Saúde

Inverno favorece alergias e covid-19

Doenças respiratórias, mais frequentes no frio, pioram doença na córnea. O clima seco facilita a reprodução dos vírus

09/07/2020 05h00
Por: Redação

Não é só a pandemia que aflige o Brasil. A falta de ar por asma

atinge 1 em cada 4 brasileiros, enquanto o nariz entupido pela rinite

afeta 26% das nossas crianças e 30% dos adolescentes segundo a ASBAI

(Associação Brasileira de Alergia e Imunologia). A situação fica

pior no inverno. Isso porque, a estimativa da OMS (Organização Mundial

da Saúde) é de que o clima seco triplica a gripe, resfriado, rinite,

sinusite, bronquite e asma nesta época do ano. Todas estas doenças

predispõem à alergia ocular.

 

Pesquisa

 

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido

Burnier diversos estudos mostram que coçar os olhos é o maior fator de

risco para a evolução do ceratocone, doença degenerativa que faz a

córnea tomar a forma de um cone e responde por 70% dos transplantes no

País. O problema, afirma, é que a maioria dos pacientes não consegue

abandonar este hábito que faz a visão ficar cada vez mais  desfocada

para perto e longe. Um levantamento realizado pelo oftalmologista no

último inverno com 315 portadores da doença mostra que metade dos

participantes tinham alguma alergia respiratória acompanhada de

processo alérgico nos olhos.

 

A boa notícia é que segundo Queiroz Neto a maioria dos pacientes faz

tratamento da alergia com colírio lubrificante, antialérgico ou

corticóide. Embora o corticóide não seja indicado para tratar

Covid-19, pesquisa da EAACI (European Academy of Allergy and Clinical

Immunology) que acaba de ser divulgada, revela que o uso das três

classes de colírio estão liberadas durante a pandemia. Só não há

consenso médico sobre o tratamento com imunossupressores sistêmicos.

Isso porque, podem reativar a infeção de qualquer vírus e dificultar

o combate à Covid-19.

 

Prevenção

 

Queiroz Neto afirma que o ceratocone não tem cura. A evolução pode

ser interrompida com crosslinking, uma cirurgia ambulatorial que associa

radiação UV e riboflavina, vitamina B2, para fortalecer a

reticulação das fibras de colágeno da córnea. Por isso, o mais

importante é o diagnóstico precoce que é feito com a tomografia da

córnea e o acompanhamento periódico. A evolução da doença, comenta,

geralmente é mais rápida entre crianças e indica necessidade do

crosslinking. Durante a pandemia as dicas do médico para evitar a

contaminação ocular são: não tocar os olhos, frequentemente lavar ou

higienizar com álcool as mãos, não compartilhar toalhas, fronhas ou

maquiagem, higienizar computador, celular e teclado com álcool

isopropílico.

 

Conjuntivite viral

 

Queiroz Neto afirma que os olhos sofrem em dobro no inverno. Isso

porque, são externos e a baixa umidade do ar diminui sua principal

defesa, a lágrima que tem a função de lubrificar e proteger a

superfície. “O frio também cria condições para a maior

reprodução de todo tipo de vírus, inclusive do novo coronavírus”,

afirma. Resultado: Nesta época do ano aumentam os casos de conjuntivite

viral, inflamação da conjuntiva, membrana que recobre a esclera, parte

branca do olho e a face interna das pálpebras, explica.

 

Sintomas e tratamento

 

Os sintomas elencados pelo médico são: pálpebras inchadas,

vermelhidão, coceira, ardência, sensação de areia nos olhos,

lacrimejamento, secreção transparente e fotofobia (aversão à luz).

Inicialmente o tratamento é feito com compressas frias. Caso os

sintomas não desapareçam em dois dias é mais prudente consultar um

oftalmologista. Isso porque, o tipo de colírio indicado depender da

gravidade do quadro. Os mais graves são tratados com corticóide que

exige acompanhamento médico porque a retirada antes da hora provoca

efeito rebote. Já o uso prolongado causa glaucoma, maior causa de

cegueira irreparável no mundo.

 

Prevenção: Covid-19 e conjuntivite

 

Em tempo de pandemia, adverte, mãos contaminadas em superfícies pelo

sars-cov-2 transformam o olho em via de acesso do novo coronavírus ao

sistema respiratório através do ducto lacrimal. Mas a conjuntivite

dificilmente é decorrente desta cepa. Geralmente é causada pela

influenza e H1N1

 

Para evitar contrair a covid-19 pelos olhos e a conjuntivite viral as

recomendações do médico são: evitar levar as mãos aos olhos. Lavar

as mãos com frequência, evitar o contato com os olhos, não

compartilhar toalhas fronhas ou maquiagem são as principais medidas

para evitar a contaminação através dos olhos.

 

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