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Doulas, um direito
Amanhã, domingo, de 16h às 18h, Uberaba recebe a Feira de Expositores “Dia da Doula”, organizada pelo Coletivo de Doulas de Uberaba, no Shopping Uberaba. É a primeira vez que um evento do tipo é realizado na cidade. Desde 2016, as maternidades e casas de parto da rede pública e privada, localizados no município, estão obrigados a permitir a presença de doulas desde o trabalho de parto até o pós-parto imediato, sempre que solicitado pela parturiente. O projeto de lei foi proposto por Franco Cartafina e aprovado por meio da LEI Nº 12.338/2016. Apesar disso, há estabelecimentos em Uberaba que ainda não permitem a presença de doulas.
O evento será organizado por Vanessa Gomes, técnica de enfermagem, enfermeira e doula. Vanessa é idealizadora do Abayomi, um grupo de apoio à maternidade. Ela promove rodas de gestantes e tentantes para esclarecer um pouco mais sobre os direitos da mulher no ciclo gravídico-puerperal. “Sou mãe de duas meninas que nasceram de parto domiciliar e senti a necessidade de alcançar outras mulheres com informações necessárias”, disse à coluna.

Licença remunerada para mulheres agredidas
Na primeira vez que sopra a favor, o vento tem a cor de mil sorrisos. É essa a sensação que deixa a primeira conquista do projeto Defensoras das Mulheres, desenvolvido pelo Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e a Federação Internacional de Transportes. Agora, as empregadas da Concessionária RIO-GALEÃO, que administra o Aeroporto do Galeão (RJ), que tiverem sido vítimas de violência doméstica terão direito a três dias de licença remunerada contados a partir do comparecimento à Delegacia. Para isso, bastará apresentar o Boletim de Ocorrência ou um certificado de autoridade competente. Seguiremos na luta para que mais empresas sigam o exemplo.

O rosto da violência
Alguns casos atendidos pelo AMAI (Apoio entre mulheres abusadas intimamente) em dezembro chamaram atenção por se tratar de violências praticadas por homens de excelente condição financeira. Isso porque a violência física e psicológica contra a mulher ocorre em todas as classes sociais e em qualquer país do mundo. E os agressores, pasmem, não são necessariamente alcoólatras ou criminosos. Segundo especialistas, quanto mais inteligente e admirado perante a sociedade é o agressor, maior o perigo, pois a mulher continuará na relação por medo de ser desacreditada caso denuncie. O que esses homens precisam é de tratamento psicológico, além de desconstruir o conceito de “amor romântico”.
Precisamos educar os homens para que aprendam a superar a frustração de um relacionamento rompido. Dr. Miguel Lorente, diretor da Unidade de Igualdade da Universidade de Granada e autor do livro “El rompecabezas. Anatomía del maltratador”, dissecou magistralmente o perfil do abusador, ou abusadores, porque os homens que agem violentamente em seus relacionamentos nem sempre se comportam da mesma forma, já que não há um perfil único de agressor. No entanto, algumas características, segundo ele, se repetem. O médico espanhol conta que o principal objetivo do agressor não é produzir lesões. A violência é apenas o meio pelo qual o agressor recorre, o instrumento usado para alcançar a sua reivindicação verdadeira, que não é outra senão a submissão e controle das mulheres. Para tentar entender e superar essa realidade, o projeto AMAI, que presta assistência a mulheres em situação de violência, encerrou as atividades de 2018 com a intenção de alcançar uma nova fase em 2019. Por isso, convida as organizações que atuam em defesa das mulheres a unir esforços para pensar em formas inovadoras de prevenção e combate à violência. Enquanto não formos capazes de tratar esses homens de forma adequada, eles seguirão cometendo abusos de natureza psicológica ou física com as mulheres com quem vierem a se relacionar após o rompimento amoroso.

Treinamento para eles
O grupo de militância de mulheres em Uberaba se reuniu para propor ações de prevenção e combate à violência contra as mulheres. Três ações foram definidas para 2019. Entre elas, o destaque é a criação de um projeto voltado ao atendimento à agressores cuja participação esteja condicionada à pena. O projeto em elaboração será apresentado à Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A ideia é que, além da pena criminal, todos os homens acusados de agressão por suas companheiras ou ex-companheiras sejam obrigados a participar de 120 horas de formação e 120 horas de trabalho em ações voltadas para o combate à violência doméstica em Uberaba.

Abandonar ou entregar?
Na última reunião do Grupo de Apoio a Adoção de Uberaba (GRAAU), a presidente da entidade, Jussara Tuma, falou sobre o projeto Sinal Amarelo cujo objetivo, segundo ela, é apoiar mulheres a entregar os bebês para adoção em vez de abandonar as crianças na rua. O projeto encontra resistência de parte da sociedade desde que Portaria nº 3, assinada pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude de Belo Horizonte Marcos Flávio Lucas Padula, levou ao afastamento compulsório de bebês de suas mães. A portaria acabou suspensa em agosto desse ano e Jussara garante que a mulher interessada em entregar o filho de forma voluntária será acolhida e receberá todo o tratamento psicológico de que precisar, até para desistir da adoção, se for o caso. “É dada a mãe várias oportunidades até a manifestação final em audiência”, explicou. Em 2017, as reuniões do Projeto Sinal Amarelo ocorreram mensalmente e uma cartilha foi preparada e disponibilizada ao público.

Solução é com ela
A trainer, Juliana Zanini, especialista em RH e treinamentos da Associação Comercial de Uberaba (ACIU) falou sobre “Encantando Clientes e Potencializando Vendas”, dia 12/12, no auditório da entidade. Juliana contou à coluna que a cada mil pessoas atendidas ao ano na ACIU, ao menos 400 são mulheres em busca de uma colocação profissional. Na palestra, Juliana enfatizou, entre outros, a importância de as empresas oferecerem soluções aos clientes e mudarem a abordagem de comunicação. Para isso Juliana ensinou algumas abordagens que garantem um atendimento bem-sucedido. “Nós precisamos lembrar que podemos fazer a diferença e ser a solução mesmo quando as coisas não estão tão a favor de nós e então colocar o nosso foco naquilo que é bom”, disse a um público de mais de 200 pessoas.

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