Economia

Pandemia faz produção industrial cair 9,1% e ter pior março desde 2002

O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que esse resultado foi impactado pelas paralisações em diversas plantas industriais

06/05/2020 05h00
Por: Redação

A produção industrial caiu 9,1% em março, frente a fevereiro, o pior

resultado para o mês de março desde 2002. Em relação ao mesmo

período de 2019, a queda foi menos intensa, de 3,8%, mas o quinto

resultado negativo seguido nessa comparação. Assim, o setor industrial

acumula -1,7% no ano e -1% em 12 meses, de acordo com a Pesquisa

Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (5) pelo IBGE.

 

O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que esse resultado foi

impactado pelas paralisações em diversas plantas industriais, fruto,

especialmente, do movimento de isolamento social exigido para combater a

Covid-19. "Esse impacto da pandemia fica evidenciado quando se compara

com o mês de fevereiro, já que a taxa é fortemente negativa e

representa a queda mais intensa desde maio de 2018, quando houve a greve

dos caminhoneiros. E não apenas pela magnitude da taxa, mas também

pelo alargamento por diversas atividades, incluindo todas as quatro

categorias econômicas e 23 das 26 atividades pesquisadas", analisa

Macedo.

 

A redução de 9,1% observada na passagem de fevereiro para março foi

também a mais acentuada desde maio de 2018 (-11%) e levou o patamar de

produção a retornar a nível próximo ao de agosto de 2003. "A

atividade que teve o impacto negativo mais importante foi a de veículos

automotores, reboques e carrocerias (-28%). O principal produto afetado,

em termos de comportamento negativo, foi o de automóveis, mas o

segmento de caminhões também apresenta perdas, assim como o de

autopeças. O movimento de quarentena fez com que muitas empresas

interrompessem o seu processo de produção, seja concedendo férias

coletivas ou paralisando as atividades por determinados períodos",

acrescenta Macedo.

 

Deve-se levar em conta ainda que o período de confinamento não atingiu

todo o mês de março e variou de acordo com cada unidade da

federação. Macedo explica que o impacto do isolamento social também

atingiu os setores de forma diferente. O setor de alimentos apresentou

uma queda de menor intensidade do que a verificada no segmento de

veículos automotores. "É um segmento que tem uma importância para a

manutenção do consumo das famílias. E há até atividades com

comportamento positivo, como perfumaria, produtos de limpeza e higiene

pessoal, que também vão nessa esteira das necessidades básicas das

famílias. Mas o que se verifica no conjunto do setor industrial é um

comportamento negativo relevante e, mais do que isso, uma disseminação

de resultados negativos por várias atividades", resume Macedo.

 

No confronto com igual mês do ano anterior, a produção industrial

mostrou recuo pelo quinto mês consecutivo e marcou a taxa negativa mais

elevada dessa sequência. Vale citar que, mesmo com o efeito-calendário

positivo, já que março de 2020 (22 dias) teve três dias úteis a mais

do que igual mês do ano anterior (19), observa-se o predomínio de

taxas negativas.

 

Com isso, não só o total da indústria como também as quatro grandes

categorias econômicas, no índice acumulado para o período

janeiro-março de 2020, assinalaram taxas negativas.

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