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Sertanejo raiz perde Bontempo, aos 78 anos

Entre os sucessos da dupla com Sulivan, com quem cantou durante 15 anos e gravou três discos, estão "Parada obrigatória", "Eu dei um cheiro na vizinha"

02/06/2020 05h00
Por: Redação
Bontempo não resistiu a complicações de cirurgia cardíaca - Foto: Divulgação
Bontempo não resistiu a complicações de cirurgia cardíaca - Foto: Divulgação

Natural da cidade de Prata (MG), Joaquim Cândido Bontempo veio bem jovem para Uberaba, onde começou a cantar com a sua inseparável viola. Com ela emocionava a família, os amigos, o público e quem se aproximasse. Iniciou cedo sua carreira no cenário da música sertaneja raiz, primeiro solo, depois em dupla, ficando bastante conhecido na região. Com suas músicas tocando nas rádios começou a ser convidado para se apresentar em outras cidades e assim ele e o parceiro de dupla seguiam pelas estradas da vida fazendo o que mais amavam. Bontempo era mais do que um músico, mas um intérprete que colocava na voz todo o sentimento que vinha de dentro do seu coração. Não havia quem não se entusiasmasse ao vê-lo cantar umas "modas de viola", como tinha o hábito de dizer.  

Entre os sucessos da dupla com Sulivan, com quem cantou durante 15 anos e gravou três discos, estão "Parada obrigatória", "Eu dei um cheiro na vizinha" e, principalmente, "Chumbo trocado".  São canções que não podiam faltar no repertório dos shows que atraíam plateias "xonadas" demais. A alegria e o entusiasmo de Bontempo ao empunhar uma viola e começar a cantar eram contagiantes. Até quem porventura estivesse triste deixava a emoção rolar e cantava junto para tentar despertar em si a energia que nele transbordava. 

A trajetória durou mais de cinco décadas até que o coração começou a bater fora do compasso. Bontempo buscou atendimento médico e descobriu que precisaria se submeter a uma delicada cirurgia cardíaca. Com vigor incomum encarou o desafio. Mas durante o procedimento extremamente arriscado, na terça-feira, 26, sofreu várias paradas cardíacas, foi entubado e sedado. Na manhã da quarta-feira, 27, ele não resistiu, aos 78 anos, deixando uma lacuna no universo sertanejo que jamais será preenchida. No velório o número de inconformados era grande. Um dos momentos mais emocionantes foi quando Sulivan pegou a viola e cantou em homenagem ao parceiro. 

Bontempo não fez fortuna com a profissão que escolheu, mas deixa um legado que não tem preço: sete filhos (Joana D´arc, Idelvan, Mariza, Elsion, Clayton, Marília e Julia) e oito netos (Magno Jr. e Gabrielle, Victor e Paulinne, Juliana e Brian, Letícia, e Gabriel), que honrarão aquele pai e aquele avô que o que de melhor fez foi amar os filhos, os netos, a viola, a música, a vida.

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