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MPF/MG obtém a condenação de oito pessoas que aterrorizaram Uberaba

Ataques a ônibus e agências bancárias foram realizados por indivíduos ligados ao PCC

O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação de oito pessoas que, em meados de 2018, aterrorizaram o município de Uberaba, no Triângulo Mineiro, com uma série de ataques criminosos a ônibus e agências bancárias.
D’Leon Marçal Ferreira, Rawanelly Rodrigues dos Reis Silva, Gustavo Henrique de Oliveira Fiorentino, Wallace Álvaro Espíndula Nascimento, Dionízio Alves de Souza Neto, Márcio Avelino Rosa, Adriana Cardoso Nogueira e Júlio César Martos Rodrigues foram condenados pelo crime de associação criminosa (artigo 288, do Código Penal).
D’Leon e Rawanelli receberam pena de 4 anos e 6 meses de prisão; Márcio Avelino, de 3 anos e 9 meses, os três em regime fechado. Os demais réus foram condenados à pena de três anos de prisão, a ser cumprida em regime semiaberto. Considerando as circunstâncias judiciais “totalmente desfavoráveis”, o Juízo da 4ª Vara Federal de Uberaba negou a todos os condenados a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos.
Os fatos ocorreram em junho de 2018, quando teve início uma série de atentados por criminosos mascarados, que, em ação programada, desencadeada por meio de mensagens veiculadas por meio do aplicativo WhatsApp, incendiaram e depredaram ônibus e agências bancárias. A intensidade dos ataques acabou levando a prefeitura de Uberaba a decretar Situação de Alerta e Anormalidade.
Por sinal, no mesmo período, foram praticados atentados semelhantes em outros municípios mineiros e no estado do Rio Grande do Norte, à maneira dos que ocorrem hoje, ainda mais graves, no Ceará.
Em Uberaba, a atuação dos criminosos era combinada em um grupo de WhatsApp denominado “Rafaelloko”, criado pelo acusado Rawanelli Rodrigues. Esse nome faz referência a Reny Amaral Castro Alves, criminoso de alta periculosidade conhecido pelos apelidos de “Rafael” e “Loko”, que fora morto numa troca de tiros com a Polícia Militar de Goiás em maio de 2018.
Nesse grupo, os integrantes combinavam “o modus operandi e a disponibilização dos instrumentos para a efetivação de práticas criminosas em Uberaba/MG, inclusive com a utilização de menores, visando afrontar o Estado e amedrontar a sociedade, mediante crimes de danos e de incêndio a instituições financeiras, inclusive um terminal de autoatendimento da Caixa Econômica Federal, ônibus coletivos, prédios públicos e estabelecimentos comerciais”, relata a denúncia do MPF.
Cinco dias após o início dos ataques, a Polícia Federal, com apoio das Polícias Civil e Militar, realizou em 8 de junho a Operação Weber, para cumprimento de oito mandados de prisão e nove de busca e apreensão. “Os elementos de prova demonstraram que o planejamento e execução dos ataques criminosos perpetrados em Uberaba, a partir do dia 3 de junho de 2018 e deflagrados após ordem do réu D’Leon Marçal Pereira, ocorreram por meio de mensagens postadas entre os acusados no grupo “Eterno Rafaelloko”, relata a sentença.
Entre as provas, foram juntadas inúmeras mensagens trocadas entre os réus, garrafas plásticas com gasolina (usadas para provocar os incêndios), além de dezenas de fotos extraídas dos aparelhos celulares com registros dos imóveis e ônibus incendiados, em situações que demonstravam a presença dos acusados no local e momento dos ataques.

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