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MP diz que PM matou Marielle por repulsa às causas dela

O Ministério Público disse na tarde de ontem que a vereadora Marielle Franco foi morta por causa de uma “repulsa” do atirador Ronnie Lessa a sua atuação política em defesa de causas voltadas para as minorias. O PM reformado Ronnie foi apontado pela força-tarefa como o atirador.
Segundo as promotoras, porém, as investigações permanecem sob sigilo para identificar o mando do crime. “O crime contra a Marielle Franco, segundo as investigações, todos os autos de investigação nos autorizam a hoje a afirmar e a colocar e a imputar aos dois denunciados foi a motivação torpe, decorrente de uma abjeta, de uma repulsa, de uma reação de Ronnie Lessa a uma atuação política de Marielle na defesa de suas causas. Nas causas de Marielle, nas causas voltadas para as minorias. Para as mulheres negras, LGBT, entre outras causas para a minorias. Isso ficou comprovado, ficou suficientemente indiciado a ponto do MP denunciar por essa motivação. Essa é uma motivação torpe, abjeta”, disse Simone Sibilio , promotora de justiça e coordenadora do Gaeco. “Essa motivação ela é decorrente da atuação política dela, mas não inviabiliza um possível mando. Ela não inviabiliza que o crime tenha sido praticado por uma paga ou promessa de recompensa. Essas causas juridicamente e faticamente não se repelem”, acrescentou a promotora.
Perguntada sobre que elementos da investigação demonstram a motivação torpe para o crime, a promotora explicou que as pesquisas feitas por Ronnie Lessa “demonstram perfil absolutamente reativo a essas pessoas que se dedicam às causas das minorias”.
Ainda segundo as promotoras que concederam a entrevista, ainda está sendo investigada a possibilidade de envolvimento de Ronnie com as milícias. “Sobre o alvo Ronnie Lessa, não se tem ainda prova contundente de que ele participa de alguma organização de milicia. Mas ainda há a possível participação dele em atividade paramilitar, não em Rios das Pedras. A possibilidade do envolvimento de Ronnie com a criminalidade violenta ainda é mantida”, disse Leticia Emile Alquebres Petriz.
Policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam, por volta das 4h30 desta terça-feira (12), o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos.
A força-tarefa que levou à Operação Lume diz que eles participaram dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os crimes completam um ano nesta quinta-feira (14). “O crime contra Anderson e Fernanda Chaves, segundo a investigação, o executor Lessa atirou contra o carro que estavam a vítima. Foram 14 disparos que atingiram o veículo. A denúncia também imputa o crime mediante emboscada porque monitoraram a vítima. Eles aguardaram ela sair da Câmara, tinham informações privilegiadas e ficaram na Rua dos Inválidos até Marielle sair de lá”, acrescentou Sibilio.
As promotoras afirmaram que a operação não foi programada para coincidir com o aniversário do crime. “Investigação ficou madura. Se não tivesse madura, MP não ofereceria denúncia. Operação seria amanhã, foi antecipada em razão de rumores de que operação seria vazada”, disse Simone.

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