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Saúde

Acidente Vascular Cerebral (AVC) já é a segunda maior causa de morte no mundo

Aparato tecnológico e treinamento multidisciplinar são recursos utilizados no enfrentamento da lesão cerebral, que a segunda maior causa de mortes no mundo

03/06/2020 05h00
Por: Redação

 O Hospital Icaraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro,

desenvolveu um protocolo de atuação para tratar de pacientes com

Acidente Vascular Cerebral (AVC), visando um atendimento efetivo e

otimizado no enfrentamento à doença neurológica.

 

  Segundo Guilherme Torezani, gerente médico do protocolo de AVC do

Hospital Icaraí, a unidade hospitalar procurou alinhar a estrutura

tecnológica que possui - com recursos de ressonância, tomografia e

hemodinâmica - ao treinamento intensivo de suas equipes, desenvolvendo

assim o protocolo de AVC no hospital.

 

  "O treinamento das equipes visa gerenciar tanto o tratamento na fase

aguda quanto no período de reabilitação no hospital. A finalidade é

oferecer o melhor para o paciente, de forma que ele não seja apenas

tratado adequadamente, mas que as complicações que possam ocorrer

sejam gerenciadas pontualmente. Entendemos o impacto que nós,

profissionais de saúde, podemos ter na vida do paciente que tem o

sintoma neurológico e que muitas vezes não encontra um local de

referência para ser tratado", diz.

 

  Ele explica que o treinamento é multidisciplinar, englobando não

somente profissionais de saúde direta, como médicos, fisioterapeutas,

enfermeiros e fonoaudiólogos, mas também componentes das equipes

operacionais e administrativas, como recepcionistas e seguranças.

 

  "No hospital, todos vão aprender a conhecer os sinais de um AVC e

comunicar as equipes diretas para que se os pacientes em sala de espera

- ou mesmo os que estão internados por qualquer outro motivo -  tiverem

algum aspecto diferente que aponte a manifestação da doença, isso

possa ser sinalizado rapidamente para que se consiga fazer a

intervenção de forma mais adequada", relata.

 

  Guilherme conta que o protocolo de AVC já vem sendo adotado

mundialmente há algum tempo, se mostrando eficaz nos tratamentos da

lesão neurológica, o que fez com que o Hospital Icaraí buscasse

aplicá-lo como modelo em suas instalações e atividades médicas.

 

  IMPORTÂNCIA DOS CUIDADOS

 

  Guilherme explica que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) já é a

segunda maior causa de morte no mundo. Trata-se de uma lesão no

cérebro. Várias artérias  nutrem o nosso cérebro e, em dado momento,

ocorre uma obstrução nessas artérias, comprometendo o fluxo de sangue

- que deixa de ser entregue para uma região cerebral. Essa região,

conforme sofre a perda de sangue, deixa de funcionar. Portanto, surgem

os sintomas agudos, a exemplo da boca que fica torta, o braço pesado e

as dificuldades na fala.

 

  O neurologista esclarece que uma vez identificado o AVC,  existem

muitos procedimentos a serem feitos na medicina moderna. Porém, segundo

o especialista, demanda-se tempo de intervenção. "Os médicos têm

poucas horas para poder fazer um medicamento e aplicar procedimentos que

revertam essa obstrução da artéria, o que faz com que o sangue volte

a circular naquela região que havia perdido o fluxo sanguíneo".

 

  TEMPO É VIDA

 

  O profissional elucida que a cada um minuto, passada a obstrução da

artéria, cerca de dois milhões de neurónios vão morrer na região

acometida. Portanto, essa é a importância de saber identificar a

situação em tempo hábil, visto que perdendo-se tempo, perde-se

também  neurônios.

 

  "Tem uma máxima que diz que tempo é cérebro. Deve-se correr com esse

paciente para um hospital que seja capacitado para atender e realizar a

intervenção guiada corretamente, dentro de um protocolo, com respaldo

na literatura médica", explica, acrescentando que muitas vezes um

paciente tem um sintoma em casa e, como não está acompanhado por

alguém, ou mesmo quando se identifica o sintoma, demora-se muito tempo

para tomar uma atitude, achando que a situação vai passar normalmente,

e nisso se perde muito tempo.

 

   Guilherme esclarece que o tempo de intervenção para se fazer um

medicamento na veia, que reverta o quadro, é de até quatro horas e

meia, porém é necessário que a equipe responsável tenha capacidade

técnica para intervir adequadamente.

 

  "Comparamos muito com uma equipe de pit stop na Fórmula 1. Nos anos

80, demoravam muito tempo para trocar a roda e fazer a manutenção do

carro. E, analisando um vídeo atual, vemos como o serviço está

otimizado. No hospital, com uma equipe treinada, em que cada um sabe o

que tem que ser feito no fluxo, com tudo já sedimentado, a

intervenção se dá em tempo muito mais hábil", afirma.

 

  A TECNOLOGIA POTENCIALIZANDO O TRATAMENTO

 

  O Hospital Icaraí vem fazendo uso da ressonância na fase aguda, que

é uma adição tecnológica muito importante.

 

  "Vamos ter a disponibilização da terapia de trombectomia mecânica,

que permite que se consiga intervir além das quatro horas e meia e

ainda assim tratar o paciente, colocando-o na sala de hemodinâmica e

fazendo a intervenção direta por meio da retirada do trombo de dentro

da artéria, desobstruindo o fluxo de sangue", explica Guilherme.

 

  "Trata-se de mais um recurso que temos de alta tecnologia. E, claro,

contamos com uma rede de terapia intensiva extensa, com quatro CTI's, e

uma unidade coronariana que conseguem tratar o paciente com todo suporte

de monitoramento e de neurocirurgia 24 horas por dia, mitigando

possíveis complicações. Todo o protocolo é pautado em evidências

científicas", completa.

 

  INICIATIVA ANGELS

 

  O Hospital Icaraí também está sendo inserido em um grupo de vários

países que compõem a Iniciativa Angels, uma coordenação

internacional de vários centros médicos que se capacitam em atender

pacientes com AVC, formando uma corrente para quanto mais centros de

AVC's existirem, mais rápido seja o atendimento do paciente, resultando

em um melhor desfecho. "Tem pacientes que chegam com déficits

neurológicos muito graves e, conforme sofrem intervenções, podem

receber alta com pouco ou nenhum deficit", pontua Guilherme.

 

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