Economia

Produção de veículos no Brasil despenca 99% em abril, diz Anfavea

O número divulgado ontem pela associação das fabricantes, a Anfavea, é o pior da história

09/05/2020 05h00
Por: Redação
Queda na produção de veículos é a maior da história desta indústria, desde 1957, e representa forte impacto da pandemia do coronavírus - Foto: Divulgação
Queda na produção de veículos é a maior da história desta indústria, desde 1957, e representa forte impacto da pandemia do coronavírus - Foto: Divulgação

Com praticamente todas as fábricas fechadas, a produção nacional de veículos caiu 99,3 % no último mês de abril, na comparação com o mesmo período de 2019.

O número divulgado ontem pela associação das fabricantes, a Anfavea, é o pior da história e mostra o impacto da pandemia do coronavírus na indústria, que começou a retomar as atividades com a reabertura de algumas unidades, de forma gradual.

No último mês foram produzidos 1.847 automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), caminhões e ônibus, contra 267.561 no mesmo período no ano passado.

"É o pior resultado da série histórica da indústria automobilística desde 1957", disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. A queda também foi de 99% em comparação com março: o fechamento das fábricas, como medida preventiva contra a pandemia, começou no fim daquele mês.

No acumulado do ano, a queda foi menor, de 39,1%.

 

Exportação - A exportação de veículos em abril teve seu pior resultado em 23 anos, segundo o presidente da Anfavea. A queda foi de 79,3% em relação ao mesmo mês de 2019 - com 7.212 unidades, contra 34.905.

Quando comparadas com o mês anterior, março, as exportações caíram 76,7%. Já no acumulado, a redução foi de 31%.

Para a entidade, os números já eram esperados não apenas pelo impacto da Covid-19 no Brasil, mas também nos principais mercados importadores de veículos brasileiros. A Argentina, além da crise econômica enfrentada há algum tempo, tem as maiores medidas restritivas da região no combate ao coronavírus.

 

Empregos - Luiz Carlos Moraes elogiou as medidas tomadas pelo governo federal através da MP 936, da qual a Anfavea participou com sugestões, que permitiu flexibilizar os contratos de trabalho com suspensões e reduções de jornadas durante a pandemia.

Ele também agradeceu aos sindicatos pelas negociações com as fabricantes. Segundo levantamento do G1, 79,2 mil funcionários (74% dos empregados da indústria) foram envolvidos em algum tipo de medida anunciada por 13 fabricantes de carros, caminhões e ônibus até 27 de abril.

"Estamos segurando os empregos por enquanto, utilizando todas as ferramentas disponíveis", disse o presidente da entidade.

Em relação a abril de 2019, o número de trabalhadores empregados na indústria caiu 3,7% em 2020. Em comparação a março, a queda foi de 0,3%, mantendo-se praticamente estável. Atualmente são 125.348 pessoas empregadas no setor.

 

Vendas - O coronavírus também causou uma queda de 76% nos licenciamentos de veículos, que foram de 231.936 unidades em abril de 2019 para 55.735 em 2020. Em comparação a março, com 163.625, a redução foi de 65,9%.

De acordo com a entidade, o Brasil é o 6º país com maior queda no número de licenciamentos no mundo comparando os meses de abril - desconsiderando a China, que não divulgou números.

Em primeiro lugar está a Índia, com 100% de queda, seguida da Itália, com 98%, e Espanha, com 96%. Em quarto lugar está a França, com redução de 89% e, em quinto, a Argentina, com 88%.

Em entrevista ao G1, na última quarta-feira (6), o presidente da federação dos concessionários, a Fenabrave, defendeu a reabertura de lojas com medidas que evitem aglomerações.

Segundo Alarico Assumpção, presidente da federação, 30% das concessionárias podem "quebrar" em 15 dias, se não puderem voltar a funcionar. O setor emprega 315 mil pessoas em 7.300 lojas.

 

Produção retomada - Algumas fabricantes já retomaram as atividades, mesmo que ainda de forma gradual. Segundo a Anfavea, desde 13 de abril, 8 fábricas e 30 mil funcionários já voltaram ao trabalho. A partir de 1º de maio, 55 fábricas e 95 mil funcionários permanecem parados.

No último dia 27 de abril, Scania, em São Bernardo do Campo (SP), e a divisão de caminhões e ônibus da Volkswagen, em Resende (RJ), retomaram suas produções.

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