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MULHERIO

Em março: um jardim de ações unificadas

Ainda não acostumei-me à ideia de escrever em primeira pessoa – e ser lida. É mais fácil, há de convir, noticiar os fatos com isenção e imparcialidade. Mas quando se trata de defender o direito das mulheres, é possível se eximir? E digo mais: quem terá coragem de lavar as próprias mãos?
Aconteceu numa segunda-feira de fevereiro. Decidimos, pois, arregaçar as mangas. Era uma conversa simples, descompromissada, mas cheia de sintonia. Meu pé esquerdo foi tomado por um calafrio como só acontece quando as coisas caminham para o bem e o sucesso. Luciana, além de inteligente, é daquelas almas delicadas e criativas que dá gosto ter por perto. Depois de tudo acertado, sentadas de frente à bancada do pequeno apartamento no bairro Universitário, dividimos um punhado de pão de queijo com suco de laranja enquanto o cãozinho pulava eufórico.

-Adorei a sua ideia da caminhada. Vamos fazer?

-Claro!

-Assim poderemos homenagear as mulheres vítimas de feminicídio esse ano no Brasil.

-Podemos fazer a escuta das mulheres nas praças, aos sábados.

-Combinado!

Detalhes à parte, hoje, passados alguns dias do encontro, nesse exato momento, está montada uma programação linda e extensa para não deixar o Dia Internacional da Mulher passar batido.
Muito pelo contrário.
Está plantado um jardim. Um jardim de ações durante todo o mês. Coisa nova. Coisa criativa. Coisa de uma sensibilidade luminosa. Coisa de gente do bem, de gente desejosa de espalhar amor acima de qualquer suspeita. Ainda me surpreendo com a força das mulheres que conheci na cidade das sete colinas.
As flores serão divulgadas em breve nas redes, nos grupos, nas línguas e nas casas. Poderão ser vistas das colinas, das ruas, dos prédios, das esquinas. Serão regadas pelas mãos que assim quiserem. O mais bonito: será um jardim diverso, sem deixar ninguém de fora. Estaremos unidas. Unidas para ajudar umas as outras. Juntas para formar um único time: com dez ou nenhuma bola, descalça ou de chuteira, jogando tênis, vôlei ou futebol. Na torcida, arquibancada ou apitando a partida. Tanto faz.
As metáforas com flores e esporte são bregas – confesso. Porém é coisa que se entende bem. E nossa meta não permite desinformação. Prevenir a violência contra a mulher, o feminicídio, o abuso infantil: esse é o lance que importa. Qualquer outra coisa – para nós – é perda de tempo. Querendo e podendo participar, fale conosco. Vamos juntas porque assim somos mais fortes. E segue o jogo.

Na próxima segunda, 18/2, a partir das 9h, estaremos na Câmara Municipal de Uberaba durante a sessão que votará o Projeto de Lei para criação da Semana de Conscientização e Combate ao Feminicídio no calendário municipal. Trata-se de um projeto semelhante ao aprovado pela Câmara Municipal de Uberlândia em novembro último. Em janeiro, apresentei a sugestão ao Presidente da casa, Ismar Vicente Marão (PSD), que acolheu a proposta com entusiasmo. Precisamos seguir avançando, dialogando e usando nossa capacidade para construir. Como diz meu pai: mais vale o jogo do ganha-ganha que se queimar nas chamas. Conto com sua presença para dar força, reza, um abraço, fazer coro, grito de guerra, figa. Depois que tudo der certo, aceito abraço, café e novas ideias. Se não se pode ser feliz sempre, o jeito é seguir em frente porque atrás vem gente.

-Em breve o grupo AMAI (Apoio entre mulheres abusadas intimamente) começará uma parceria costurada com carinho junto à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Mas não é qualquer coisa, mas coisa crível. Necessária e algo concreta: a ausência de praticidade nos faria ficar o dia inteiro sonhando, fantasiando ou mesmo chorando, talvez nadando contra a maré, até lamentando, morrendo por dentro. Em vez disso, a nova atividade do AMAI deverá ocorrer mensalmente no Centro Integrado da Mulher, que vem sendo administrado pela dedicada Juciara, com quem estive esse semana. Mas aí já é assunto para outra crônica.

jornalistajubamaria@gmail.com

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Recebo cartas de mulheres em situação de violência. Envie sua história. Unidas somos mais fortes.

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