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Artigo

Paulo César de Oliveira

Jornalista

Reflexões

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09/06/2020 05h00
Por: Redação

Revolta contra o racismo 

2020 não vai terminar, assim como 1968 não acabou. São anos que, por razões diferentes, colocaram o povo nas ruas lutando contra a opressão e opressores. 1968 com uma luta mais difusa, contra todas as formas de poder, de direita ou de esquerda, e a violência gerada por estes governos contra os seus próprios cidadãos, como a morte do estudante Edson Luis, no Rio de Janeiro, pelas forças de repressão da ditadura brasileira, ou os massacres promovidos pelos Estados Unidos no Vietnã, e pela União Soviética, esmagando a Primavera Democrática na Checoslováquia. 2020, o ano que não vai acabar também, vive o horror da violência novamente.

A água do copo derrama por causa da última gota. A morte do segurança preto – ou negro como queiram- George Floyd, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos- foi a gota que fez transbordar um copo cheio há séculos por uma prática cruel que é recorrente em todo o mundo: a desigualdade racial. É ela que alimenta este sentimento de superioridade de um lado e, muitas vezes de ódio, de outro. O que o mundo está assistindo agora é a explosão de mais uma crise de revolta, de indignação de grupos historicamente injustiçados por sua cor, sua religião, sua origem e outras características. O bestial assassinato de Floyd, mostrado ao mundo, esmagado sob os joelhos de um policial branco, desencadeou a onda de protesto que o mundo assiste hoje. A luta contra o racismo é a ponta de lança de um movimento que estava latente: a luta contra a desigualdade de todas as formas.

A luta contra a ação de grupos fascistas, de governos fascistas, em todo o mundo que oprimem seus cidadãos. Movimentos que conseguem agregar inocentes úteis de todas as cores, idades e condições sócias. A prevalência destes grupos é um fenômeno cíclico nós, infelizmente, estamos vivendo este ciclo de mandonismo onde Estados Unidos e, infelizmente o Brasil, são exemplos claros. Tempos difíceis, agravados por uma pandemia que devora vidas de todas as raças, provocando um verdadeiro pandemônio mundial que não vai deixar o 2020 acabar. Infelizmente, que me perdoem os crédulos, não vejo solução no curto prazo.

Podemos até sufocar estes movimentos, mas o sentimento de revolta dos injustiçados permanecerá. É como fogo de serragem: calmo na superfície e em brasas na base. Mas as dificuldades não podem ser a justificativa para a inércia. Precisamos buscar logo a superação das desigualdades, a bíblica igualmente entre os homens. Quanto mais rapidamente chegarmos à igualdade, mais rapidamente vamos começar as curar as feridas que a humanidade lambe há anos.

 

Paulo César de Oliveira - Jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil e jornal Tudo BH

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