Agronegócio

Emater-MG recomenda construção de esterqueiras para tratamento de dejetos de bovinos

Tecnologia é ideal para pequenas propriedades que podem usar a fertirrigação em pastos e lavouras

18/06/2020 05h00
Por: Redação

Minas Gerais é o maior produtor de leite

do país. São aproximadamente 9 bilhões de litros por ano, que saem de

milhares de propriedades que investem na pecuária leiteira, em todas as

regiões do estado. A maioria é de pequeno porte, onde é utilizada a

mão de obra familiar.

 

No trabalho diário nas propriedades, muitos produtores enfrentam uma

dificuldade após a limpeza de currais, estábulos e salas de ordenha: o

que fazer com os dejetos líquidos que saem desses ambientes. Os dejetos

são a mistura de água, urina e fezes dos animais.

 

“Os dejetos de bovinos possuem nutrientes, mas quando não são

tratados e lançados no meio ambiente de qualquer forma, se tornam um

potencial poluidor das águas e do solo. E isso é prejudicial à

saúde. Nossa preocupação é buscar tecnologias que vão resolver o

problema e trazer retorno para o produtor”, explica Jane Terezinha

Leal, coordenadora estadual de Saneamento Ambiental da Emater-MG.

 

Ela explica que a Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de

Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), trabalha com tecnologias

já existentes e que possam ser adequadas ao agricultor familiar. Uma

dessas tecnologias é o uso de esterqueira para tratamento de dejetos

líquidos, seguida da fertirrigação.

 

A esterqueira é um tanque escavado e impermeável usado para a

fermentação dos dejetos. Essa impermeabilização deve,

preferencialmente, ser feita com uma geomembrana, que é uma manta com

espessura e material adequados para impedir que os dejetos depositados

na esterqueira  infiltrem e contaminem o solo. Mas, caso o produtor

tenha disponibilidade de material,  ela também pode ser feita de

alvenaria para reduzir o custo. O importante é que seja bem

impermeabilizada.

 

Com a fermentação na esterqueira, o poder poluidor dos dejetos é

reduzido,  possibilitando o seu aproveitamento como fertilizante em

lavouras e pastagens. Para que o processo ocorra de forma adequada,  a

esterqueira deve ter 2,5 metros de profundidade,  formato de trapézio,

com a base inferior menor que a base superior. A capacidade de cada

esterqueira será determinada pela quantidade de dejetos que são

produzidos na propriedade. “Isso vai depender do número de animais,

quantas ordenhas são feitas por dia, se o rebanho passa mais tempo no

pasto ou no curral”, explica a coordenadora da Emater-MG

 

Segundo Jane Terezinha, a cada dia que as instalações  (sala de

ordenha, curral, estábulo) são lavadas, os dejetos líquidos devem ser

depositados na esterqueira, onde ficam por 60 dias fermentando, graças

às reações bioquímicas que ocorrem no material. “Este é um tempo

de segurança para que o material não cause dano ambiental ao solo e

possa se absorvido pelas plantas, sem chegar aos cursos d´água. Depois

desse tempo de espera pode se tirar aos poucos o material que, a esta

altura já se transformou em biofertilizante. Mas não se retira todo o

material de uma vez. Ele é usado aos poucos na pastagem ou lavouras”,

explica.

 

_Chorumeira _

 

Para retirar o biofertilizantes da esterqueira e fazer a fertirrigação

de pastos e plantações, a coordenadora da Emater-MG recomenda o uso de

uma chorumeira. “Ela é um equipamento acoplado a um trator que retira

o material do tanque e lança nas pastagens. O produtor não precisa

comprar uma chorumeira. Ele pode alugar o equipamento porque fica mais

em conta.  Muitas vezes, as associações de produtores alugam uma

chorumeira para que vários interessados usem o equipamento no mesmo

período”, afirma.

 

Além disso, Jane Terezinha faz um alerta. Para usar o biofertilizante

produzido nas esterqueiras é preciso ter critérios. “É feito um

projeto técnico, com base na área disponível e também na cultura que

vai ser adubada. E, principalmente, uma análise de solo para ver se ele

é adequado para aquela fertirrigação, se ele vai reter os

nutrientes”, explica a coordenadora da Emater-MG.

 

O pecuarista José Ney da Silva e seu filho Éder construíram uma

esterqueira e usam a fertirrigação na pastagem e lavouras de milho,

numa propriedade de gado de leite em Piedade dos Gerais, região Central

do estado. “Facilitou demais. A gente lava o curral e escorre o caldo

para o tanque. Depois captamos com a chorumeira e já lançamos no

pasto. O benefício no pasto é visível. Com pouco tempo já dá uma

melhora”, diz Éder Silva.

 

_Vantagem econômica_

 

De acordo com Jane Terezinha, além do benefício ambiental a

construção de esterqueiras aliada ao uso da fertirrigação, também

tem um impacto econômico na propriedade. “Os produtores  percebem que

estão reduzindo o custo usando menos adubo químico, além da mão de

obra que fica mais fácil usando a fertirrigação”.

 

“Você parar de comprar ou reduzir o adubo químico é outra vantagem.

Sem falar no benefício que vai ser para o solo. Eu vou devolver para o

solo aquilo que o gado ou que a planta tirou”,  afirma Éder.

 

_Projetos _

 

Os pecuaristas interessados em construir uma esterqueira e usar a

fertirrigação podem entrar em contato com os escritórios da Emater-MG

para solicitar a elaboração de um projeto. A empresa também produziu

um vídeo que mostra a experiência do uso da esterqueira no município

de  Piedade dos Gerais.

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