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Agronegócio

Setor mineiro celebra Dia Mundial do Leite enfrentando os novos desafios da pandemia

Minas é o maior produtor de leite do país. A produção anual de 9 bilhões de litros responde por 26% do volume nacional

02/06/2020 05h00
Por: Redação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Minas Gerais é a principal bacia leiteira do país. Com produção em

torno de 9 bilhões de litros por ano, o estado responde por 26% do

volume nacional. No dia Mundial do Leite, 1º de junho, comemora-se a

importância estratégica do setor, considerado um dos mais tradicionais

do meio rural mineiro. Criada pela FAO, órgão das Nações Unidas para

Alimentação e Agricultura, a data é, também, uma oportunidade de

valorização do leite e todos os seus derivados, especialmente, os

queijos artesanais que projetam o nome de Minas mundo afora.

 

A secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Maria

Valentini, ressalta a importância da cadeia produtiva para o estado.

“O leite é um alimento rico em nutrientes e acessível à

população. Além disso, o setor é importante fonte de emprego e

renda, contribuindo com 12,5% do Valor Bruto da Produção Agropecuária

(VBP), estimado em R$ 73 bilhões para 2020. As exportações mineiras

de produtos lácteos, no ano passado, totalizaram US$ 16,5 milhões. A

sociedade deve valorizar a produção mineira e todos que trabalham para

que não falte esse alimento essencial na alimentação”, afirma.

 

Neste ano, o momento de celebração vem ao encontro da superação de

novos desafios. Além de ser período de entressafra na produção

leiteira, o momento coincide com o enfrentamento da pandemia da

Covid-19. Na avaliação do diretor técnico da Empresa de Assistência

Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG),

Feliciano Nogueira de Oliveira, o grande desafio, nesse contexto, é a

manutenção da atividade leiteira. “Houve uma redução generalizada

do mercado varejista, devido ao fechamento de bares, restaurantes e

lanchonetes que são grandes compradores de produtos lácteos”,

afirma.

 

Pesquisa aplicada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão

vinculado à Secretaria de Agricultura, em aproximadamente 400

estabelecimentos elaboradores de produtos lácteos mostrou que mais da

metade apresentou algum nível de comprometimento após a pandemia,

devido ao fechamento do mercado varejista. “Mas, não recebemos

informações sobre descarte de leite no estado. O estabelecimento com

dificuldade de vender fez o repassasse do leite para indústrias maiores

que produzem outros tipos de derivados como o leite em pó ou o Leite

UHT, que têm uma validade maior”, explica o diretor técnico do IMA,

Bruno Rocha de Melo.

 

ASSISTÊNCIA TÉCNICA

 

Para acompanhar os produtores neste contexto de enfrentamento à

pandemia, a Emater-MG manteve os canais tradicionais de comunicação

com os produtores e ainda investiu em novas plataformas. Além do e-mail

e do contato via WhatsApp, a empresa disponibilizou um número de

celular exclusivo para atender as dúvidas dos produtores e ampliou o

uso das redes sociais com a realização de _lives_, recurso que ganhou

força e visibilidade com o isolamento social. “Nossa preocupação

foi passar dicas técnicas de como enfrentar esse período, além de

informações de conjuntura, mercado e de gestão da atividade, visando

à redução de custos de produção e orientações para o produtor se

manter na atividade, superando este momento de desafios”, detalha

Feliciano Nogueira.

 

E foi com uma gestão adequada de seu negócio que o produtor Aureo

Cássio de Carvalho, do município de Santa Rita de Caldas, no Sul do

estado, chegou com tranquilidade neste momento desafiador. “Com a

orientação dos técnicos da Emater-MG, eu já vinha adotando um modelo

de gestão da atividade, planejando a compra de insumos - ração,

grãos e polpa cítrica - no pico da safra, quando o preço está

melhor. Para os itens que é possível armazenar, a gente compra na hora

certa para o ano inteiro.  Tenho um gado mais rústico, que responde bem

ao pastejo e, na época das águas, os animais são levados para os

piquetes. Agora, na seca, a gente usa silagem e concentrado na

alimentação do rebanho, adquiridos na hora certa, com o preço

favorável, sempre seguindo a orientação dos técnicos”, explica.

Com uma produção de 18,5 mil litros de leite e um faturamento em torno

de R$ 30 mil mensais, o produtor tem planos de crescer na atividade e

elevar a sua produção para 30 mil litros de leite por mês.

 

VENDAS ONLINE

 

Guilherme Ferreira pertence à quinta geração de uma família

produtora do tradicional queijo Canastra, no município de São Roque de

Minas. O isolamento social implantado para reduzir o contágio pelo

Coronavírus impactou seu negócio. A produção de aproximadamente 50

peças por dia caiu para cerca de 30 unidades. “Os restaurantes

paulistanos e a alta gastronomia sempre foram o nosso mercado. Com o

fechamento desses locais, investimos no e-commerce, que está salvando a

nossa vida”. Em relação ao futuro, ele acredita que nada será como

antes. “Será necessário pensar em novos modelos para a gente não

ficar parado e continuar a sobreviver”, avalia.

 

DEFESA AGROPECUÁRIA

 

Desde o início da pandemia, o IMA tem atuado para manter a situação

sanitária sob controle no estado. Um plano de contingência foi

elaborado pelo órgão, estabelecendo abordagem diferenciada nas suas

fiscalizações e inspeções. “Estamos mantendo de forma efetiva as

atividades essenciais de defesa agropecuária no estado para que a

população tenha pleno abastecimento com a garantia dos produtos

agropecuários consumidos”, afirma o diretor técnico do IMA, Bruno

Rocha.

 

AVANÇOS NA PESQUISA

 

Há 85 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas

Gerais/Instituto de Laticínios Cândido Tostes (Epamig/ILCT),

localizada em Juiz de Fora, desenvolve pesquisas aplicadas para produtos

lácteos, melhoria de processos e inovações para a indústria de

laticínios. Ao longo dessa história, o ILCT ficou conhecido como uma

empresa inovadora e foi responsável pelo desenvolvimento da indústria

de laticínios do Brasil, introduzindo no mercado nacional tecnologias

europeias para fabricação de queijos, manteiga e outros produtos

lácteos.

 

Segundo o coordenador do Programa Estadual de Pesquisas em Leite e

Derivados da Epamig/ILCT, Júnio César de Paula, as empresas estão

buscando o desenvolvimento de tecnologias, produtos e processos para

atender uma população cada vez mais exigente e preocupada com a

qualidade de vida. “As pesquisas da Epamig/ILCT envolvem o

desenvolvimento de produtos lácteos probióticos e de bebidas

funcionais como o “Refrigerante do bem”, uma bebida láctea

carbonatada, adicionada com um corante bioativo (luteína) que possui

atividade antioxidante e efeito positivo na saúde ocular”, explica.

 

Outros produtos desenvolvidos são o Kefirgerante, bebida láctea

carbonatada à base de kefir; o queijo para enxergar melhor, produto

adicionado com o corante luteína; o requeijão bioativo; além do

desenvolvimento de produtos lácteos com alto teor de proteínas.

Atualmente, a Epamig/ ILCT integra ensino, pesquisa e indústria, o que

faz do Instituto uma referência para mais de 60 países.

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