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Vinhos & tal

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto PereiraEnófilo, Jornalista, Tecnólogo em Turismo e Hotelaria. Contato: [email protected] / 98412-6446

10/07/2020 05h00
Por: Redação

LA RIOJA

 

Nesta semana , assistindo a um vídeo que mostrava a produção vitivinícola da Espanha, mais uma vez, me apaixonei por este país e me surpreendi com a região de La Rioja,  cuja  grandiosidade, competência tecnológica e organização de seus produtores, são sem dúvida,  inspiração e modelo a ser seguido por muitos  vitivinicultores , especialmente do novo mundo. Além disso, esta é uma região com cidades belíssimas, muita cultura, gastronomia riquíssima, arquitetura encantadora e arrojadas bodegas, que estimulam a fazer excelentes e vibrantes roteiros enoturísticos como a visita ao Hotel Marques de Riscal, situado em El Ciego, na cidade de Álava!  Por isso hoje, quero falar um pouco desta região e de sua importância na produção mundial de vinhos. A sugestão é que encontre um bom vinho espanhol, branco, tinto, fortificado Jerez ou um espumante Cava (o que não é difícil) abram e façam uma boa leitura !

 

Vinicultura da Espanha  

Há registros de que a Espanha já cultiva uvas desde aproximadamente os anos 4.000 ou 3.000 a.C.. O país tem atualmente a maior área de vinhedos do mundo e é o terceiro maior produtor, ficando atrás somente da França e Itália. A maior parte de seu território está em um planalto central denominado meseta, situado a altitudes que variam entre 600 e 1000 metros acima do nível do mar e rodeado de cadeias montanhosas. Os tipos de solo variam muito de uma região para outra, assim como os microclimas.

 

As Uvas  

A maior quantidade dos vinhedos do país, são de uvas brancas – dentre as principais, Verdejo, Albariño, Xarel-lo e Viura, mas a fama dos vinhos espanhóis está ligada às uvas tintas autóctones, como Tempranillo, Garnacha, Monastrell, Cariñena, Graciano, Mencía e Mazuelo. Mas existem muitos rótulos, a partir de castas internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc e Chardonnay.

A uva destaque é a Tempranillo, uma cepa emblemática do país, cultivada extensamente por todo o norte e centro da Espanha. É uma cepa de casca mais grossa e baixa acidez, que quando cultivada em áreas de clima moderado, apresenta sua melhor performance. Seu nome vem da palavra “tempro”, que significa “cedo”, provavelmente pelo fato de que a Tempranillo amadurece antes das outras variedades. É a espinha dorsal de muitos rótulos espanhóis.

 

Regiões Vitivinícolas

São 12 as principais regiões de produção de vinhos do país, com suas sub-regiões . Estas regiões são: La Rioja, Navarra, Aragón, Cataluña, País Basco, Galícia, Castilla y León, Castilla La Mancha, El Levante, Andaluzia, Extremadura, Ilhas Canárias e Ilhas Baleares.

 

La Rioja

Dentre as regiões, a que mais se destaca é a denominada DOCa Rioja. Ela foi a primeira a receber o status DOCa- Denominacion de Origen Calificada- em 1991. Os vinhedos estão plantados em altitudes que variam entre 500 e 800 metros acima do nível do mar. Os solos são calcário-argilosos, com boa concentração de ferro. A região se divide em nas seguintes áreas de plantio:

Rioja Alavesa e Rioja Alta, ficam a oeste entre a  cidade de Haro e  Logroño, na margem norte do rio Ebro. Os seus vinhedos estão a 800 m do nível do mar, e o tipo de solo que  predomina é o calcário-arenoso. Os vinho alí produzidos, são provavelmente, os mais sutis e elegantes de Rioja..

Rioja Baja, fica a leste de Logroño, na margem sul do rio Ebro. O clima é mais continental, com verões quentes e invernos rigorosos. Os solos são bastante argilosos e chove muito pouco. As principais cepas cultivadas são a Garnacha e Graciano. Os vinhos da região costumam ter menor potencial de guarda do que aqueles produzidos em Rioja Alta e Rioja Alavesa. 

 

Os Vinhos

São famosos os vinhos produzidos na Rioja, conhecidos mundialmente pela diversidade e personalidade, especialmente os tintos de uva Tempranillo. No regulamento de sua DOCa. ( muito  rígido) para o que é ou não permitido na  produção de seus vinhos, no processo de vinificação são considerados 4 diferentes estilos , que dão caráter, elegância, potência que são únicos e inconfundíveis! São eles :

Vinho Jovem: vinhos em seu primeiro ou segundo ano, que conservam suas características primárias de frescor e frutado.

Vinho de Crianza: vinhos no mínimo no terceiro ano, e que passarão no mínimo um ano em barril e alguns meses em garrafa. Nos brancos, o período mínimo de envelhecimento em barril são 6 meses.

Vinho de Reserva: vinhos selecionados a cada colheita que, por suas características, envelheceram durante três anos, dos quais um mínimo de um ano de barril. O resto do período se completa em garrafa. Nos vinhos brancos, o período de envelhecimento é de dois anos, dos quais no mínimo 6 meses são em barril.

Vinho de Gran Reserva: vinhos selecionados em colheitas excepcionais, com um mínimo de dois anos em barril e 3 em garrafa. Nos vinhos brancos, o período de envelhecimento é de 4 anos, dos quais no mínimo 6 meses são em barril

 

Principais Castas

Tintas: Tempranillo 87,7%, Garnacha, Graciano, Mazuelo e Maturana Tinta.

Brancas: Viúra 69%, Malvasía, Garnacha Branca, Tempranillo Branca, Maturana Branca, Turruntés, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Verdejo.

 

Raio X

Com uma área cultivada de 65.841 hectares, a região de Rioja tem 600 bodegas com 14.800 produtores.  No ano de 2018, foram produzidos 336 milhões de litros de vinho e 362 milhões de garrafas foram comercializadas. Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, nesta ordem, são os maiores importadores/consumidores. No Brasil, os vinhos espanhóis, ocupam a 6ª posição na importação e na  preferência do consumidor.

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