por questão de espaço, darei algumas, mas poucas dicas, que o ajudarão a melhor aproveitar tudo o que um vinho pode lhe oferecer. Mas, se rever os artigos anteriores, verá que já falei muitas outras coisas sobre o vinho, que juntadas à estas de hoje, poderá lhe dar um bom conhecimento sobre o tema. Vamos lá!

Características
básicas do vinho

Basicamente, um vinho é identificado por 5 grupos de caraterísticas específicas, que com a habilidade do enólogo, juntamente com as condições resultantes do cultivo, do terroir e do tipo de casta, vão dar a identidade ao vinho! São elas:
Acidez: Baixa, Entre Baixa e Média, Média, Alta, Muito Alta
Taninos: Baixos, Entre Baixos e Médios, Médios, Adstringentes, Muito Adstringentes
Doçura: Extrasseco, Seco, Meio Seco, Doce, Extradoce
Corpo: Baixo, Entre Baixo e Nédio, Entre Médio e Alto e Alto
Álcool: Leve, Entre Leve e Médio, Médio, Entre Médio e Encorpado,Encorpado

Diferentes
estilos de vinho

Um novato em vinho pode conhecer as diferenças básicas entre um vermelho e um branco, mas também é importante aprender todos os tipos de vinhos e varietais. Os estilos de vinhos que conhecemos basicamente são: Tranquilos (branco leve, branco encorpado, branco aromático, rosé, tinto leve, tinto médio corpo, tinto encorpado); Sobremesa (Porto, Madeira, Marsala, Sauternes, Vin Santo, Xerez); Espumante (Champagne, Cava, Prosecco, Lambrusco).

Regiões
Vitivinícolas

O vinho é feito em praticamente todos os países do mundo. Estes países são muitas vezes referidos como “Velho Mundo” ou “Novo Mundo”. “Velho Mundo” consiste em regiões com longas histórias de produção de vinho, como a Europa e partes do Mediterrâneo. Algumas das regiões vinícolas mais conhecidas do “Velho Mundo” incluem França, Itália, Espanha, Portugal e Alemanha, e essas regiões concentram-se muito no terroir – as características únicas do solo e do clima, que dão ao vinho um senso de lugar. “Novo Mundo” é usado para descrever novas regiões produtoras de vinho, como Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, EUA, Austrália, África do Sul, entre outros. Essas regiões tendem a ter climas mais quentes e geralmente usam diferentes métodos de rotulagem; eles tendem a usar as uvas em vez da região nos rótulos para reconhecimento.

Regiões e uvas mais populares

Para se ter um exemplo, o Brasil, que está longe de figurar entre os maiores produtores de vinhos do mundo, mas cultiva em suas regiões vinícolas mais de 30 diferentes espécies de uvas, entre viníferas europeias e americanas. Mas as uvas Merlot e Cabernet Sauvignon, das tintas, são as mais cultivadas por aqui. Assim, cada país segue o mesmo padrão como por exemplo:
França: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir, Grenache, Syrah, Viognier, Chardonnay
Itália: Sangiovese, Nebbiolo, Barbera, Moscato, Pinot Grigio
EUA: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, Merlot, Zinfandel
Argentina: Malbec, Bonarda
Chile: Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Carmernere e Merlot
Austrália: Shiraz, Chardonnay
Alemanha: Riesling, Gewurztraminer, Sylvaner
Espanha: Tempranillo, Albarino, Garnacha, Palomino
Nova Zelândia: Sauvignon Blanc, Pinot Noir
África do Sul: Pinotage Chenin Blanc

O rótulo de vinho

À primeira vista, um rótulo de vinho pode ser confuso para aqueles que estão apenas começando. Pois eles podem conter 3 diferentes formas de informar com destaque o seu conteúdo e procedência. Basicamente são identificados por Variedade de Uva, Região Produtora e Nome do Vinho. Felizmente, os produtores de vinho do Novo Mundo tornaram mais fácil para os iniciantes do vinho, listando as uvas diretamente no rótulo. As regiões do Velho Mundo já valorizam o produtor e a região:

Vinhos do Velho Mundo podem ser assim:
Château Moulin de Grenet 2009 Lussac Saint-Émilion
Vinhos do Novo Mundo podem ser assim:
2016 Tarapacá Cosecha Cabernet Sauvignon

Mas existem muitas outras informações no rótulo de um vinho, além do tipo de uva, que também são importantes, como: teor alcóolico; quantidade; nome do produtor; região; ano da colheita; varietal ou blend; grau de doçura; se passou por barrica de carvalho; o método Charmant ou Champenoise como é caso dos espumantes; natural, biodinâmico ou orgânico… e muitas outras. Por isso, é bom ler atentamente o rótulo, inclusive àquelas de letrinhas bem miudinhas.

A degustação

Aprender a provar o vinho não é diferente de aprender a apreciar a música ou a arte, pois o prazer que você recebe é proporcional ao esforço que você faz. Quanto mais você aperfeiçoar suas habilidades sensoriais, melhor você poderá entender e apreciar as nuances e os detalhes que os vinhos expressam. O tempo e o esforço investidos no treinamento de paladar são recompensadores – e muito, muito divertidos.
A capacidade de “farejar” e desvendar os fios sutis que se entrelaçam em aromas complexos de vinho é essencial para a degustação. Por isso, vai uma dica: tente segurar o nariz enquanto engolir um pouco de vinho; você descobrirá que a maior parte do sabor é silenciado, pois o seu nariz é a chave para o seu paladar. Depois de aprender a dar uma boa cheirada ao vinho, você começará a desenvolver a capacidade de isolar os sabores – perceber como se desdobram e interagem – e, até certo ponto, atribuir uma linguagem para descrevê-los.
Mas se você realmente quer aprender sobre o vinho, uma certa dedicação é necessária. Sempre que você tiver um copo de vinho na mão, crie o hábito de parar um minuto para interromper toda a conversa, feche toda a distração e concentre sua atenção na aparência, nos aromas, nos sabores e no acabamento do vinho. Você pode percorrer essa lista mental em um minuto ou menos, e ela rapidamente ajudará você a traçar os pontos da bússola de seu paladar.

”Bom vinho” para iniciantes

Você provavelmente já ouviu falar de amigos e especialistas, muitas vezes, que qualquer vinho que você goste é um bom vinho. Isto é verdade se simplesmente desfrutar do vinho ser o seu objetivo. Descobrir o que você gosta é um componente importante da degustação de vinhos, mas não é o único componente. Rapidamente, julgar um vinho, não é o mesmo que realmente entendê-lo e avaliá-lo. Se você está provando corretamente, você será capaz de identificar os principais componentes de sabor e aroma em cada vinho que você experimenta; você conhecerá as características básicas de todas as uvas mais importantes. E você também será capaz de apontar rapidamente falhas específicas em vinhos ruins.
Portanto, estão ai algumas dicas. Espero que elas tenham sido utéis. Se quer saber mais, estudar e aprofundar, nos siga por aqui ou pesquise em livros e na internet, pois o que não faltam são informações sobre vinhos!

Um abraço!

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