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Guido Bilharinho

Guido Bilharinho

Guido BilharinhoAdvogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional.

06/05/2020 05h00
Por: Redação

A acusação do ex-presidente Jimmy Carter

Nos meados do mês de abril último, o ex-presidente dos EEUU, Jimmy Carter, interpelou o atual, Trump, sobre o número de vezes que a China entrou em guerra. Nenhuma, enquanto os EEUU o fizeram várias vezes, estando constantemente em guerra para manter sua hegemonia econômica mundial.

Ao invés de gastar bilhões com armamentos e guerras, a China, afirma Carter, investe seus “recursos em projetos de infraestrutura, ferrovias intercontinentais de alta velocidade, transportes transoceânicos, tecnologia 6G, inteligência robótica, universidades, hospitais, portos e edifícios em vez de usá-los em despesas militares [....] Nós desperdiçamos U$ 300 bilhões em despesas militares para submeter países que procuravam sair da nossa hegemonia. A China não desperdiçou um centavo em guerra e é por isso que nos ultrapassou em quase todas as áreas”.

Dificilmente alguém poderia ser mais preciso e exato.

Além dos desvios do erário público para a destruição armamentista e da acertada política chinesa de aplicação desses recursos em infraestrutura e avanços tecnológicos – cruciais no mundo moderno – ressalta-se nas sábias ponderações de Carter a acusação de que o poderio bélico estadunidense é destinado a submeter os demais países.

Carter, do alto de sua autoridade de honrado ex-presidente os EEUU, não é o primeiro grande líder ianque a efetuar tal acusação. O ex-presidente Eisenhower, marechal e comandante supremo das forças aliadas ocidentais na 2ª Guerra Mundial, denunciou frontalmente o estamento industrial-militar de seu país.

Importante, ainda, no texto de Carter, é sua referência de que o declínio dos EEUU deve-se a seus gastos militares. Todavia, não só. O declínio do império estadunidense – como o de Roma e da Grã-Bretanha, por exemplo – resulta de complexo de fatores e contradições endógenas, um dos quais, sem dúvida, são os exorbitantes gastos militares para manutenção e ampliação contínua da enorme máquina militar, inútil do ponto de vista das necessidades e progresso da humanidade.

Em consequência, como até ex-presidentes dos EEUU advertem – um deles consagrado militar – os gastos militares constituem desvio da finalidade de promoção do bem-estar e do progresso da humanidade e ampliação e aperfeiçoamento dos instrumentos indispensáveis a esse desiderato, o único moralmente aceitável e propugnável.

 

Guido Bilharinho  - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/

 

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